Intestino preso: causas, sintomas e soluções para a constipação
Foto: Adobe Stock
27/01/2026 | 11h05
São Paulo, 27/01/2026 - Conhecida popurlamente como “intestino preso”, a constipação não está limitada à redução da frequência das idas ao banheiro, mas também ao endurecimento das fezes ou dificuldade para evacuar, disse o cirurgião do aparelho digestivo, Luiz Guilherme Lisboa, ao VIVA.
O problema se torna mais comum depois dos 60 anos por conta da redução da motilidade cologênica em pessoas idosas, explica o especialista.
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O sistema nervoso do intestino acaba tendo uma degeneração e funcionando mais devagar, além de um enfraquecimento do assoalho pélvico. Doenças associadas, como por exemplo diabetes, hipotireoidismo, Parkinson, demência, AVC, e em pacientes que são acamados podem piorar a constipação".
Existem dois tipos de constipação: a funcional e a orgânica, também conhecidas como primária e secundária. A primeira é mais comum e não costuma estar atrelada a outra doença.
O paciente precisa observar o comportamento intestinal e apresentar pelo menos dois sintomas dentre estes que caracterizam a constipação funcional:
- Menos de três evacuações espontâneas por semana
- Esforço excessivo para evacuar
- Fezes endurecidas ou em caroços
- Sensação de evacuação incompleta
- Sensação de obstrução ou bloqueio no retal
- Necessidade de manobras manuais para facilitar a evacuação
- Fezes com sangue
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Também existem as constipações secundárias, causadas por condições externas ao funcionamento do intestino. Normalmente é associada ao uso de determinados medicamentos, questões alimentares e comportamentais. Para ser diagnosticado, o paciente precisa observar o comportamento intestinal por no mínimo três meses.
Na maioria das vezes, esse paciente tem uma ingestão baixa de fibras e água, e não pratica atividade física. Essas três coisas são os pilares para tratamento adequado e evitar a doença”.
Qual é o tratamento?
Segundo o cirurgião, a alimentação é o pilar deste tratamento. O recomendado é a ingestão de 20 a 30 gramas de fibra (como aveia e leguminosas) por dia, associada a cerca de 3 litros de água. Em casos mais graves, o médico pode receitar laxativos e estimuladores intestinais. “Também atividade física, principalmente aeróbica, que tem relação direta com o movimento e a peristaltismo intestinal. Dependendo da causa da constipação, fisioterapia também pode ser importante”, explicou.
"O paciente idoso tem, naturalmente, menos vontade de evacuar e pelo trânsito intestinal ser mais lento, existe uma absorção maior de água no intestino. As fezes acabam ficando mais ressecadas", disse.
Por isso, o médico recomenda, principalmente no caso de pessoas idosas, criar um hábito intestional. Ou seja, todos os dias após a refeição, ir ao banheiro e tentar evacuar. Lisboa também considera importante conferir se as medicações utilizadas com frequência podem causar constipação.
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O aspecto das fezes
Observar fezes flutuando ou muito escuras no vaso sanitário pode indicar desde efeitos da alimentação até problemas no sistema digestivo. O aspecto das fezes funciona como um retrato do que acontece dentro do organismo.
Na maioria das vezes, a explicação está no que foi consumido recentemente ou na forma como o intestino está funcionando naquele período. O problema começa quando essas alterações duram mais de duas semanas ou aparecem acompanhadas de outros sintomas, como dor abdominal, perda de peso ou cansaço excessivo.
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As fezes normalmente afundam porque têm uma densidade maior que a da água. Quando flutuam, a razão mais comum é o excesso de gases incorporados à massa fecal durante a digestão. Alguns alimentos favorecem a fermentação intestinal e aumentam a produção de gases, como feijões, frutas como maçã e pera, vegetais como brócolis e couve-de-bruxelas, bebidas gaseificadas e produtos com adoçantes artificiais. Nesses casos, a flutuação desaparece com ajustes simples na dieta.
Fezes que flutuam com frequência, têm aspecto oleoso e cheiro mais forte podem indicar excesso de gordura não digerida. Esse quadro, chamado de esteatorreia, está associado a falhas na absorção de nutrientes e pode ocorrer em doenças como doença celíaca, pancreatite crônica ou problemas biliares.
A coloração das fezes é outro indicador importante da saúde digestiva, tons de marrom são considerados normais, mas alterações persistentes merecem investigação, veja as variações:
- Fezes muito escuras ou pretas: Fezes pretas, especialmente com odor forte, podem indicar sangramento no trato gastrointestinal superior, como estômago ou duodeno. Esse sinal exige avaliação médica.
- Fezes claras ou esbranquiçadas: A ausência da coloração marrom pode indicar problemas no fluxo da bile, associados a doenças do fígado ou obstrução dos ductos biliares.
- Fezes amareladas: Podem estar relacionadas à má digestão de gorduras e a distúrbios de absorção, além de algumas infecções intestinais.
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Segundo a Nav Dasa, além da flutuação e da cor escura, o intestino pode dar outros recados importantes, presença visível de:
- Muco;
- Sangue;
- Mudança repentina do hábito intestinal;
- Diarreia persistente; ou
- Constipação prolongada.
São sinais que justificam atenção médica, sobretudo quando vêm acompanhados de febre, náuseas ou emagrecimento sem explicação. Exames de fezes, sangue, endoscopia ou colonoscopia podem ser indicados para identificar a causa e orientar o tratamento adequado. (Com Joyce Canele)
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