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Dentista em casa: atendimento domiciliar ganha força com envelhecimento

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Em, 2023, 30% dos idosos relaram que sua última consulta ao dentista ocorreu "há mais de 3 anos" - Adobe Stock
Em, 2023, 30% dos idosos relaram que sua última consulta ao dentista ocorreu "há mais de 3 anos"
Por Emanuele Almeida

05/06/2026 | 12h52

São Paulo - O cenário atual de envelhecimento populacional, atrelado ao aumento de pacientes com doenças crônicas e de pessoas com dificuldades ou impossibilidade de locomoção, tem pressionado o sistema de saúde a adotar modelos assistenciais mais eficientes como a Assistência Odontológica Domiciliar (AOD). 

A acelerada transição demográfica é um dos principais fatores que impulsionam o atendimento odontológico em casa. Isso porque, entre 2012 e 2024, a população com 60 anos ou mais saltou de 22,3 milhões para 35 milhões de pessoas, um crescimento expressivo de 57,4%. A expectativa é de que, em 2030, o número de idosos ultrapassará o total de crianças entre zero e 14 anos.

Envelhecimento e saúde bucal

Os impactos do envelhecimento são múltiplos e afetam também a saúde buscal dos brasileiros. A Pesquisa Nacional de Saúde Bucal de 2023, do Ministério da Saúde, já apontava 30,43% dos idosos relatando que sua última consulta ao dentista ocorreu "há mais de 3 anos"  – em várias regiões, essa é a resposta mais comum, ultrapassando esse número, dependendo do Estado.

Esse contexto atesta a dificuldade dessa população em manter idas frequentes ao consultório do dentista tradicional. Outro ponto destacado na pesquisa é a frequência do uso de próteses dentárias, com altos índices populacionais utilizando Prótese Total (PT) ou Prótese Parcial Removível (PPR), tanto na maxila quanto na mandíbula.

A ausência de dentes e os problemas com próteses desajustadas impactam diretamente a vida diária dos idosos, como alimentação, socialização e sintomas físicos, como dores e sensibilidade. 

Complexidade do atendimento em casa

Tendo em vista esses fatores, principalmente o aumento de comorbidades atreladas ao envelhecimento, a odontologia precisou se adaptar e buscar levar a assistência a quem precisa. Contudo, o atendimento na residência do paciente vai muito além do simples deslocamento físico do profissional. A cirurgiã dentista, especialista e diretora da Odontolar, Cristiane Vasconcellos, enfatiza a necessidade de rigor: 

Não basta somente levar o consultório para dentro de casa. É necessário adaptar protocolos, equipamentos e abordagem clínica para garantir segurança e eficácia. O ambiente domiciliar exige decisões clínicas diferentes, planejamento e preparo técnico específico”. 

Ela destaca que o perfil dos pacientes se transformou. Se antes o atendimento em casa era visto como uma "solução pontual", hoje ele integra uma jornada estruturada de cuidados, principalmente para pacientes com mobilidade reduzida ou doenças neurodegenerativas. 

A falta desse cuidado pode gerar diversos problemas para a saúde geral do paciente: “Infecções bucais, dor, dificuldade de alimentação e processos inflamatórios persistentes podem comprometer a recuperação de pacientes fragilizados”, alerta a especialista.

Hoje o Brasil conta com a Política Nacional de Saúde Bucal (PNSB) – instrumento oficial que configura o modelo de organização e atuação da atenção à saúde bucal no País via Sistema Único de Saúde (SUS). Porém, ela não determina explicitamente ações específicas voltadas para o atendimento domiciliar ou home care.

O que o documento traz são diretrizes e ações estratégicas que formam uma base para que esse tipo de atendimento possa acontecer no SUS, como a ampliação da cobertura de saúde bucal a partir da implantação não apenas de Unidades Odontológicas Móveis (UOM), mas também de consultórios odontológicos portáteis voltados especificamente para populações residentes em locais de vulnerabilidade e que possuem maior dificuldade de acesso às unidades de saúde. 

Falhas no cuidado 

Para chegar à terceira idade com a boca saudável, o acompanhamento deve começar cedo.

O fundador da OdontoCompany, Paulo Zahr, explica que o cuidado contínuo é fundamental: “A saúde bucal acompanha toda a trajetória de uma pessoa. Cada etapa exige atenção específica, mas todas têm algo em comum: a prevenção é sempre o melhor caminho para preservar saúde, conforto e qualidade de vida”, destaca. 

Ele adiciona que, cada fase da vida possui particularidades e erros comuns que afetam a qualidade de vida no futuro, como:

  • Crianças: o principal erro é a falta de estímulo à higiene correta desde os primeiros anos e a negligência com os dentes de leite, que são essenciais para a mastigação, a fala e a formação da arcada permanente;
  • Adolescentes: fase de mudanças corporais e emocionais, onde a correção ortodôntica (alinhamento e mordida) é essencial não só pela estética, mas para a respiração e a mastigação;
  • Adultos: o ritmo acelerado e o foco no trabalho levam ao principal erro: adiar as consultas preventivas. “Muitos adultos só procuram o dentista diante de dor ou desconforto. O ideal é manter avaliações periódicas para evitar tratamentos mais complexos no futuro”, adverte Zahr, que reforça que a negligência abre espaço para doenças gengivais e cáries silenciosas;
  • Idosos: o envelhecimento natural causa retração gengival, redução da produção salivar, sensibilidade e desgaste dentário. O grande desafio nesta fase é a falta de acompanhamento para as próteses e implantes, que exigem monitoramento constante para evitar infecções e garantir a autonomia na mastigação e comunicação do idoso. 

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