O que é o Julho Neon? Entenda a nova lei de saúde bucal no Brasil
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São Paulo - A partir deste ano, o mês de julho passará a integrar o calendário oficial de conscientização no Brasil com a sanção da Lei 15.408/2026, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A medida institui o "Julho Neon", um período dedicado a campanhas sobre a importância da saúde bucal.
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A nova legislação reforça os esforços do Sistema Único de Saúde (SUS), que já vinha ampliando iniciativas como o programa Brasil Sorridente e a implantação de Unidades Odontológicas Móveis, assim continuar os esforços para atingir os seguintes objetivos:
- Universalização do acesso: expandir a cobertura de saúde bucal na rede do SUS;
- Prevenção: diminuir os índices de cáries e demais enfermidades bucais;
- Especialização: oferecer tratamentos complexos, como canais e próteses;
- Integração: inserir a odontologia nos níveis de atenção primária, média e de alta complexidade.
Maus hábitos ainda persistem
No entanto, a campanha chega em um momento em que a desinformação e os maus hábitos continuam colocando em risco o sorriso e o bem-estar de milhões de brasileiros. Dados de 2025 do Conselho Federal de Odontologia (CFO) e a Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (ABIMO), apontam que cerca de 30% dos brasileiros visitaram um cirurgião-dentista em 2024.
A ortodontista e periodontista, Camila Borges, explica que, entre os equívocos mais comuns nos consultórios estão:
- A ideia de que o sangramento na gengiva é normal;
- Crença de que escovar os dentes com força resulta em uma limpeza melhor;
- Uso de receitas caseiras com bicarbonato ou limão para clareamento, que podem causar danos irreversíveis ao esmalte.
Ela aponta que esse cenário é fruto da tradição cultural aliada à desinformação.
“Grande parte dessas crenças nasce da transmissão familiar e da falta de acesso a informações qualificadas. Mesmo com a evolução da odontologia, muitos desses conceitos continuam sendo repetidos”, explica a especialista.
Ela alerta que mitos como o de procurar o dentista apenas quando há dor não têm respaldo científico e atrasam diagnósticos importantes.
A ausência de dor, inclusive, é um dos principais perigos, pois mascara problemas silenciosos, mas de grande impacto. Doenças periodontais e cáries evoluem sem alarde e, quando a dor surge, o quadro costuma estar avançado.
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Retração na gengiva
Um dos maiores exemplos desse risco invisível é a retração gengival — condição em que a gengiva recua e expõe a raiz do dente —, que já atinge cerca de 50% da população adulta brasileira e é praticamente universal em pessoas acima dos 40 anos, de acordo com estudo publicado na revista Research, Society and Development.
O dentista e CEO da OdontoTop, Cristiano Demartini, explica que a falta de acompanhamento periódico é o principal obstáculo para o tratamento dessas condições silenciosas.
“Para quem não realiza consultas regulares, a retração só é percebida no estado avançado, quando a raiz do dente está exposta, deixando-a vulnerável à ação de bactérias. Isso aumenta o risco de cáries radiculares (na raiz) e pode comprometer a saúde bucal como um todo e levar até a intervenções cirúrgicas”, alerta.
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A retração, muitas vezes, é diretamente causada por hábitos corriqueiros, como a escovação excessivamente agressiva e o acúmulo de tártaro, que favorece inflamações. Demartini destaca a importância da adoção de cuidados básicos para evitar danos irreparáveis:
“Pequenas mudanças como optar por cerdas mais macias e consultar um dentista com maior periodicidade para remover o tártaro acumulado já prolongam a saúde gengival por muito tempo”, indica o especialista.
O dentista ainda reforça a visão sistêmica do cuidado:
O mais importante é entender que a gengiva dá suporte ao dente, a saúde de um está integrada ao outro. Quando esse tecido é negligenciado, todo o sistema bucal fica mais vulnerável".
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