CONFIRA

Menopausa e climatério: entenda sintomas, causas e tratamentos

Entenda o que acontece com o corpo na menopausa e no climatério, como reconhecer os sinais e quais cuidados ajudam a preservar a saúde a longo prazo

Bianca Bibiano

Por Bianca Bibiano

05/02/2026 | 18h43

Pexels/Karolina Grabowska

Saiba reconhecer os sinais da menopausa e quais cuidados ajudam a preservar a saúde a longo prazo - Pexels/Karolina Grabowska
Saiba reconhecer os sinais da menopausa e quais cuidados ajudam a preservar a saúde a longo prazo
Ouvir texto 2:27 1x

São Paulo, 05/02/2026 - A menopausa marca oficialmente o fim do período reprodutivo feminino e não deve ser encarada como uma doença. Segundo o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS), ela é definida como a última menstruação, confirmada após 12 meses consecutivos sem sangramento. Esse marco costuma ocorrer entre os 45 e 55 anos e inaugura uma nova fase da vida da mulher, que exige atenção redobrada à saúde física, emocional e metabólica.

No Brasil, cerca de 30 milhões de mulheres vivem atualmente o climatério ou a menopausa, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em escala global, a OMS estima que até 2030 mais de 1,2 bilhão de mulheres estarão na menopausa ou no pós-menopausa, e a maioria relata impactos relevantes na qualidade de vida.

Qual a diferença entre menopausa e climatério?

Menopausa e climatério não são sinônimos, embora sejam frequentemente confundidos. O climatério engloba desde a fase de transição para a menopausa - e pode se iniciar anos antes da última menstruação, quando os ovários passam a reduzir gradualmente a produção hormonal - até o pós-menopausa.

Publicidade

A menopausa, por sua vez, é um evento pontual, o momento em que a mulher completa 12 meses sem sangramento. Após esse marco, tem início a pós-menopausa. Segundo a ginecologista especialista em saúde da mulher 40+, Ana Maria Passos, o reconhecimento dessa fase nem sempre ocorre de forma imediata. "Na perimenopausa inicial, os exames costumam vir normais, e por isso o diagnóstico muitas vezes não é feito", explica.

Leia também: Galisteu quer "normalizar a menopausa" em novo livro em parceria com médico

Perimenopausa: quando os sinais começam antes da última menstruação

A perimenopausa é a etapa inicial do climatério e pode começar de cinco a até 14 anos antes da menopausa. Mesmo com ciclos menstruais regulares, o corpo já passa por oscilações hormonais capazes de provocar sintomas físicos e emocionais.

Publicidade

Alterações no padrão menstrual, intensificação da TPM, dor nas mamas, cefaleia, ansiedade, irritabilidade, insônia e queda de energia estão entre os sinais mais frequentes.

A mulher começa a perder motivação e energia, o que pode ser confundido com depressão ou estresse", alerta a ginecologista.

A falta de reconhecimento da perimenopausa pode levar a abordagens inadequadas. "Se a mulher não reconhece que está na perimenopausa, ela perde tempo e acaba tratando os sintomas de forma inadequada", afirma a especialista, destacando que o diagnóstico é clínico e exige experiência na área.

Leia também: Básico bem-feito: ginecologista indica cuidados para menopausa saudável

Publicidade

Principais sintomas da menopausa

As manifestações da menopausa variam conforme fatores biológicos, emocionais e ambientais. Em muitos casos, os sintomas passam a interferir diretamente na rotina, no sono e no bem-estar geral, especialmente em períodos de temperaturas elevadas.

"Com o aumento da temperatura, as alterações hormonais que impactam diretamente a qualidade de vida das mulheres, ficam mais evidentes. Ondas de calor e suor excessivo, principalmente à noite, distúrbios do sono, alterações de humor e instabilidade emocional, falta de energia e cansaço persistente tendem a ser percebidos com mais intensidade", explica a ginecologista e obstetra Thalita Domenich, especialista da Libbs Farmacêutica.

Além dos fogachos, são comuns sintomas como irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração, redução da libido e secura vaginal, além de escapes de urina, todos associados à queda do estrogênio.

Publicidade

Leia também: Sofrendo com a menopausa? Veja 6 formas eficazes de aliviar os sintomas

Metabolismo e mudanças no corpo

As alterações hormonais da menopausa também repercutem no metabolismo. A redução do estrogênio favorece a perda de massa muscular e modifica a forma como o corpo distribui a gordura, aumentando a tendência ao acúmulo na região abdominal.

"Vale lembrar que com a queda do estrogênio ocorre uma redistribuição da gordura. No climatério e na menopausa, ela passa a acumular principalmente no abdômen. Mas também pode aumentar na região do dorso, a chamada gordura nas costas e braços", explica o médico do esporte e nutrólogo Thiago Viana, especialista em emagrecimento.

Publicidade

Ele cita estudos da North American Menopause Society, que indicam que mulheres podem ganhar até cinco centímetros de circunferência abdominal nos primeiros anos após a menopausa, mesmo sem grandes variações no peso corporal.

Leia também: Quando até o cheiro muda: os sintomas invisíveis da menopausa 

3 estratégias para manter o equilíbrio no climatério

três mulheres 50+ fazem alongamento na academia, duas de frente, uma apenas de costas pela metade

Publicidade

Especialistas destacam que, mesmo com o metabolismo mais lento, é possível preservar saúde e funcionalidade com abordagens consistentes durante todo o período do climatério:

1. Manter a musculatura ativa é prioridade

"A perda muscular se acelera nesse estágio e isso infuencia diretamente o gasto energético. Por isso, a ingestão adequada de proteínas e a prática regular de exercícios de força são fundamentais", orienta a nutricionista Fernanda Lopes, da Six Clinic.

2. Dietas muito restritivas podem piorar o metabolismo

"Cortes muito agressivos contribuem para a perda muscular, e o corpo responde economizando energia", alerta a especialista.

Publicidade

3. A importância do suporte profissional

"O corpo muda, e o plano também precisa mudar. O suporte profissional torna o processo mais seguro e sustentável", conclui Lopes.

Riscos silenciosos: ossos e coração

A queda hormonal característica da menopausa não afeta apenas o conforto físico, mas também aumenta riscos importantes à saúde a longo prazo, como osteoporose e doenças cardiovasculares.

Quanto mais cedo a mulher entra na menopausa, maiores devem ser os cuidados com a saúde, já que o declínio hormonal aumenta o risco de doenças cardiovasculares, osteoporose e declínio cognitivo", alerta Ana Maria Passos.

Leia também: Climatério e menopausa movimentam mercado milionário, aponta pesquisa

Publicidade

O acompanhamento médico regular e a realização de exames preventivos são fundamentais nesse período, afirma o ginecologista Ivaldo Silva, professor livre-docente pela Unifesp e membro do conselho curador da FIDI.

A menopausa não é uma doença, mas um processo fisiológico que requer atenção. Quando a mulher se informa, realiza seus exames de rotina e entende o que está acontecendo, ela assume um papel ativo no cuidado com a própria saúde."

Tratamentos: reposição hormonal é para todas?

A terapia de reposição hormonal (TH) é considerada o tratamento mais eficaz da atualidade para aliviar os sintomas da menopausa, mas não é indicada de forma indiscriminada. A decisão deve considerar o histórico clínico, fatores de risco e o momento em que o tratamento é iniciado.

Para o médico especialista em climatério e saúde da mulher 40+ Luiz Augusto Silva Junior, fundador do Instituto Amare, a menopausa precisa ser compreendida de forma ampliada. "A menopausa não é apenas uma transição biológica. Ela é um ponto de virada que revela sobrecargas físicas e emocionais acumuladas ao longo da vida", afirma.

Publicidade

Leia também: Terapia hormonal na menopausa causa AVC? Entenda a relação

Ele ressalta que o receio em torno da terapia hormonal se deve, em grande parte, à leitura equivocada de estudos antigos. "Falhamos com 20 milhões de mulheres. Essa é uma das maiores tragédias médicas da nossa era", diz o especialista.

5 benefícios da terapia hormonal quando bem indicada:

  1. Melhora da qualidade de vida: ajuda a aliviar ondas de calor, insônia, alterações de humor e fadiga.
  2. Redução de riscos cardiovasculares: quando iniciada na janela correta, pode contribuir para a proteção do coração.
  3. Proteção da saúde óssea: auxilia na prevenção da osteoporose e da perda de massa óssea.
  4. Preservação da cognição: pode impactar positivamente memória, concentração e clareza mental.
  5. Equilíbrio metabólico e hormonal: contribui para melhor controle do metabolismo e composição corporal.

Estilo de vida como aliado no tratamento da menopausa

Mulher negra 50+ toma café em espaço ao ar livre e sorri com alegria

Publicidade

Mesmo quando a reposição hormonal é indicada, ela não atua sozinha, explicam os especialistas. Mudanças no estilo de vida são parte essencial do cuidado durante a menopausa. 

Thalita Domenich, por exemplo, reforça que hábitos simples podem reduzir o impacto dos sintomas, como alimentação equilibrada, prática de exercícios em horários mais amenos, hidratação adequada e atenção ao sono e à saúde mental.

Menopausa e saúde mental

A transição hormonal pode desencadear ou agravar quadros de ansiedade e depressão. Segundo a psiquiatra Luana Zen, o tratamento adequado pode atuar em mais de uma frente. "Esse tipo de medicação, além de atuar na depressão, pode aliviar os fogachos e outros sintomas da perimenopausa e da menopausa, oferecendo qualidade de vida em duas frentes", explica.

Publicidade

A menopausa não precisa ser vivida como um período de perdas inevitáveis. Para o ginecologista Eduardo Motta, do Hospital Sírio-Libanês, informação e acompanhamento fazem toda a diferença.

A menopausa é uma transição para a serenidade. Não é o fim de um ciclo, mas o início de uma nova fase, em que a mulher pode e deve ter qualidade de vida", conclui.

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.