Efeito Ozempic: 1 em cada 3 lares no Brasil tem usuário de caneta emagrecedora
Freepik
São Paulo - O uso de canetas emagrecedoras, como Ozempic e Mounjaro, deixou de ser um assunto restrito aos consultórios médicos para se consolidar como uma fator de transformação no comportamento e no orçamento das famílias brasileiras.
É o que revela uma nova pesquisa do Instituto Locomotiva, realizada em fevereiro de 2026, apontando que o fenômeno se espalhou em velocidade recorde pelo País e já dita novas regras de consumo.
Leia também: Bafo de Ozempic - por que canetas emagrecedoras causam mau hálito
A presença desses medicamentos nas residências deu um salto em pouco tempo: passou de 26% no final de 2025 para 33% no início deste ano, consolidando a marca de 1 em cada 3 domicílios no país com ao menos um morador usuário de canetas emagrecedoras.
Além disso, segundo o levantamento, 24% dos entrevistados relatam já ter usado o medicamento pessoalmente. Na prática, isso significa que, a cada 4 brasileiros adultos, praticamente 1 já fez uso pessoal dessas canetas para perda de peso.
Além disso, 11% usuários atuais e 13% pessoas dizem que já utilizaram os medicamentos no passado e 9 em cada 10 pessoas que já utilizaram as canetas afirmam que gostariam de voltar a usar o medicamento.
O impacto, no entanto, não está apenas na balança, mas na mesa e nos caixas dos supermercados. A imensa maioria (95%) dos domicílios que contam com usuários do medicamento registrou queda no consumo de ao menos uma categoria de alimentos ou bebidas.
Para se ter uma ideia da dimensão desse impacto, a cada 20 casas onde o medicamento é utilizado, 19 cortaram algum tipo de gasto alimentício, um reflexo direto da redução de apetite notada em 8 a cada 10 lares adeptos ao tratamento.
O que sai do cardápio das famílias?
As categorias que mais sofreram cortes revelam uma mudança drástica de hábitos:
- Doces e petiscos lideram a queda (70%);
- Bebidas açucaradas (50%);
- Massas (47%);
- Bebidas alcoólicas (45%);
- Ultraprocessados (42%).
A rotina de lazer e alimentação fora de casa também sofreu um baque severo. O uso das canetas esfriou o mercado de conveniência: 56% das famílias reduziram os pedidos de delivery e fast food, enquanto 47% diminuíram a frequência em restaurantes.
Em contrapartida, há uma migração para opções mais saudáveis: em 4 de cada 10 lares, houve aumento no consumo de proteínas magras (30%), frutas e vegetais (26%) e alimentos integrais (25%).
Fenômeno atravessa classes sociais
Apesar do alto custo dos medicamentos, o uso rompeu as barreiras de renda. O fenômeno atinge 39% das casas das classes A e B, mas, de acordo com a pesquisa, já se faz presente em 30% dos lares das classes C, D e E.
O levantamento também traz que 76% dos entrevistados acreditam que as canetas emagrecedoras estão se tornando mais acessíveis, enquanto 68% afirmam que preços mais baixos e maior facilidade de acesso aumentariam a chance de utilizar esse tipo de medicamento.
Leia também: Canetas emagrecedoras: OMS emite 1ª diretriz para uso em adultos
Contudo, com o valor médio de R$ 1 mil por caneta, o preço elevado ainda tem levado consumidores a buscar atalhos arriscados para manter o tratamento. O levantamento destaca que 4 em cada 10 pessoas que usam ou já usaram o produto adquiriram as canetas sem receita médica, recorrendo a compras online ou no exterior.
Para o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, os dados mostram que a sociedade e a economia entraram na "segunda camada" do fenômeno.
"Além da aprovação de quem usa, existe uma mudança concreta no padrão de consumo. Redução de ultraprocessados, menos bebidas açucaradas, menos conveniência e, em alguns casos, queda de gasto. Isso significa que a discussão não é só sobre um medicamento, é sobre comportamento", avalia Meirelles.
Leia também: Patente do Ozempic expira: Vai ter genérico? O preço vai cair? Entenda tudo
Ainda segundo a pesquisa, a satisfação é alta — 78% dos que usaram recomendariam a amigos ou familiares —, e 68% garantem que preços mais baixos fariam o uso explodir ainda mais. Com o início das quebras de patentes e uma maior democratização do acesso, ao fenômeno das canetas promete ser ainda mais profundo.
Sobre a pesquisa
A pesquisa foi realizada pelo Instituto Locomotiva entre 3 e 9 de fevereiro de 2026, com 1.004 entrevistados em todo o país, por meio de questionário digital de autopreenchimento. A amostra foi ponderada por região, gênero, idade e renda, de acordo com o perfil da população brasileira medido pela PNAD/IBGE.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.
