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Estudo sobre dengue grave em UTIs indica maior risco para idosos

Análise realizada pelo Einstein de mais de 40 mil internações em UTIs revela que as primeiras 24 horas são críticas para identificar gravidade extrema

Redação Viva

Por Redação Viva

22/10/2026 | 13h09

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O aedes aegypti é o mosquito que transmite o vírus causador da dengue - Envato
O aedes aegypti é o mosquito que transmite o vírus causador da dengue
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O Einstein Hospital Israelita realizou um extenso estudo sobre dengue grave em UTIs, analisando mais de 40 mil internações entre 2015 e 2024, e constatou que as primeiras 24 horas são cruciais para determinar o risco de vida dos pacientes.

Os grupos mais vulneráveis incluem idosos e pessoas com comorbidades, com uma taxa de mortalidade hospitalar de 8,2% em casos graves, evidenciando a necessidade de suporte intensivo imediato para aumentar as chances de recuperação.

Em resposta ao aumento previsto de casos devido ao fenômeno El Niño, a Secretaria da Saúde de São Paulo lançou um plano abrangente para combater doenças transmitidas por insetos e monitorar a assistência farmacêutica, visando mitigar os impactos na saúde pública.

Resumo gerado por IA

São Paulo - O Einstein Hospital Israelita conduziu o maior estudo sobre dengue grave em UTIs da América do Sul. Os pesquisadores da instituição analisaram mais de 40 mil internações de 2015 a 2024. O estudo revelou que as primeiras 24 horas são críticas para identificar o risco de vida do paciente. 

Os grupos de maior risco em casos de dengue grave são os idosos, pacientes com comorbidades e pessoas com comprometimento circulatório grave. O estudo foi publicado no periódico científico internacional Journal of Critical Care.

A doença age deteriorando rapidamente o sistema circulatório, o que desencadeia uma reação inflamatória agressiva e leva ao choque. A mortalidade hospitalar acumulada por quadros graves de dengue chegou a 8,2% nas UTIs brasileiras.

Segundo o estudo, pacientes que necessitam de suporte intensivo imediato já na admissão possuem menos chances de se recuperar. Ao analisar as taxas de mortalidade hospitalar, a pesquisa constatou que quanto mais grave o quadro do paciente no momento da chegada à UTI, maior o risco de óbito.

Essa relação é observada especialmente entre aqueles que já necessitam de suporte intensivo imediato na admissão, indicando um nível de criticidade que reduz drasticamente as chances de recuperação.

Os dados sugerem que a demora para admitir o paciente na UTI, com sua chegada num momento de maior gravidade, pode contribuir de forma relevante para um desfecho desfavorável. É por isso que buscamos, com essa pesquisa, gerar inteligência de vida real a partir dos indicadores para que os profissionais consigam reconhecer e agir rapidamente, muito antes de o paciente entrar em choque.
Luciano Azevedo, médico pesquisador da Academic Research Organization (ARO) do Einstein Hospital Israelita

El Niño pode elevar proliferação do mosquito

Neste ano, a perspectiva é de um possível aumento dos casos em razão do El Niño. Por isso, a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo lançou em 31 de agosto o Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde para o  chamado super El Niño. O documento reúne diretrizes para os 645 municípios paulistas com o objetivo de reduzir os efeitos do fenômeno climático e cada região do Estado apontou três cenários possíveis para o seu território.

O plano elaborado pelo governo do Estado prevê o reforço no combate a doenças transmitidas por insetos, como dengue, chikungunya e febre amarela, e também a doenças diarreicas, leptospirose e hepatite A.

O planejamento inclui ainda o monitoramento da assistência farmacêutica para evitar a falta de medicamentos e ações de saúde mental voltadas tanto à população atingida por desastres climáticos quanto aos profissionais que atuam na linha de frente.

O que é o El Niño

O El Niño é um fenômeno natural provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico. A mudança altera a circulação da atmosfera em escala global e mexe com o regime de ventos, chuvas e temperaturas em todo o planeta. Em São Paulo, isso pode se traduzir em ondas de calor, tempestades e vendavais concentrados.

O El Niño combina as duas condições que mais favorecem o Aedes aegypti: calor e água parada. Com temperaturas mais altas, o mosquito se desenvolve mais rápido, do ovo à fase adulta. O vírus também se multiplica em menos tempo dentro do inseto, que passa a transmitir a doença mais cedo. As chuvas fortes enchem recipientes e criam novos criadouros, e os ovos do mosquito, que resistem por meses em ambientes secos, eclodem assim que entram em contato com a água.

"O estudo mostra que, se quisermos reduzir de forma sustentável as mortes por dengue no país, o nosso foco de gestão deve ser aperfeiçoar os fluxos de regulação e triagem pré-hospitalar.” destaca Lucas Corrêa, gerente do Centro de Estudo e Promoção de Políticas de Saúde do Einstein Israelita. 

Por Mateus Rolim, especial para o VIVA

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