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Exame promete encontrar mais de 50 tipos de câncer antes dos sintomas

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O exame de sangue, chamado de Galleri, teve resultado positivo no rastreamento de múltiplos tipos de câncer, porém, ainda não está disponível no Brasil - Envato
O exame de sangue, chamado de Galleri, teve resultado positivo no rastreamento de múltiplos tipos de câncer, porém, ainda não está disponível no Brasil

Por Joyce Canele e Bianca Bibiano

redacao@viva.com.br
Publicado em 29/11/2025, às 16h45

São Paulo, 28/11/2025 - Um estudo apresentado em outubro no congresso internacional da Sociedade Europeia de Oncologia Médica, em Berlim (Alemanha), ganhou destaque após apresentar resultados promissores na detecção de câncer em estágios iniciais. 

Os dados divulgados mostram que um novo tipo de exame de sangue, nomeado de Galleri, é capaz de identificar mais de 50 tipos de câncer e ampliou em mais de sete vezes o número de casos descobertos antes de avançarem para casos mais graves.

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O estudo foi realizado pela empresa farmacêutica GRAIL, fabricante do teste, e acompanhou mais de 35 mil pessoas nos Estados Unidos e Canadá, todas com 50 anos ou mais de idade e sem suspeita clínica da doença no início da pesquisa. Do total, 216 participantes receberam um preditivo de câncer e 133 deles tiveram a doença confirmada posteriormente.

Um dos destaques da análise foi o fato de que mais da metade dos cânceres identificados pelo Galleri estava em estágio I ou II. Além disso, aproximadamente 3/4 dos diagnósticos correspondem a tumores para os quais não há exames de rastreamento recomendados atualmente. Para os 12 tipos de câncer responsáveis pela maior parte das mortes nos EUA, a sensibilidade do episódio chegou a 73,7%.

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A pesquisa é considerada o maior estudo intervencionista já realizado com um teste de detecção precoce de múltiplos tipos de câncer em uma população submetida a rastreamento, porém ainda não existe no Brasil. A empresa informou que os dados do estudo integrarão o pedido de aprovação pré-comercialização do teste junto à agência reguladora dos Estados Unidos. A expectativa é concluir a submissão no primeiro semestre de 2026. Com isso, pode também chegar ao Brasil no próximo ano.

Rastreamento de câncer no Brasil

De acordo com o diretor médico de patologia e genômica Cristovam Scapulatempo Neto, da Dasa e Dasa Genômica, quando se trata de detecção do câncer, o Brasil ainda não tem um teste molecular para diagnóstico precoce. "O que temos são biópsias líquidas, que ajudam a detectar recidiva, tumoral ou mutações que podem atrapalhar o tratament0, e outros testes que podem dizer se há DNA circulante do tumor e com isso o médico pode decidir se faz ou não terapia coadjuvante, quimioterapia ou radioterapia", explica.

Além desses, o especialista destaca ainda que outros testes de expressão gênica também podem ajudar na avaliação do risco de metástase e na indicação ou não de quimioterapia adjuvante para pacientes com câncer de mama, especialmente em estágios 1 a 3.
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Outra possibilidade de detecção são painéis genéticos que avaliam mutações em genes que, quando presentes, aumentam a suscetibilidade de risco de câncer, indicando alto, médio ou baixo risco de avanço na doença, no entanto mais aumentado do que a população em geral. "Dependendo da mutação, o encaminhamento varia desde indicação de exames de imagem, de sangue ou até mesmo indicação de cirurgias profiláticas, em casos de câncer de mama, por exemplo."
Para Scapulatempo, o Brasil tem "produtos maduros" de diagnóstico, mas "pouco utilizados por questão de acesso". Ainda assim, ele destaca que alguns painéis genéticos para detecção de câncer já estão sendo liberados pelo rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em especial para pacientes jovens, história familiar e com histórico de câncer de ovário, de pâncreas e alguns tipos de câncer de próstata. "Cada dia mais aumenta a indicação e os planos de saúde têm que pagar para a realização do exame para a gente poder seguir o paciente", observa.
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Além de predizer o risco de câncer, alguns genes detectados nesses testes ajudam a predizer respostas a algumas terapias contra o câncer, dependendo do tumor e das mutações e do paciente. Em alguns cenários, também é possível realizar um teste personalizado, baseado em informações específicas do tumor, para a detecção ultrassensível de doença residual molecular e monitoramento de recorrência, com valores que podem chegar a mais de R$ 15 mil.

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