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Por Joyce Canele e Bianca Bibiano
redacao@viva.com.brSão Paulo, 28/11/2025 - Um estudo apresentado em outubro no congresso internacional da Sociedade Europeia de Oncologia Médica, em Berlim (Alemanha), ganhou destaque após apresentar resultados promissores na detecção de câncer em estágios iniciais.
Os dados divulgados mostram que um novo tipo de exame de sangue, nomeado de Galleri, é capaz de identificar mais de 50 tipos de câncer e ampliou em mais de sete vezes o número de casos descobertos antes de avançarem para casos mais graves.
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O estudo foi realizado pela empresa farmacêutica GRAIL, fabricante do teste, e acompanhou mais de 35 mil pessoas nos Estados Unidos e Canadá, todas com 50 anos ou mais de idade e sem suspeita clínica da doença no início da pesquisa. Do total, 216 participantes receberam um preditivo de câncer e 133 deles tiveram a doença confirmada posteriormente.
Um dos destaques da análise foi o fato de que mais da metade dos cânceres identificados pelo Galleri estava em estágio I ou II. Além disso, aproximadamente 3/4 dos diagnósticos correspondem a tumores para os quais não há exames de rastreamento recomendados atualmente. Para os 12 tipos de câncer responsáveis pela maior parte das mortes nos EUA, a sensibilidade do episódio chegou a 73,7%.
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A pesquisa é considerada o maior estudo intervencionista já realizado com um teste de detecção precoce de múltiplos tipos de câncer em uma população submetida a rastreamento, porém ainda não existe no Brasil. A empresa informou que os dados do estudo integrarão o pedido de aprovação pré-comercialização do teste junto à agência reguladora dos Estados Unidos. A expectativa é concluir a submissão no primeiro semestre de 2026. Com isso, pode também chegar ao Brasil no próximo ano.
De acordo com o diretor médico de patologia e genômica Cristovam Scapulatempo Neto, da Dasa e Dasa Genômica, quando se trata de detecção do câncer, o Brasil ainda não tem um teste molecular para diagnóstico precoce. "O que temos são biópsias líquidas, que ajudam a detectar recidiva, tumoral ou mutações que podem atrapalhar o tratament0, e outros testes que podem dizer se há DNA circulante do tumor e com isso o médico pode decidir se faz ou não terapia coadjuvante, quimioterapia ou radioterapia", explica.
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Exame de sangue