Faz sentido comer chocolate diet ou fit na Páscoa? Especialistas explicam
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São Paulo - Nesta época, o desejo pelo chocolate aumenta, mas para quem vive com o diabetes e o pré-diabetes, o período de Páscoa deve ser aproveitado com cautela. Isso por conta do potencial negativo do açúcar na alimentação de pessoas com a doença. Para driblar o vilão, existem nos mercados soluções como os chocolates diets ou zero açúcar, mas será que elas funcionam?
Segundo especialistas, nem sempre. Clarissa Castro, gerente médica de diabetes da Merck Brasil, diz que as versões diet ou zero podem ter o incremento de outros ingredientes menos benéficos, como a gordura, para que o alimento fique com o sabor mais atrativo ao paladar.
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"Isso é perigoso, pois o excesso de gordura saturada presente nesses produtos é tão prejudicial quanto o próprio açúcar, acelerando a resistência à insulina em vez de protegê-la”, explica, e completa:
Para quem tem pré-diabetes e diabetes, é importante lembrar que não basta controlar apenas o consumo de açúcar. O selo 'diet ou zero' em um produto como o chocolate pode criar a falsa sensação de segurança, levando a um possível consumo excessivo do alimento."
Em 2025, o Brasil contabilizava 16,6 milhões de pessoas de 20 a 79 anos com diabetes. O número coloca o País na sexta posição no ranking global de nações com mais casos da doença e representa um aumento de 403% na comparação com 2000, quando havia 3,3 milhões de pessoas diagnosticadas.
“Muitas vezes, um pequeno pedaço de chocolate com 70% de cacau é metabolicamente mais inteligente do que um ovo diet inteiro repleto de gordura e aditivos químicos", indica Castro.
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Versão fit nem sempre é solução
Para além dos ovos diet, outra tendência crescente no mercado é a substituição dos ovos de chocolate por versões 'fit' ou proteicas. Embora o marketing sugira que são opções invariavelmente mais saudáveis, a nutricionista Adriana Maróchi, do Grupo São Lucas de Ribeirão Preto, esclarece que essa troca é desnecessária para a maioria da população.
"Não vejo vantagem em substituir o ovo de Páscoa tradicional pelo proteico apenas por modismo. Essa obsessão muitas vezes vem de influenciadores que representam a indústria de suplementos", afirma a nutricionista.
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Maróchi diz que, para quem não treina em níveis de alta performance, a suplementação deve ser determinada por avaliação profissional, e não por impulso de consumo em datas festivas.
A nutricionista complementa explicando que uma dieta balanceada que inclua carnes, ovos, feijões e laticínios já supre as necessidades proteicas de quem pratica atividades físicas leves ou moderadas. Por isso, defende o equilíbrio:
Nenhum alimento é vilão se consumido moderadamente. Curtir momentos felizes em família e apreciar o que se gosta, sem medo, é essencial para melhorar a relação com a comida. Se você tem bons hábitos diários, pratica exercícios e prioriza 'comida de verdade', pode se permitir itens mais calóricos de vez em quando sem prejudicar a saúde."
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