Hanseníase tem cura? Saiba sobre formas de transmissão e tratamento
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30/01/2026 | 10h31
São Paulo, 30/01/2026 - A hanseníase, ainda é um grande desafio de saúde pública no Brasil. O País ocupa a segunda posição no mundo em registros de novos casos, ficando atrás apenas da Índia, mas lidera em taxa de detecção (novos diagnósticos a cada 100 mil habitantes). Em 2023, foram registrados 22.773 novos casos da doença, um aumento de 4% em relação ao ano anterior.
Apesar dos números alarmantes, a doença tem cura e o tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
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O que é hanseníase?
De acordo com a Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH), a hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae (ou Bacilo de Hansen). Ela afeta principalmente a pele e os nervos periféricos, podendo comprometer a força muscular e a sensibilidade.
Pode chamar de lepra?
Historicamente, a doença era chamada de "lepra". No entanto, desde 1995, uma lei federal proíbe o uso desse termo no Brasil para combater o estigma e o preconceito associados à doença.
A SBH reforça que a hanseníase é curável e que o isolamento de pacientes é uma prática antiga e desnecessária.
Quais são os sintomas da hanseníase?
O diagnóstico clínico é fundamental. O médico avalia a pele e os nervos em busca de alterações. Os principais sinais e sintomas listados pelo Ministério da Saúde incluem:
- Manchas na pele: podem ser brancas, avermelhadas, acastanhadas ou amarronzadas;
- Perda de sensibilidade: as manchas ou áreas afetadas apresentam alteração de sensibilidade térmica (ao calor e frio), dolorosa (à dor) e tátil (ao toque);
- Formigamentos e dormência: sensação de fisgadas, choques ou dormência, principalmente nas mãos e nos pés;
- Caroços e inchaços: nódulos no corpo, que podem ser dolorosos e avermelhados.
- Alterações neurológicas: diminuição da força muscular e espessamento (engrossamento) dos nervos;
- Pele seca: áreas com diminuição de pelos e suor.
Como ocorre a transmissão?
Muitos mitos cercam a transmissão da hanseníase. É importante esclarecer que a doença não passa pelo toque casual. Ela ocorre pelas vias aéreas superiores, através da tosse, espirro ou fala de uma pessoa doente, sem tratamento, para outra. É necessário um contato próximo e prolongado.
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Saiba que não se transmite hanseníase por abraços ou aperto de mão; compartilhar pratos, talheres, copos ou roupas de cama.
A doença não é hereditária - ou seja, não passa de pais para filhos no nascimento.
Assim que o tratamento é iniciado, o paciente deixa de transmitir a doença. Portanto, não é necessário afastar o paciente do convívio familiar ou social.
Tratamento e cuidados
O tratamento da hanseníase é ambulatorial (não exige internação) e feito com a Poliquimioterapia Única (PQT-U), um coquetel de antibióticos fornecido gratuitamente pelo SUS.
- Duração: varia de 6 meses (para casos paucibacilares, com poucos bacilos) a 12 meses (para casos multibacilares);
- Continuidade: é vital não abandonar o tratamento para garantir a cura e evitar a resistência da bactéria.
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