Sintomas da endometriose podem ter alívio com mudança na alimentação
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São Paulo, 05/03/2026 - O Março Amarelo é um mês dedicado à conscientização sobre a endometriose, uma doença ginecológica crônica e inflamatória que afeta entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva, segundo dados do Ministério da Saúde. A condição causa incômodos e dores constantes, mas a alimentação pode ser uma aliada no alívio dos sintomas.
É isso que aponta um estudo internacional publicado na revista JAMA Network Open em 2025 feito com mais de 2 mil mulheres diagnosticadas com a condição que revelou um dado promissor: duas em cada três pacientes que realizaram mudanças na alimentação perceberam melhora na intensidade da dor.
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Impacto direto do cardápio nas dores
Embora a alimentação não seja a causa direta da doença, a nutricionista Amanda Figueiredo esclarece que a dieta influencia fortemente os sintomas, a qualidade de vida e o processo inflamatório característico da endometriose.
O levantamento do JAMA Network Open detalhou que as mulheres relataram alívio ao eliminar ou reduzir os seguintes itens do cardápio:
- Álcool;
- Glúten;
- Laticínios;
- Cafeína;
- Açúcar processado;
- Ultraprocessados;
- Alho e cebola.
Entre os suplementos, o magnésio foi o grande destaque, trazendo alívio para 32,3% das pacientes devido ao seu efeito miorrelaxante, que ajuda a diminuir as contrações uterinas e as cólicas intensas.
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O que é endometriose?
A endometriose ocorre quando células semelhantes às do endométrio, a camada interna do útero, crescem fora da cavidade uterina, atingindo órgãos como ovários, trompas, bexiga, intestino e até o diafragma.
A ginecologista especialista em reprodução humana da La Vita Clinic, Graziela Canheo, explica que essas células acompanham o ciclo menstrual, provocando crescimento, descamação, inflamação recorrente e a formação de aderências.
Os principais sintomas da endometriose
Os principais sintomas incluem cólicas menstruais intensas, dor durante as relações sexuais, dor pélvica crônica fora do período menstrual e alterações intestinais, como dificuldade para evacuar e obstruções.
Além de provocar dores incapacitantes, a endometriose é uma grande ameaça à capacidade reprodutiva, podendo causar infertilidade em 30% a 50% das mulheres diagnosticadas, segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).
Canheo aponta que a inflamação contínua gerada pela doença pode comprometer o funcionamento das tubas, a qualidade dos óvulos e a receptividade do endométrio, dificultando a implantação do embrião.
Como a endometriose é dependente de estrogênio e possui um caráter inflamatório, a nutrição pode atuar como uma ferramenta estratégica no tratamento. Amanda Figueiredo destaca que um padrão alimentar adequado atua em três pilares: na redução da inflamação sistêmica, no equilíbrio hormonal e no preparo do endométrio. É recomendado o consumo de:
- Peixes ricos em ômega-3;
- Azeite de oliva extravirgem;
- Vegetais crucíferos, como brócolis e couve;
- Frutas vermelhas;
- Sementes, oleaginosas e alimentos ricos em fibras;
Tratamento multidisciplinar
O sucesso no controle da endometriose exige uma abordagem ampla de estilo de vida. Canheo reforça que os pilares do cuidado incluem uma alimentação saudável e anti-inflamatória, atividade física aeróbica regular, controle do estresse e boa qualidade do sono.
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Contudo, as especialistas alertam que a resposta à alimentação é individual e não existe uma dieta universal para todas as mulheres com a doença.
O acompanhamento nutricional personalizado e uma abordagem multidisciplinar são essenciais para reduzir as complicações e aumentar as chances de uma gestação bem-sucedida, seja ela natural ou assistida.
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