O que é luto esportivo? Entenda sentimento de vazio após eliminação na Copa
Tomaz Silva/Agência Brasil
São Paulo - A despedida da Seleção Brasileira da Copa do Mundo, ocorrida neste domingo, 5 de julho, representa muito mais do que um imprevisto dentro das quatro linhas. Para a população, o fim da jornada no torneio rompe uma longa construção de expectativas e desencadeia sentimentos complexos, como um vazio inexplicável, tristeza e profunda frustração.
O futebol no Brasil transcende a ideia de um simples jogo, funcionando como um pilar de identidade coletiva e integração social. Durante o campeonato, o País paralisa suas atividades normais para viver uma experiência compartilhada de esperança.
Leia também
Por conta de todo esse investimento social e afetivo, a queda no torneio é processada pelo nosso cérebro como uma verdadeira perda simbólica e abrupta. A doutora em psicologia e head da área na Starbem, Ticiana Paiva esclarece as nuances dessa dinâmica, que impõe uma carga gigantesca principalmente sobre os atletas.
Representar um País envolve carregar expectativas de milhões de pessoas. Mesmo atletas experientes não ficam imunes a essa pressão, porque ela não desaparece com o tempo, apenas muda de forma".
Embora o luto esportivo seja esperado e até natural após o encerramento de um ciclo de encontros e comemorações, é essencial vivenciar esse momento de forma equilibrada para não comprometer o bem-estar diário.
A psicóloga orienta sobre a melhor maneira de lidar com o baque: "Ser forte não significa não sentir medo, frustração ou dor. Força psicológica tem mais relação com reconhecer as próprias emoções, processá-las e seguir em frente com clareza".
Críticas nas redes sociais
O cenário pós-eliminação também acende um alerta sobre a crueldade das redes sociais, onde os atletas frequentemente se tornam alvo de duras críticas e são reduzidos unicamente ao placar da partida. Diante dessa pressão esmagadora, o cuidado com a mente se mostra indispensável.
"Performance sem cuidado cobra um preço alto. Todo mundo entende que um músculo lesionado precisa de tratamento. Precisamos normalizar a ideia de que a mente também se sobrecarrega e precisa de cuidado", observa Paiva.
Aos poucos, o tabu em torno do acompanhamento psicológico vem sendo quebrado por grandes nomes do esporte, como Neymar, que demonstram como as vulnerabilidades humanas afetam até mesmo a elite do alto rendimento. A preparação mental precisa ser encarada com a mesma seriedade que a física.
Sobre o papel desse suporte profissional, a especialista pontua: "A psicologia não ensina ninguém a vencer, mas reduz interferências emocionais e cognitivas que comprometem o desempenho. Em esportes de alto rendimento, muitas vezes o diferencial está justamente na capacidade de manter confiança, clareza e estabilidade emocional sob pressão".
No fim das contas, um tropeço em campo não apaga a extensa e árdua trajetória construída pelos jogadores.
Pedir ajuda não diminui a força de ninguém, pelo contrário, ajuda a sustentar uma carreira mais longa. E é importante lembrar que, antes de serem ídolos, os jogadores são seres humanos. Nenhuma vitória vale a perda de si mesmo", conclui a psicóloga.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.