Busca por planos de saúde digitais cresce entre o público 60+
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São Paulo - A busca por planos de saúde digitais cresce entre brasileiros mais velhos e começa a redesenhar a forma de contratação no setor privado. Dados recentes indicam que a digitalização, antes concentrada entre os mais jovens, ganha espaço também na chamada população 60+, em meio ao envelhecimento acelerado do País.
Atualmente, o Brasil soma cerca de 53,3 milhões de beneficiários de planos médico-hospitalares, o equivalente a aproximadamente 25% da população. Dentro desse universo, 7,9 milhões têm mais de 60 anos, o que representa 15,4% da base. Nesse contexto, plataformas digitais de comparação e contratação de planos começam a ganhar protagonismo.
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Levantamento do marketplace Click Planos aponta que 12,4% das cotações realizadas incluem ao menos um beneficiário acima de 50 anos, sinalizando a entrada desse público em canais online.
A mudança aproxima o processo de escolha de um modelo mais transparente, semelhante ao de marketplaces de outros segmentos, afirma Fabrizio Gueratto, sócio e fundador da plataforma:
Os idosos de hoje estão muito mais conectados e informados. Eles pesquisam, comparam alternativas e buscam entender qual plano realmente atende às suas necessidades antes de contratar. A internet trouxe mais autonomia para esse público."
Historicamente marcado por vendas mediada por corretoras e pouca clareza na comparação entre ofertas, o mercado de saúde suplementar passa por transformação, observa Gueratto. Ele pontua que as ferramentas digitais de contratação reúnem dados sobre cobertura, rede credenciada, carências e preços em um único ambiente, permitindo decisões mais informadas.
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A tendência, segundo especialistas, deve se intensificar com o avanço do envelhecimento populacional e da familiaridade digital. "Assim como em outros setores, o brasileiro passou a querer comparar antes de decidir. No caso dos planos de saúde, isso é ainda mais relevante, porque envolve custo e segurança no longo prazo", diz.
Apesar da maior autonomia, o custo segue como um dos principais entraves para os idosos. A mensalidade de um plano pode ser até 500% maior do que a cobrada de um jovem de até 18 anos, explica Gueratto.
A diferença é prevista pela regulamentação: a Resolução Normativa nº 63 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) permite que o valor da última faixa etária, a partir de 59 anos, chegue a até seis vezes o da primeira, concentrando os maiores reajustes nessa transição.
Planos empresariais
Nos planos coletivos empresariais, que concentram cerca de 75% dos usuários no País, a digitalização também ganha espaço. Ferramentas como hospitais digitais e serviços de triagem online prometem reduzir custos e racionalizar o uso da rede assistencial.
Plataformas desse tipo funcionam como uma porta de entrada virtual, orientando o paciente sobre a necessidade de atendimento presencial e indicando opções dentro da cobertura do plano.
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Segundo Gabriel Garcez, vice-presidente de saúde da Conexa, o modelo contribui para um uso mais eficiente dos recursos. "Os atendimentos digitais da Conexa geram, em média, 0,27 exames por paciente, contra 4,16 no modelo tradicional", afirma.
De acordo com o executivo, estudos apontam que até 85% das especialidades médicas podem ser atendidas remotamente. A proposta, diz, é atuar como um "mentor de saúde", auxiliando o paciente na tomada de decisão e organizando seu histórico clínico.
"O serviço oferece um prontuário personalizado e ajuda a encontrar atendimento dentro da rede, evitando custos desnecessários para o usuário e para as empresas", completa.
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