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Por que homens no Brasil vivem 6,6 anos menos que mulheres e como mudar isso

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Cuidar da saúde antes dos sintomas pode acrescentar anos de vida aos homens - Adobe Stock
Cuidar da saúde antes dos sintomas pode acrescentar anos de vida aos homens
Por Redação Viva

04/09/2026 | 19h30

São Paulo - A expectativa de vida dos brasileiros chegou a 76,6 anos em 2024, segundo os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o maior número da série histórica, iniciada em 1940. Quando os dados são separados por sexo, porém, a diferença chama atenção: a expectativa de vida é de 73,3 anos para os homens e de 79,9 anos para as mulheres. São 6,6 anos de diferença.

Parte desse cenário está relacionada à forma como os homens lidam com a própria saúde. Uma pesquisa organizada pelo Instituto de Longevidade MAG mostra que eles tendem a procurar menos os serviços de saúde e, em muitos casos, adiam consultas e exames até que algum sintoma se torne mais evidente.

Para Antônio Leitão, especialista em gerontologia do instituto, a diferença não pode ser explicada apenas por fatores biológicos.

A menor procura por prevenção, hábitos de vida, exposição a riscos e até a maneira como os homens são educados para lidar com a própria vulnerabilidade interferem diretamente na saúde”, afirma.

O estilo de vida também pesa

Doenças crônicas e fatores de risco estão entre os principais pontos de atenção quando o assunto é longevidade masculina. Hipertensão, obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada, tabagismo e consumo excessivo de álcool podem aumentar o risco de problemas cardiovasculares e outras doenças ao longo da vida.

O coração merece atenção especial. De acordo com o Ministério da Saúde, doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte no Brasil, o que reforça a importância de acompanhar fatores como pressão arterial, colesterol, peso e nível de atividade física.

A boa notícia é que muitos desses riscos podem ser reduzidos com mudanças simples à rotina. Para Leitão, cuidar da saúde não precisa significar uma transformação radical de uma hora para outra. Pequenas escolhas feitas de forma consistente podem ajudar a aumentar não apenas a expectativa de vida, mas também o tempo vivido com autonomia e qualidade.

6 atitudes que podem ajudar os homens a viver mais e melhor

1. Pratique atividade física regularmente

Não é preciso começar com treinos intensos. Caminhadas, musculação, bicicleta e outras atividades que façam sentido para a rotina já ajudam a combater o sedentarismo e a preservar força, mobilidade e saúde cardiovascular.

2. Cuide da alimentação

Uma alimentação variada, com maior presença de frutas, verduras, legumes, grãos e proteínas de boa qualidade, contribui para o controle do peso e de fatores como pressão arterial, colesterol e glicemia.

3. Dê atenção ao sono

Dormir bem faz parte dos cuidados com a saúde. Manter horários regulares e criar uma rotina que favoreça um sono adequado pode ajudar no funcionamento do organismo e no bem-estar ao longo do dia.

4. Modere o consumo de álcool

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas está associado a diversos problemas de saúde. Reduzir a frequência e a quantidade consumida é uma forma de diminuir riscos.

5. Pare de fumar o quanto antes

Quanto mais cedo o tabagismo é interrompido, maiores são os benefícios para a saúde. Parar de fumar reduz progressivamente os riscos associados a doenças cardiovasculares, respiratórias e vários tipos de câncer.

6. Não espere um sintoma aparecer para procurar o médico

A prevenção permite identificar alterações antes que elas se transformem em problemas maiores. Manter consultas e exames de rotina em dia, de acordo com a idade e as necessidades individuais, é uma das formas mais importantes de acompanhar a saúde.

Desafio cultural

A relação com os serviços de saúde ajuda a entender parte dessa diferença. Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), realizada em 2023 com 1.500 homens com mais de 40 anos de todas as regiões do País, mostrou que 46% dos entrevistados procuram ajuda médica apenas quando sentem algum sintoma. Entre os que utilizam exclusivamente o SUS, o porcentual chega a 58%.

Esse comportamento pode estar relacionado também a questões culturais. A ideia de que o homem precisa demonstrar força, independência e capacidade de resolver os próprios problemas pode fazer com que sinais de vulnerabilidade sejam ignorados ou que a busca por ajuda seja adiada.

Para Leitão, mudar essa relação com o cuidado é fundamental. Procurar atendimento, fazer exames e falar sobre o que está sentindo não significa fraqueza. É uma forma de responsabilidade consigo mesmo e também com as pessoas que fazem parte da sua vida.

Outro fator importante aparece nas estatísticas de mortalidade. Segundo o IBGE, a chamada sobremortalidade masculina é influenciada pela maior ocorrência de mortes por causas externas ou não naturais, como homicídios, suicídios e acidentes de trânsito. O impacto é especialmente significativo entre os homens mais jovens.

A diferença aparece desde cedo. Aos 20 anos, um homem tem 4,1 vezes mais chance de não chegar aos 25 anos do que uma mulher da mesma idade.

O cuidado começa muito antes da velhice

Falar em longevidade não significa esperar chegar aos 60 ou 70 anos para começar a cuidar da saúde. As escolhas feitas ao longo da vida podem influenciar a capacidade funcional, a autonomia e a qualidade de vida durante o envelhecimento.

Quanto mais cedo esse cuidado começa, maiores são as possibilidades de preservar funcionalidade e autonomia no futuro”, afirma Leitão.

Por isso, cuidar da saúde hoje é também uma maneira de proteger o futuro. A ideia não é apenas viver mais anos, mas chegar às fases mais avançadas da vida com independência, disposição e qualidade de vida.

(Por Matheus Konzen, especial para o VIVA)

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