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Entenda o que é acatisia, a reação a medicamentos que afetou Monica Iozzi

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A atriz e apresentadora Monica Iozzi foi diagnosticada com acatisia - Reprodução/Instagram
A atriz e apresentadora Monica Iozzi foi diagnosticada com acatisia
Por Alexandre Barreto

03/03/2026 | 17h32

São Paulo, 03/03/2026 - A atriz e apresentadora Monica Iozzi, 44, chamou a atenção nas redes sociais após se emocionar ao explicar o motivo de ter desistido do quadro Batalha do Lip Sync, do Domingão do Huck. No vídeo publicado em seu perfil, ela contou que precisou se afastar por questões de saúde.

Iozzi foi diagnosticada com acatisia, uma síndrome neuropsiquiátrica caracterizada por inquietação constante, muitas vezes ligada ao uso de medicamentos como antipsicóticos, antidepressivos e antieméticos.

Esse transtorno provoca a necessidade de movimento contínuo e a incapacidade de ficar parado. Até agora, não foi informado qual medicamento causou essa reação na apresentadora.

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O que é acatisia

Segundo o neurologista Edson Issamu, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, a acatisia é uma manifestação clínica em que a pessoa experimenta uma sensação incontrolável de inquietação e uma necessidade persistente de se movimentar.

O médico explica que o problema afeta o sistema nervoso central, alterando o equilíbrio da bioquímica cerebral. “É geralmente causada por mudanças nas doses de medicações que agem na dopamina, substância responsável pelo controle de movimentos automáticos”, detalha.

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Principais causas e quem tem mais risco

Issamu afirma que a acatisia costuma surgir quando há bloqueio dos receptores de dopamina, especialmente após aumento de dose de certos remédios.

Os mais conhecidos são os antipsicóticos, como haloperidol, clorpromazina e levomepromazina, mas também pode acontecer com medicamentos usados para enjoo, como bromoprida, plasil e domperidona”, explica.

Pacientes que utilizam medicamentos antipsicóticos de forma contínua possuem mais risco, especialmente aqueles com transtornos psiquiátricos. “Também há maior risco entre pessoas com demência, doença de Parkinson ou algumas anemias que exigem tratamento medicamentoso”, diz o neurologista.

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Ele acrescenta que a acatisia “não é muito comum entre mulheres acima dos 40 anos”. O fator de risco mais relevante é a presença de doenças neurológicas prévias.

Um estudo publicado em 2024 na revista científica Research, Society and Development (RSD) revelou que crianças, adolescentes e jovens adultos têm maior probabilidade de desenvolver acatisia devido a medicamentos, em comparação com adultos mais velhos.

A pesquisa também apontou que a acatisia é comum entre pessoas que usam esses medicamentos por longos períodos ou em doses altas, o que pode incluir adultos de meia-idade e idosos.

Sintomas e diferenças para outras reações

O principal sintoma é a incapacidade de ficar parado, acompanhada de ansiedade e sensação de agitação constante. É comum que a pessoa ande de um lado para o outro, tenha ansiedade, angústia mental e a sensação de “formigas nas calças”.

Segundo Issamu, é importante diferenciar a acatisia de outros distúrbios de movimento involuntários. “A distonia, por exemplo, causa contrações musculares fixas e involuntárias. Já a acatisia é mais comportamental, uma sensação interna de movimento contínuo”, afirma.

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O que fazer nesse caso

O neurologista orienta que o tratamento deve ser feito com acompanhamento médico. “As melhores práticas são evitar automedicação e não alterar doses por conta própria. Qualquer ajuste precisa ser discutido com o médico responsável”, alerta.

Edson ainda destaca que a acatisia não é amplamente conhecida no varejo, e as pessoas podem aumentar as doses de medicações, especialmente psicotrópicos, de forma espontânea ou deliberada, o que pode causar o quadro que aconteceu com Monica Iozzi.

“Uma das melhores práticas é não alterar a dose das medicações e sempre discutir isso com o seu médico. Pacientes que têm mais vulnerabilidade, como os com demência ou Parkinson, devem também discutir com o seu médico o aumento de doses ou a troca de medicações para evitar essas situações de acatisia”, finaliza.

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