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Qual a diferença entre hepatite A, B e C? Veja sintomas, vacinas e tratamento

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As hepatites são causadas por microorganismos que têm uma predileção específica por infectar as células do fígado - Adobe Stock
As hepatites são causadas por microorganismos que têm uma predileção específica por infectar as células do fígado
Por Emanuele Almeida

17/07/2026 | 14h15

São Paulo - As hepatites virais representam ainda um desafio para a saúde brasileira e são doenças que se mantêm pouco entendidas pela população. Segundo o Boletim Epidemiológico elaborado pelo Ministério da Saúde, no período de 2000 a 2024, foram identificados no Brasil 49,9 mil óbitos por causas básicas e 45,9 óbitos por causas associadas às hepatites virais (tipos A, B, C e D).

O que é a hepatite?

O termo "hepatite" significa, de forma simples, a inflamação do fígado. A coordenadora da comissão de hepatites virais da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), Adalgisa Ferreira destaca que, quando falamos de hepatites virais, referimo-nos às infecções causadas por vírus "hepatotrópicos" (A, B, C, D e E), ou seja, microorganismos que têm uma predileção específica por infectar as células do fígado. 

Quais são os tipos de hepatites virais e seus tratamentos?

No Brasil, os tipos mais comuns são as hepatites A, B e C, embora os tipos D e E também existam. Cada vírus possui características, formas de transmissão e tratamentos diferentes:

1. Hepatite A

É um vírus de DNA transmitido pela via fecal-oral, geralmente através de água e alimentos contaminados. Segundo a especialista, a hepatite A costuma ser comum na infância, onde muitas vezes não apresenta sintomas e gera imunidade para a vida toda.

A infecção costuma ser totalmente assintomática, especialmente quando contraída na infância. Quando há sintomas, o paciente pode apresentar episódios leves de enjoo e náuseas. 

Como a hepatite A é uma doença aguda e autolimitada, o próprio corpo costuma combater e eliminar o vírus, não se tornando crônica. Contudo, a especialista alerta para um fenômeno moderno: pessoas que contaram a vida toda com acesso a saneamento básico e higiene de qualidade podem nunca ter entrado em contato com o vírus. Se essas pessoas forem infectadas na vida adulta, correm o risco de desenvolver uma inflamação intensa e grave, conhecida como hepatite fulminante, que pode exigir um transplante de fígado.

2. Hepatite B

A coordenadora da SBH aponta que a hepatite B deriva de um vírus de DNA mais complexo, transmitido pelo contato com sangue contaminado, relações sexuais desprotegidas, sendo categorizada como uma Infecção Sexualmente Transmissível ( IST).A doença também pode ser transmitida de mãe para filho durante o parto.

A hepatite B pode se desenvolver de duas formas: aguda e crônica. A primeira é quando a infecção tem curta duração; quando se desenvolve para a forma crônica, ela dura mais de seis meses.

A hepatite B também se manifesta de forma silenciosa, mas nos casos agudos, a pessoa pode apresentar:

  • Fadiga;
  • Dor abdominal;
  • Icterícia (pele amarelada). 

Nos casos mais graves, o paciente apresenta:

  • Barriga d'água;
  • Fraqueza severa;
  • Sangramentos na gengiva ou digestivos. 

A maioria dos adultos saudáveis que contraem o vírus B consegue eliminá-lo espontaneamente. Porém, quando se torna uma doença crônica, há tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) através do uso de medicamentos antivirais seguros e sem efeitos colaterais severos que conseguem controlar a replicação do vírus, impedindo o avanço da doença, de forma semelhante ao tratamento do HIV.

3. Hepatite C

É um vírus de RNA com alta capacidade de mutação, transmitido principalmente pelo sangue e por via sexual, com presença de sangramento. Ferreira destaca que a característica mutável desse tipo da doença torna muito difícil a criação de uma vacina. 

A hepatite C na fase aguda apresenta sintomas semelhantes à hepatite B. Mas nos casos graves, o paciente pode ter:

  • Cansaço crônico debilitante;
  • Perda de peso inexplicável;
  • Inchaço nas pernas e abdômen;
  • Confusão mental.

O tratamento atual no SUS é feito com comprimidos antivirais diários por poucos meses, oferecendo a cura sem graves efeitos colaterais. 

Hepatite D e E

A hepatite D É um vírus incompleto que só sobrevive no organismo se o vírus da hepatite B também estiver presente. Porém, quando instauradao, o vírus agrava muito os sintomas do paciente com hepatite B, acelerando a progressão para cirrose.  O tratamento é complexo e envolve diversos medicamentos para controlar o vírus da hepatite B. 

Já a hepatite E é menos frequente no Brasil, possui transmissão similar à hepatite A; também assintomática na maioria dos casos, porém, se o paciente vier a apresentar algum sintoma, ele pode ter: enjoo, febre e fadiga.

Ela costuma ser uma infecção passageira que se resolve sozinha apenas com repouso, hidratação e corte de álcool; no entanto, em casos graves ou em pessoas com o sistema imunológico muito enfraquecido, os médicos utilizam medicamentos para ajudar o corpo a eliminar o vírus.

Quais vacinas estão disponíveis?

A vacinação é a ferramenta de prevenção mais eficaz, mas o cenário varia conforme o tipo do vírus:

  • Vacina contra a hepatite A: para crianças, faz parte do calendário infantil do SUS. Para os adultos e a população 50+, a disponibilidade no SUS é restrita aos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIEs), atendendo apenas grupos com condições específicas de saúde, como imunodeprimidos ou pessoas com doenças hepáticas crônicas. Contudo, os adultos saudáveis podem encontrar a vacina na rede privada, disponível em doses isoladas (2 doses) ou combinada com a da hepatite B (3 doses).
  • Vacina contra a hepatite B: é um direito universal. A vacina está disponível de forma gratuita para toda a população, de recém-nascidos a idosos, em qualquer posto de saúde do Brasil em um esquema de 3 doses para adultos. Além disso, a vacinação contra a hepatite B é a única forma de se proteger contra a hepatite D, já que o vírus D necessita do B para existir.
  • Vacina contra a hepatite C: não existe vacina disponível. Como o vírus é um RNA de rápida mutação estrutural, os anticorpos gerados pelo organismo ou por imunizantes não conseguem neutralizá-lo. Por isso, a prevenção depende do uso de preservativos, higiene adequada e rigor na esterilização de materiais cortantes.

Importância da testagem

Como muitas pessoas não sabem que carregam o vírus, o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde recomendam que todos os adultos façam o teste pelo menos uma vez na vida.

Em qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS) do Brasil, é possível solicitar testes rápidos gratuitos que identificam, com apenas algumas gotas de sangue, as hepatites B e C, além de HIV e sífilis. Identificar a doença precocemente permite o tratamento adequado, evitando o avanço para cirrose ou câncer hepático, e garantindo saúde e qualidade de vida. 

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