Saúde bucal dos idosos: conheça cuidados essenciais e sinais de alerta
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São Paulo - Perder dentes não é consequência direta do envelhecimento. Ao contrário da crença comum, o que muda com a idade são as condições da boca, sobretudo em razão do uso contínuo de medicamentos. Doenças crônicas, próteses, implantes e dificuldades de higiene também podem deixar a gengiva mais vulnerável.
A boca seca é uma queixa comum entre pessoas mais velhas. Nesse grupo, a ocorrência costuma estar relacionada a medicamentos de uso contínuo, além de desidratação e condições de saúde. Nesses casos, a saliva não serve apenas para umedecer a boca, mas também para controlar bactérias, proteger a mucosa e contribuir com a defesa contra cáries e infecções.
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Substâncias como anti-hipertensivos, antidepressivos, diuréticos, anti-histamínicos e outros medicamentos frequentemente podem ter a boca seca como efeito colateral. O problema é que muitos pacientes não associam a sensação de ressecamento aos remédios que utilizam no dia a dia.
“A verdade é que, assim como tudo na saúde, a boca também precisa de mais cuidados com o envelhecimento. A doença periodontal é decorrente da inflamação, sendo um processo natural com o envelhecimento”, explica a periodontista Cristina Miura ao VIVA.
“Existe um termo médico chamado ‘inflammaging’, que é a inflamação que acontece naturalmente com o envelhecimento. Esta inflamação na gengiva está frequentemente associada a perdas ósseas, que podem levar a perdas dentárias”, afirma.
A boca e o corpo envelhecem juntos. Com isso, mudanças na imunidade, dificuldades motoras, alterações na mastigação e redução na frequência de consultas podem afetar o cuidado diário. Doenças crônicas comuns entre os mais velhos também podem interferir na qualidade da saúde bucal. Um exemplo é o diabetes, que dificulta o controle de inflamações e deixa a gengiva ao redor dos dentes mais sensível.
Outras doenças, como a osteoporose, também merecem atenção quando o assunto é a saúde bucal, já que a perda de densidade óssea pode ser associada à maior vulnerabilidade do osso que sustenta os dentes, sobretudo quando há periodontite — infecção que destrói os tecidos, ligamentos e ossos de sustentação dos dentes — não controlada.
Sinais de alerta
Entre pacientes idosos, a sensação de que os dentes estão cada vez mais longos pode ser um ponto de atenção, já que isso pode acontecer quando a gengiva parece ter diminuído e deixa a parte da raiz mais exposta. Esse quadro é conhecido como retração gengival.
“O passar dos anos faz com que as gengivas se retratem fisiologicamente, como um processo natural da vida. Isso faz com que a superfície da raiz fique exposta. Raízes expostas têm grande propensão a cáries”, aponta Miura.
Segundo a periodontista, aqui surge um conjunto de fatores: “Inúmeros medicamentos fazem com que o fluxo de saliva diminua. A lavagem dos dentes naturais também diminui e as toxinas bacterianas se concentram, aumentando a chance de cárie. Só que agora na raiz, onde as cáries acontecem muito rapidamente”.
Miura alerta que “a cárie de raiz é tão veloz que, se o idoso não estiver sob acompanhamento odontológico preventivo constante, esse dente pode estar irreversivelmente perdido”.
Também acontece a natural diminuição da capacidade digestiva, que faz com que a preferência seja por alimentos mais macios ou pastosos, preferência alimentar que predispõe às cáries. “É importantíssimo que o cuidado bucal esteja na lista dos cuidados de saúde”, afirma.
Outro ponto que merece atenção são sangramentos ao escovar os dentes ou ao usar fio dental. Em qualquer idade, sangramento gengival pode indicar inflamação, mas, em pessoas idosas, também pode ser um sinal de gengivite ou periodontite. Além disso, sensibilidade próxima à gengiva, dificuldade para mastigar e sensação dos dentes menos firmes podem indicar a raiz mais exposta e o comprometimento do suporte ao redor dos dentes.
Próteses e implantes também precisam de acompanhamento. Um erro comum entre os pacientes é acreditar que, sem dentes naturais, o tratamento odontológico não é necessário, mas a realidade é que o cuidado também é essencial entre pacientes com prótese total ou parcial.
“Pessoas idosas precisam de retornos mais frequentes. A cada três meses, aproximadamente. Esse retorno precisa ser mais próximo pela perda da habilidade manual, para o monitoramento de risco de cárie e intervenção muito precoce de cárie de raiz logo no início”, recomenda o periodontista e odontogeriatra Rafael Chatti.
“Com o envelhecimento, a polpa do dente que confere sensibilidade vai perdendo a sua função e um dente cariado pode não apresentar dor. Numa doença silenciosa, a cárie pode destruir rapidamente um dente numa questão de meses. Se esse dente for pilar de prótese, muitos outros podem ser perdidos e, repentinamente, uma capacidade mastigatória ruim se torna péssima ou insuficiente para função mastigatória”, acrescenta.
Para garantir uma boa saúde bucal, o profissional primeiro aconselha “tirar da cabeça que um dente não vai fazer falta”. “Todo dente é importante e ele merece ser cuidado, mantido e reposto caso tenha sido perdido. A presença de dentes permite a mastigação perfeita. É importante que esses dentes estejam sendo mantidos sem inflamação, porque a inflamação da gengiva se dissemina pelo corpo, piorando problemas do coração e diabetes, por exemplo”, explica.
“O uso de pastas fluoretadas e o retorno frequente ao dentista, de forma que o cuidado preventivo, mais simples, mais barato, seja a arma mais importante na manutenção dos dentes durante a velhice. Idoso que se alimenta bem, com perfeita função mastigatória, vai garantir a saúde geral”, reforça.
(Por Francielly Barbosa)
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