Queda de cabelo: Quando a perda de fios é um sinal de alerta?
Banco de Imagens / Freepik
São Paulo, 24/02/2026 - A queda de fios de cabelo é uma preocupação comum que pode ser parte do ciclo natural do corpo ou um sinal de um problema que exige tratamento. Especialistas alertam que o importante é observar mudanças no próprio padrão capilar como no volume da queda, fios espalhados pela casa e afinamento progressivo.
Leia também: O que é tireoide e quais os sintomas de alteração
Para entender onde termina o ciclo natural do corpo e onde começa uma patologia, o VIVA conversou com os médicos Allan Wells, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Capilar (SBCC), e Rebecca Atman, dermatologista e tricologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira do Cabelo (SBC).
Há um senso comum baseado em uma vertente médica que definiu que cada pessoa perde cerca de 100 fios de cabelo por dia dentre os milhares no couro cabelo. No entanto, Atman considera uma visão individualizada.
Vai depender muito de quanto fio de cabelo tem nessa cabeça. Para aqueles que têm geneticamente o cabelo mais fininho, 100 fios por dia pode significar muita coisa. O melhor para você observar se o seu cabelo está caindo normalmente ou não, é seguir o seu padrão de rotina", explica a médica.
Quando procurar um médico?
- Fios espalhados pela casa
A percepção visual no dia a dia é o primeiro termômetro. Segundo Atman, a queda se torna um sinal de alerta quando os fios começam a sujar o chão da casa ou ficam no travesseiro ao acordar.
"Quando um simples passar a mão já solta aquele fio com muita facilidade, isso quer dizer que o seu fio não está mais fixando ali no bulbo capilar da maneira que deveria", alerta.
Wells menciona o volume da queda de cabelo no travesseiro e no chuveiro: “Mais de 30 fios de uma vez só, talvez seja um sinal de alerta e você precisa visitar o seu médico tricologista".
Leia também: Nem tudo é hereditário: veja 3 motivos surpreendentes por trás da calvície
- Genética ou doenças inflamatórias
Rebecca Atman pontua que o olhar médico deve ser "de dentro para fora". Identificar se a queda é apenas genética ou se há um fator colaborativo (como uma deficiência vitamínica, por exemplo) é o que define o sucesso do tratamento e a manutenção da autonomia do paciente sobre sua imagem.
As duas principais causas de queda capilar por doença são:
- Eflúvio Telógeno Agudo: Queda intensa que ocorre após quadros infecciosos, cirurgias ou estresse emocional forte. Geralmente é limitado e tende a parar sozinho após o corpo se recuperar do trauma.
- Alopecia Androgenética (Calvície): A causa mais comum, de origem genética. Embora seja mais frequente em homens, a calvície feminina tem sido cada vez mais comum nos consultórios.
A principal preocupação nos consultórios é a calvíce, a alopecia androgenética, causada por uma mistura de hormônios com a genética positiva, como define Wells. Nesse caso, a calvície hereditária não tem cura, já que é uma condição genética e crônica. Mas existe tratamento que permite controlar a progressão, aumentar a densidade capilar e estimular o crescimento de novos fios.
Leia também: Assumiu os grisalhos? Veja como ajustar suas cores e brilhar ainda mais
Também existem doenças inflamatórias que também precisam de diagnósticos e tratamentos específicos. O médico alerta para sintomas além da queda de cabelo:
- Descamação,
- Dor no couro cabeludo,
- Vermelhidões,
- Região da cabeça sem cabelo
Diagnóstico e prevenção
A prevenção passa pelo diagnóstico precoce.
Nós sabemos que você pode perder 20% dos cabelos sem perceber. Então, quando percebe, já é tempo de ir ao médico tricologista", diz Wells.
Segundo os médicos, é preocupante o diagnóstico em pacientes cada vez mais jovens, na faixa dos 18 aos 20 anos. O acompanhamento precoce é vital para evitar que o quadro evolua para graus máximos de calvície, onde nem o transplante capilar é mais indicado.
O exame clínico e a tricoscopia (análise com lente de aumento) resolvem a maioria dos casos. Em situações complexas, pode haver a necessidade de uma biópsia capilar para análise patológica.
Leia também: NR1: mudança na norma trabalhista busca melhorar saúde mental nas empresas
Estilo de vida
Embora a genética não possa ser alterada, o estilo de vida pode retardar significativamente o aparecimento da calvície e evitar quedas acentuadas. Os especialistas concordam que o cabelo reflete a saúde interna.
Atman destaca que o organismo prioriza órgãos vitais em detrimento dos fios.
Do ponto de vista do organismo, a gente não precisa do cabelo para viver, a gente precisa dos nossos órgãos vitais. Então, todo aquela nutriente, aquela energia que está sendo poupada, vai ser direcionada para esses órgãos e vai faltar para o cabelo", afirma.
Ela ressalta a importância de uma dieta rica em proteínas e minerais, e o controle do estresse: "atividades físicas e que te dão prazer fazem o equilíbrio hormonal do organismo e isso tende a deixar o corpo mais relaxado e com menos liberação de radicais livres".
Wells também cita hábitos de higiene ajudam na saúde capilar, como:
- Mantenha o couro cabeludo limpo: lave a cabeça regularmente com shampoo apropriado;
- Não durma com o cabelo molhado: Isso favorece a dermatite seborreica, que piora a queda;
- Evite penteados muito apertados: Rabos de cavalo e tranças com muita força podem causar alopecia de tração;
- Exames de rotina: Toda queda deve ser rastreada com exames de sangue para checar hormônios, ferritina (anemia), vitaminas e minerais.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.
