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Por Beatriz Duranzi
redacao@viva.com.brDiminuir em apenas 20% o consumo de bebidas alcoólicas já seria suficiente para salvar 10,4 mil vidas por ano no Brasil, o equivalente a uma vida preservada a cada hora.
A conclusão faz parte de um estudo conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Vital Strategies e a ACT Promoção da Saúde.
Além da redução de mortes, a queda no consumo também teria reflexo direto na economia: seriam R$ 2,1 bilhões poupados anualmente em produtividade, já que boa parte das vítimas do alcoolismo está em idade ativa no mercado de trabalho.
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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o álcool é um dos principais fatores de risco para doenças crônicas, como câncer, cirrose e problemas cardiovasculares. Em 2019, ele esteve relacionado a 2,6 milhões de mortes em todo o mundo.
No Brasil, apenas naquele ano, mais de 102 mil pessoas morreram por causas relacionadas ao consumo de álcool, ou aproximadamente 12 mortes por hora.
O impacto financeiro também é expressivo: as perdas com produtividade chegam a R$ 20,6 bilhões por ano, sem contar os custos diretos ao Sistema Único de Saúde (SUS), que superam R$ 1 bilhão anualmente com internações e tratamentos.
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O consumo abusivo pode evoluir para alcoolismo, uma doença crônica que afeta não apenas o organismo, mas também a vida social e familiar dos indivíduos.
A dependência, muitas vezes silenciosa, aumenta os riscos de acidentes, violência e abandono de tratamentos médicos.
Nesse cenário, o Alcoólicos Anônimos (AA) tem papel fundamental. O grupo, presente em centenas de cidades brasileiras, oferece apoio gratuito a pessoas que enfrentam dificuldades com o consumo de álcool.
Além dos encontros presenciais, o AA também promove reuniões virtuais, permitindo que qualquer pessoa participe de forma prática e sigilosa, de onde estiver. Os horários e links de acesso estão disponíveis no site oficial da instituição: aa.org.br/virtual.
A metodologia de ajuda mútua já auxiliou milhões de indivíduos ao redor do mundo a recuperar a saúde e reconstruir vínculos pessoais e profissionais.
Os autores do estudo defendem que, para reduzir de forma consistente os danos causados pelo álcool, é preciso adotar políticas públicas eficazes, como aumento da taxação sobre bebidas alcoólicas, maior fiscalização da publicidade e campanhas educativas.
A OMS lançou em 2025 a iniciativa “3 por 35”, que propõe que os países aumentem em 50% os impostos sobre álcool, tabaco e bebidas açucaradas nos próximos dez anos.
O objetivo é reduzir o impacto dessas substâncias no surgimento de doenças não transmissíveis, principais responsáveis por mortes precoces no mundo.
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A redução do consumo de álcool vai além da preservação da vida: representa também menos internações, mais qualidade de vida, famílias menos afetadas e uma economia mais saudável.
Para especialistas, o Brasil vive um momento decisivo para fortalecer políticas públicas e, ao mesmo tempo, ampliar a conscientização da população.
Buscar apoio em grupos como o AA e adotar hábitos de vida mais equilibrados são caminhos essenciais não apenas para quem já enfrenta problemas com o álcool, mas também para toda a sociedade que sente os reflexos do consumo excessivo.
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