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Cirurgias relacionadas ao ovário crescem 46% no SUS após queda na pandemia

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Os procedimentos cirúrgicos envolvendo o ovário atingiram 33.135 intervenções no período - Freepik
Os procedimentos cirúrgicos envolvendo o ovário atingiram 33.135 intervenções no período
Por Bianca Bibiano

11/05/2026 | 15h33

São Paulo - Um levantamento divulgado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) aponta que os procedimentos cirúrgicos envolvendo o ovário cresceram 46,3% entre 2020 e 2024, passando de 22.645 para 33.135 intervenções, o maior volume registrado na série analisada.

Os dados são do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/DATASUS). Incluem procedimentos como ooforectomias (remoção cirúrgica de um ou ambos os ovários), laparotomias )cirurgia que envolve uma incisão significativa na parede abdominal para acessar, examinar e tratar órgãos internos) para avaliação de tumores ovarianos, laparotomias exploradoras oncológicas e cirurgias videolaparoscópicas relacionadas ao ovário.

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Antes da pandemia, o sistema havia registrado 30.415 procedimentos em 2019. Com a chegada da covid-19 e o impacto sobre a assistência hospitalar, houve queda importante em 2020, quando o número caiu para 22.645 procedimentos.

A partir daí, observou-se recuperação gradual nos anos seguintes, até alcançar o pico em 2024, com 33.135 registros. 

De acordo com o cirurgião oncológico Juliano Rodrigues da Cunha, diretor de comunicação SBCO, os números refletem, principalmente, o impacto do represamento assistencial provocado pela pandemia e a retomada progressiva do cuidado especializado. 

“Durante a pandemia, houve adiamento de consultas, exames diagnósticos e procedimentos cirúrgicos em diferentes áreas da saúde. No caso dos tumores ginecológicos, isso teve um impacto importante, porque muitas pacientes deixaram de procurar atendimento diante de sintomas que já costumam ser inespecíficos e facilmente negligenciados”, afirma.

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Segundo o especialista, os dados não permitem concluir, isoladamente, que houve aumento da incidência de câncer de ovário no período. Ainda assim, a curva observada reforça a importância de discutir acesso ao diagnóstico, investigação precoce e encaminhamento adequado para centros especializados. 

Haver mais procedimentos não significa necessariamente aumento do número de casos de câncer. O que os dados mostram, de forma bastante consistente, é uma recuperação do fluxo assistencial após uma queda importante durante a pandemia”, explica.

Câncer de ovário

Considerado um doença ginecológica silenciosa, o câncer de ovário costuma apresentar sintomas vagos, muitas vezes confundidos com problemas digestivos ou alterações hormonais da menopausa. 

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar mais de 8.000 novos casos anuais da doença no triênio 2026-2028.

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“Um dos grandes desafios do câncer de ovário é que os sintomas costumam aparecer de forma silenciosa e pouco específica. Muitas mulheres passam meses tratando desconfortos digestivos ou abdominais sem imaginar que pode haver um tumor ginecológico associado. Por isso, sintomas persistentes precisam ser investigados”, ressalta Cunha.

A doença pode ocorrer em diferentes fases da vida, sendo mais frequente em mulheres após a menopausa, especialmente a partir dos 50 anos.

Dados do Observatório de Oncologia apontam que a faixa etária de 50 a 59 anos concentra 30,3% dos casos analisados, enquanto 47,5% das mulheres diagnosticadas tinham mais de 60 anos.

Pontos de atenção

  • Inchaço abdominal persistente.
  • Dor na região pélvica ou abdominal.
  • Sensação de saciedade rápida ao comer.
  • Alterações intestinais.
  • Necessidade frequente de urinar.
  • Cansaço excessivo.
  • Perda de peso sem causa aparente.
  • Desconforto contínuo na barriga.

Cuidados e prevenção

  • Manter acompanhamento ginecológico regular.
  • Observar sintomas persistentes e procurar avaliação médica.
  • Conhecer o histórico familiar de câncer.
  • Manter hábitos saudáveis, com alimentação equilibrada e atividade física.
  • Evitar o tabagismo.
  • Não ignorar sinais considerados “comuns”, especialmente quando frequentes.

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