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Tomar hormônios é seguro na menopausa? Confira estudos internacionais

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Um dos estudos indicou ausência de aumento de risco com uso de terapia hormonal, mesmo prolongado - Freepik
Um dos estudos indicou ausência de aumento de risco com uso de terapia hormonal, mesmo prolongado
Por Bianca Bibiano

20/03/2026 | 09h24

São Paulo - Muitas mulheres são orientadas por seus médicos ginecologistas a fazer reposição hormonal na menopausa, até antes de oficialmente entrar nesse período. Mas vem a dúvida: é seguro para a saúde da mulher tomar hormônios? Duas pesquisas recentes, lançadas no final de 2025, demonstraram que a terapia hormonal não está associada a aumento da mortalidade geral e pode oferecer benefícios antes mesmo do fim da fase reprodutiva da mulher.

O primeiro estudo foi publicado no periódico científico The BMJ e acompanhou 876.805 mulheres por um tempo médio de 14,3 anos e concluiu que a terapia hormonal não está associada a aumento da mortalidade geral.

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A pesquisa utilizou registros nacionais da Dinamarca, acompanhando mulheres nascidas entre 1950 e 1977, desde os 45 anos de idade até julho de 2023. Entre elas, 11,9% utilizaram terapia hormonal sistêmica ao longo do seguimento. No total, foram registrados 47.594 óbitos durante o período analisado.

Após ajustes estatísticos rigorosos, incluindo idade, paridade, escolaridade, renda, comorbidades cardiovasculares e metabólicas, o estudo indicou ausência de aumento de risco e possível discreta redução da mortalidade.

Tempo de uso

O estudo dinamarquês também analisou o impacto da duração da terapia hormonal e concluiu que não houve aumento consistente do risco de morte mesmo com uso prolongado. No que diz respeito ao tipo de formulação, mulheres que utilizaram predominantemente formulações transdérmicas (adesivo ou gel) apresentaram risco significativamente menor de mortalidade.

Esse achado reforça a hipótese já discutida na literatura de que a via transdérmica pode ter menor impacto trombótico e metabólico quando comparada à via oral.

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Para o médico ginecologista Alexandre Rossi, responsável pelo ambulatório de ginecologia geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, os dados reforçam os benefícios, mas também a importância da individualização da conduta do tratamento.

A terapia hormonal deve ser indicada com base em evidência científica atualizada e na avaliação individual de cada paciente. Quando bem indicada, especialmente em mulheres recentemente menopausadas, sintomáticas e sem contraindicações, ela é uma ferramenta segura e eficaz para melhorar qualidade de vida.”

O especialista ressalta que o momento de início da terapia é relevante e que decisões devem considerar histórico cardiovascular, oncológico e perfil metabólico. Segundo ele, o estudo reforça recomendações internacionais que indicam a terapia hormonal para mulheres no início da menopausa com sintomas moderados a intensos, desde que não haja contraindicações.

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O segundo artigo destacando a vantagem da terapia hormonal em mulheres sem contraindicação aos hormônios externos foi publicado na revista científica Aging & Disease em 2025, que traz uma nova perspectiva sobre a perimenopausa e o papel da terapia hormonal na prática clínica.

O que é perimenopausa?

A perimenopausa é um período que antecede a última menstruação da mulher e pode começar a demonstrar sintomas anos antes. Por muito tempo, esse fase era encarada como uma transição reprodutiva ou como o início de sintomas incômodo. 

Atualmente, porém, parte da comunidade médica já considera esse período como uma fase biológica estratégica, capaz de determinar de forma significativa o processo de envelhecimento da mulher.

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O artigo destaca que a perimenopausa deve ser encarada como uma oportunidade de cuidado integral com a saúde. Isso significa que, além da terapia hormonal, quando realmente necessária e indicada por um médico, é fundamental integrar hábitos de vida saudáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, sono de qualidade e suplementação adequada.

Durante a perimenopausa, o corpo feminino passa por mudanças que vão muito além do ciclo menstrual. É nesse momento que os hormônios, especialmente o estrogênio, começam a cair de forma gradual, afetando diferentes áreas da saúde.

Prevenção dos sintomas

O artigo traz o conceito de geroproteção, que significa adotar medidas médicas capazes de proteger o organismo contra os efeitos do envelhecimento. Nesse sentido, a reposição hormonal, quando bem indicada e acompanhada por um médico, pode funcionar como uma espécie de “escudo” para o corpo, ponderam os autores.

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A ginecologista Ana Maria Passos, especialista em saúde da mulher 40+, reforça essa visão. “As diretrizes tradicionais ainda adotam um modelo reativo, focado na menopausa estabelecida e no alívio tardio dos sintomas. O artigo reforça a necessidade de repensar esse modelo e valorizar a perimenopausa como fase ativa de prevenção”. E completa:

A perimenopausa é uma janela biológica crítica e negligenciada, na qual se iniciam alterações metabólicas, inflamatórias, musculares, cardiovasculares e cognitivas que influenciam diretamente a forma como a mulher vai envelhecer. Esperar a menopausa para agir é, muitas vezes, perder tempo biológico.”

Segundo médica, quando bem indicada, a reposição hormonal não é apenas para tratar sintomas, mas pode atuar como estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, muscular e neurológica, "integrando uma abordagem de saúde e longevidade feminina e não uma solução estética ou ‘anti-aging’ superficial”, complementa. 

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