Maior concentração de alterações na tireoide ocorre entre 40 e 65 anos
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São Paulo - Neste 25 de maio é celebrado o Dia Mundial da Tireoide, uma data criada pela Federação Internacional de Tireoide para alertar a população sobre a importância dessa pequena glândula.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 750 milhões de pessoas no mundo convivem com alguma disfunção tireoidiana e cerca de 60% desconhecem o problema.
Uma análise divulgada pela Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI) mostrou que a maior concentração de diagnósticos de alterações na glândula tireoide ocorre em pessoas com idade entre 40 e 65, com aumento progressivo do volume de exames conforme a idade avança, atingindo o ápice próximo aos 60 anos.
A tireoide é uma glândula localizada na região anterior do pescoço e responsável pela produção de hormônios essenciais para o funcionamento do organismo. Entre as disfunções hormonais, o hipotireoidismo primário é a condição mais comum na prática clínica, geralmente associado a processos autoimunes, como a tireoidite de Hashimoto.
Sintomas de alterações na tireoide
- cansaço excessivo
- sonolência
- ganho ou perda de peso
- queda de cabelo
- palpitações
- alterações intestinais
- fadiga persistente
- desânimo
- insônia
- perda de foco
- tristeza
- alterações de humor
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De acordo com o médico Harley De Nicola, radiologista, ultrassonografista e especialista em tireoide da FIDI, dentre todas as alterações nessa área, "o hipotireoidismo é mais comum porque existe uma predisposição biológica, ou seja, quando ocorre alteração 'é mais fácil' a glândula perder a função do que produzir hormônios em excesso".
Segundo a médica Elaine Dias JK, PhD em endocrinologia pela Universidade de São Paulo e metabologista, muitas pessoas convivem com esses sintomas acreditando se tratar de estresse, depressão ou excesso de trabalho. No entanto, essas manifestações podem indicar desequilíbrios hormonais, especialmente da tireoide.
"A grande armadilha das doenças da tireoide é a semelhança dos sintomas com outras condições, como transtornos de ansiedade ou depressão. Isso leva ao atraso no diagnóstico e, muitas vezes, ao agravamento do quadro", alerta.
Câncer de tireoide
Além das alterações hormonais, a tireoide também exige atenção pela incidência de câncer. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 16.450 novos casos de câncer de tireoide em 2026. Apesar dos números, a maior parte dos cânceres é descoberto em fase inicial e não costuma apresentar evolução, por isso, muitos pacientes são assintomáticos no momento do diagnóstico.
Embora os nódulos tireoidianos sejam muito prevalentes na população, nem toda alteração representa câncer ou uma condição preocupante, explica De Nicola. Estima-se que nódulos na tireoide possam estar presentes em cerca de 50% da população, mas apenas uma pequena parcela apresenta malignidade.
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Maior impacto entre mulheres
O alerta sobre a tireoide é ainda maior para o público feminino. Dos novos casos de câncer estimados pelo Inca, 13.310 são em mulheres, enquanto 3.140 são em homens, o que mantém a doença entre os cânceres mais incidentes nesse público no País.
De acordo com De Nicola, o sistema hormonal feminino é complexo e, por isso, muitos sintomas da tireoide podem ser confundidos com os da menopausa por exemplo.
Além disso, as doenças autoimunes são mais frequentes em mulheres porque o sistema imunológico é, em geral, mais ativo e mais reativo que o masculino. "Isso traz uma vantagem contra infecções, mas aumenta o risco de o organismo ‘atacar a si próprio."
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Como é o diagnóstico?
O especialista da FIDI observa que hoje em dia faz-se muito mais diagnósticos, principalmente devido à realização de ultrassom, levando à identificação de muitos tumores pequenos e de baixo risco. "É importante reforçar que a maioria dos cânceres de tireoide possui um excelente prognóstico", diz.
A médica Elaine Dias JK concorda e acrescenta que o acompanhamento hormonal regular é essencial.
A tireoide é central para o equilíbrio do organismo. Alterações sutis podem impactar diretamente a qualidade de vida. Por isso, é fundamental incluir exames hormonais na rotina de saúde."
O diagnóstico inicial das disfunções é feito por meio de exames de sangue que avaliam o TSH, T4 Livre e anticorpos antitireoidianos. "Esses testes são acessíveis e deveriam fazer parte da rotina de exames preventivos", destaca a médica.
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Alem dos exames laboratóriais, a ultrassonografia exerce papel importante na triagem e no acompanhamento das alterações tireoidianas. Segundo o levantamento da FIDI, a realização desse tipo de exame ajudou noaumento na detecção de nódulos suspeitos, que passaram de 5 mil casos em 2021 para 13 mil em 2025.
"Esse crescimento reflete no refinamento dos critérios de análise por imagem e a maior capacidade de identificar lesões com potencial de malignidade", aponta o médico De Nicola.
Quando sintomático, é necessário prestar atenção em alguns sinais como rouquidão crônica, presença de nódulo duro e aumento de gânglios no pescoço, principalmente em quem tem história familiar ou de irradiação na região do pescoço.
"É comum ouvirmos que todo nódulo tireoidiano é câncer, mas, na verdade, o nódulo está presente em cerca de 50% da população, desses, aproximadamente apenas 5% são nódulos malignos", completa o médico.
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Tratamento
O tratamento é variado e, em alguns casos, é necessário o uso de medicações para equilibrar os hormônios, como a levotiroxina no caso do hipotireoidismo ou os antitireoidianos no hipertireoidismo.
No caso dos nódulos, existem também inovações mais recentes, como a ablação por radiofrequência (RFA), um procedimento minimamente invasivo que utiliza calor para reduzir ou eliminar nódulos benignos da tireoide. Essa técnica preserva a função da glândula e evita cicatrizes, sendo realizada em ambiente ambulatorial.
Além dos tratamentos convencionais, os especialistas reforçam a importância de mudanças no estilo de vida para ajudar na saúde da tireoide, destacando o papel da boa alimentação, que fornece nutrientes como selênio, iodo, zinco e vitamina D.
Além disso, alguns suplementos alimentares podem ajudar, desde que usados com orientação médica, principalmente em casos de carência nutricional.
Ter um zelo maior com as noites de sono, gerenciar o estresse e manter uma rotina com atividade física, porque o estilo de vida tem impacto direto sobre a saúde hormonal", diz Elaine Dias JK.
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Grupos de atenção
Apesar dos alertas médicos, o reconhecimento das doenças da tireoide na atenção primária ainda é difícil, já que as manifestações clínicas frequentemente são inespecíficas e, por vezes, atribuídas a outras comorbidades.
Segundo o endocrinologista Adriano Cury, do Alta Diagnósticos, da Dasa, as alterações da função tireoidiana são um problema de saúde pública com impacto potencial sobre o risco cardiovascular, a saúde óssea e a qualidade de vida.
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"O olhar atento do médico generalista, aliado à solicitação adequada e racional de exames-chave para o diagnóstico das tireoidopatias, é crucial para confirmar a suspeita diagnóstica de doenças da tireoide."
Ele destaca ainda que, quando não tratadas a longo prazo, mais especificamente no hipertireoidismo em pacientes com idade superior a 65 anos, associam-se a complicações cardiovasculares, como a fibrilação atrial, piora da insuficiência cardíaca.
Nesse sentido, o médico destaca que alguns grupos devem ser observados com mais vigilância para evitar complicações nessa glândula:
- Pessoas acima de 40 anos, especialmente mulheres.
- Mulheres em idade reprodutiva e gestantes, devido aos riscos para a gestação.
- Pacientes com doenças autoimunes, como diabetes tipo 1, lúpus, artrite reumatoide.
- Pessoas com sintomas persistentes de difícil explicação, incluindo fadiga intensa, instabilidade ponderal, depressão ou ansiedade refratárias, palpitações, taquiarritmias inexplicadas, hipotensão ortostática, constipação importante ou queda de cabelo acentuada.
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