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Sintomas incomuns dificultam diagnóstico de doença celíaca em idosos; entenda

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Cerca de 20% dos diagnósticos dessa condição autoimune acontecem em pessoas acima dos 60 anos - Adobe Stock
Cerca de 20% dos diagnósticos dessa condição autoimune acontecem em pessoas acima dos 60 anos
Por Emanuele Almeida

16/05/2026 | 10h02

São Paulo - A doença celíaca é frequentemente associada a manifestações na infância ou em adultos jovens, mas um cenário tem chamado a atenção de especialistas: o diagnóstico tardio na terceira idade.

Atualmente, cerca de 20% dos diagnósticos dessa condição autoimune acontecem em pessoas acima dos 60 anos. A gastroenterologista e diretora científica do Instituto Brasileiro para Estudo da Doença Celíaca (Ibredoc), Danielle Kiatkoski, reforça o dado e explica que, nessa etapa da vida, a doença apresenta um desafio particular, pois costuma se camuflar em queixas que são facilmente confundidas com o processo natural de envelhecimento.

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Diferente do que se espera de um quadro celíaco clássico, os idosos tendem a apresentar menos episódios de diarreia quando comparados a pacientes mais jovens, o que afasta a suspeita clínica imediata. Kiatkoski detalha a complexidade de identificar o problema nessa população:

Nessa faixa etária, a doença pode se manifestar de forma mais silenciosa e com sintomas menos típicos. Em vez dos quadros gastrointestinais clássicos, muitos pacientes apresentam fadiga, perda de memória, distensão abdominal e outros sinais que acabam sendo atribuídos ao próprio envelhecimento”.

A dificuldade de um diagnóstico preciso submete esses idosos a um estado de inflamação crônica, que pode agravar ou acelerar complicações de saúde sem que a verdadeira raiz do problema — a ingestão de glúten (proteína presente no trigo, centeio e cevada) — seja cortada.

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População geral

A falta de clareza nos sintomas não é uma exclusividade dos idosos. Embora a doença celíaca afete cerca de 1% da população mundial, a Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (FENACELBRA) estima que 80% das pessoas com a condição no Brasil seguem sem saber que possuem a doença.

Segundo Danielle Kiatkoski, esse alto índice de subdiagnóstico ocorre principalmente porque os sintomas são muito variáveis e podem envolver diferentes especialidades médicas, o que dificulta a identificação da doença.

Em muitos casos, a doença celíaca se manifesta muito além do trato gastrointestinal. Sintomas inespecíficos como dores de cabeça, alterações de humor, fadiga crônica, e até mesmo anemia persistente e dificuldades para engravidar ou infertilidade nas mulheres são manifestações comuns.

A farmacêutica e líder de autoimunidade da Thermo Fisher Scientific, Aline Oliveira, reforça como essa variabilidade atrasa o tratamento adequado:

“A doença celíaca ainda é pouco lembrada fora do contexto gastrointestinal. Isso faz com que muitos pacientes passem anos tratando sintomas isolados, sem chegar ao diagnóstico correto”, observa. 

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Atenção para as crianças

O impacto do atraso diagnóstico atinge também o público infantil. A inflamação constante no intestino prejudica a absorção de nutrientes essenciais, como ferro, cálcio e vitamina D, podendo resultar em atraso puberal, prejuízos ósseos e baixa estatura.

A diretora do Ibredoc faz um alerta importante sobre esse público: “Nem toda criança com doença celíaca apresenta sintomas clássicos como diarreia. Em muitos casos, o único sinal é o crescimento abaixo do esperado. Por isso, é fundamental ampliar o olhar clínico para além do intestino”.

Como é o diagnóstico

Seja na terceira idade, em adultos ou em crianças, a persistência de sintomas atípicos deve levantar a suspeita médica. O diagnóstico é realizado por meio de avaliação clínica e exames laboratoriais, como o teste de anticorpos anti-transglutaminase IgA, que é um dos principais marcadores para direcionar a conduta e evitar métodos invasivos desnecessários.

Viver com a doença celíaca sem o diagnóstico e o tratamento adequado eleva o risco de complicações severas, incluindo osteoporose precoce e desenvolvimento de outras doenças autoimunes.

Como não há medicamentos que curem a condição, a única forma de tratamento é a exclusão rigorosa e total do glúten da alimentação, permitindo que o corpo interrompa o processo inflamatório e o paciente recupere sua qualidade de vida.

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