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Brasil tem mais de 300 mil idosos com algum grau autismo, diz pesquisa

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A taxa de prevalência de TEA entre o grupo 60+ é ligeiramente maior entre homens - Freepik
A taxa de prevalência de TEA entre o grupo 60+ é ligeiramente maior entre homens
Por Emanuele Almeida

05/01/2026 | 12h25

São Paulo, 05/01/2026 — Um estudo do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) da PUCPR identificou a prevalência do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em pessoas com 60 anos ou mais, estimando cerca de 306.866 indivíduos nessa faixa etária com o transtorno no Brasil.

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A análise baseou-se em dados do Censo 2022, do IBGE, que investigou o tema pela primeira vez. O levantamento constatou que a taxa de prevalência de TEA entre o grupo 60+ é ligeiramente maior entre homens (0,94%) do que entre mulheres (0,81%).

Alerta

O estudo ressalta que, embora o TEA seja frequentemente diagnosticado na infância, a condição permanece por toda a vida. No entanto, o reconhecimento do transtorno em adultos mais velhos ainda é limitado, o que prejudica tanto o diagnóstico quanto o acesso a terapias adequadas.

"A prevalência do TEA tem crescido nos últimos anos, porém a literatura científica nacional e internacional ainda é escassa em relação ao que se sabe sobre o transtorno no contexto do envelhecimento", afirma a pesquisadora da PUCPR, Uiara Raiana Vargas de Castro.

Ela explica que pessoas que envelhecem no espectro tendem a apresentar redução na expectativa de vida e alta prevalência de comorbidades psiquiátricas, como ansiedade e depressão. Além disso, há maior risco de declínio cognitivo e de condições clínicas, como doenças cardiovasculares e disfunções metabólicas.

O acesso à saúde é dificultado pela falta de conhecimento sobre o TEA em adultos, uma vez que o transtorno afeta a comunicação e causa sobrecarga sensorial e rigidez comportamental. "O conhecimento sobre a prevalência em idosos é o primeiro passo para compreender suas necessidades e subsidiar políticas públicas direcionadas a esse público", ressalta Castro.

A pesquisadora destaca que adultos e idosos não se tornam autista ao longo da vida, isso porque, o transtorno é uma condição do neurodesenvolvimento. "Ele tende a ter manifestado sinais, de menor ou maior grau, ao longo de sua trajetória e permanece com eles durante a vida adulta e envelhecimento", explica. 

Diagnóstico

A identificação do TEA em idosos enfrenta diversos desafios: desde a escassez de profissionais capacitados até as mudanças nos critérios diagnósticos ao longo das décadas e subdianóstico. A pesquisadora da PUCPR explica que, internacionalmente, em regiões onde há melhor condição de aceso ao diagnóstico, ainda é possível observar uma taxa significativa de subdiagnósticos em adultos e idosos. "No Brasil não seria diferente", aponta. 

Um fator predominante que dificulta o processo é a confusão com sintomas de outros transtornos. Segundo a pesquisadora, manifestações como isolamento social e comportamento rígido podem ser erroneamente interpretadas como sinais de ansiedade, depressão ou demência. "O diagnóstico exige a observação de comportamentos presentes ao longo de toda a vida e a avaliação de especialistas", explica.

quebra-cabeças símbolo do autismo
Cerca de 306.866 indivíduos com 60 anos ou mais tem TEA no Brasil- Freepik

"Alguns comportamentos que às vezes existiam mais intensos na infância vão sendo mascarados ao longo da vida adulta e do envelhecimento e isso acaba também dificultando o diagnóstico. Mas um dos das questões centrais do transtorno do espectro autista, é justamente a questão de dificuldade de comunicação e de socialização", elenca a pesquisadora da PUCPR. 

Quando realizado, o diagnóstico é frequentemente recebido com alívio. Para muitos idosos, ele oferece uma explicação para dificuldades interpessoais e sensoriais enfrentadas por décadas. “Isso permite que experiências negativas sejam reinterpretadas como manifestações do autismo, reduzindo a autocrítica e o sentimento de inadequação”, conclui Castro.

Legislação

Apesar do diagnóstico em pessoas adultas ainda ser um desafio, uma nova lei, sancionada em novembro, incentiva a investigação diagnóstica do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em adultos e idosos. Anteriormente, o foco clínico para o diagnóstico era restrito quase exclusivamente a crianças e adolescentes, com ênfase na fase escolar.

Leia também: Nova lei incentiva investigação de autismo em adultos e idosos

A legislação altera a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA (Lei Berenice Piana). A mudança visa preencher uma lacuna histórica na identificação do transtorno em faixas etárias mais avançadas.

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