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Cyberbullying: ambiente digital pode ampliar conflitos originados na escola

Divulgação - ChildFund

Segundo estudo, ambiente online é visto por adolescentes como um território de insegurança e exposição - Divulgação - ChildFund
Segundo estudo, ambiente online é visto por adolescentes como um território de insegurança e exposição
Por Felipe Cavalheiro

03/02/2026 | 15h07

São Paulo, 03/02/2026 - Com o retorno às aulas, em um ano ainda mais digitalizado, a preocupação com o cyberbullying se reascende; prática caracterizada por ataques, humilhações e exposições feitas de forma recorrente na internet.

Dados do estudo "Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade de Adolescentes Brasileiros na Internet", realizado pela organização em defesa dos direitos dos das crianças e jovens, " ChildFund", mostram que o ambiente on-line é percebido por adolescentes como um território de insegurança e exposição.  

Leia também: Primeiro acesso à internet por crianças de até 6 anos triplicou em 13 anos

O presidente executivo do ChildFund, Mauricio Cunha, explica que mudanças bruscas de humor, ansiedade, crises de pânico, tristeza persistente, irritabilidade, perda de apetite e isolamento social estão entre os sinais mais recorrentes entre as vítimas.

O cyberbullying potencializa os danos à pessoa que sofre bullying, especialmente em crianças e adolescentes, que ainda não desenvolveram totalmente o seu arcabouço psíquico para enfrentar tais questões.”

Recortes de gênero na insegurança

O estudo ouviu 8.436 adolescentes de 13 a 18 anos, de diferentes regiões do País. Apesar de 86% classificarem o sentimento online como neutro, a insegurança é relatado por 21% das meninas e por 10% dos meninos. 

Nos grupos focais — de menor quantidade, mas com pesquisa mais profunda — os relatos de ameaças sofridas pelas meninas foi mais de duas vezes maior. Os casos envolvem xingamentos, comentários maldosos, exposição da aparência física e assédio.

Redes sociais e jogos ampliam a exposição à violência

Ao analisar os ambientes digitais percebidos como mais inseguros, os adolescentes apontaram o Instagram como o principal espaço de risco, concentrando 68% das menções. Em seguida aparece a plataforma de jogos online Roblox, com 12%. Jogos como Free Fire também foram associados a agressões verbais, enquanto o TikTok foi relacionado à exposição a comentários ofensivos.

Relatos coletados na pesquisa ilustram como essas situações se manifestam no cotidiano. Em um dos depoimentos, um adolescente descreve a invasão de uma conta no Instagram e o envio de mensagens ofensivas a partir de um perfil hackeado. Em outro, um jovem relata ter sido ameaçado por um usuário desconhecido durante uma interação no Roblox.

“A supervisão do acesso à internet exercida por pais e responsáveis é um mecanismo de proteção fundamental, mas ainda aparece de forma limitada na realidade dos adolescentes brasileiros. Na pesquisa, apenas 35% dos jovens relataram algum tipo de acompanhamento no uso da internet, o que evidencia a necessidade de ampliar o diálogo e a orientação sobre convivência e segurança no ambiente digital”, afirma Mauricio.

Cyberbullying é crime

Em 2024, o Brasil passou a contar com um marco legal específico para o enfrentamento do bullying e do cyberbullying. A Lei nº 14.811/2024  estabeleceu punições para a prática de intimidação sistemática, incluindo multa e reclusão, a depender da gravidade do caso.

Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública identificou, no mesmo ano, 2.935 ocorrências de bullying com vítimas de 0 a 19 anos, sendo 460 classificadas como cyberbullying. O estudo, no entanto, não reflete a totalidade dos casos, mas apenas os formalmente registrados pelas polícias civis estaduais.

Isso se torna relevante, pois, ao serem abordados por estranhos, — situação relatada por mais da metade dos jovens — a tendência é o silêncio: um a cada quatro não revelam o ocorrido.  

Gráfico
Fonte: ChildFund

Capacitação para lidar com o cyberbullying

O ChildFund criou o curso Safe Child, voltado à preparação de adultos para lidar com a segurança digital, incentivando conversas abertas e contínuas com crianças e adolescentes. O "Safe Child" pode ser acessado gratuitamente no endereço "childfundacademy.org"

Estagiário sob supervisão de Marcia Furlan

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