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Crédito do Trabalhador respondeu por 22,24% do consignado no Brasil em 2025

Ricardo Stuckert/PR

Brasília, 12/03/2025 - Lula discursa no lançamento do programa federal Crédito do Trabalhador - Ricardo Stuckert/PR
Brasília, 12/03/2025 - Lula discursa no lançamento do programa federal Crédito do Trabalhador
Por Paula Bulka Durães

03/02/2026 | 15h35 ● Atualizado | 15h36

São Paulo, 03/02/2026 – Anunciado pelo governo federal em março de 2025, o Crédito do Trabalhador, nova modalidade de consignado para empregados sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e para autônomos, encerrou 2025 com R$ 48,99 bilhões em novos empréstimos. Foram mais de 17,4 milhões de contratos assinados desde a implementação do programa.

O valor representa 22,24% dos R$ 220,25 bilhões ofertados em empréstimos consignados no País no ano passado, que incluem também as concessões de crédito para servidores públicos e pensionistas do INSS. Em 2024, o consignado privado alcançou R$ 19,2 bilhões, o equivalente a 8,62% dos R$ 222,75 bilhões do total dessa modalidade de crédito.

A porcentagem também é signficativa pois leva em consideração apenas o período entre abril (quando o programa passou a valer) e dezembro de 2025, sinalizando a alta demanda pelo consignado por trabalhadores CLTs e MEIs.

Segundo os dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), obtidos pelo VIVA, até 27 de janeiro, o Crédito do Trabalhador acumulava R$ 103 bilhões em contratos novos e acordos antigos, migrados para o novo programa em setembro e outubro – o valor se refere ao saldo de todos os empréstimos do consignado privado ativos no Sistema Financeiro Nacional.

Leia também: Consignado privado: saiba quem tem direito com a nova lei

O programa ampliou a disponibilidade do consignado para outros segmentos trabalhistas, além dos celetistas, como trabalhadores domésticos, rurais, microempreendedores individuais (MEI), diretores não empregados com direito ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e entregadores e motoristas por aplicativo.

Em agosto, as concessões do Crédito do Trabalhador atingiram R$ 8,4 bilhões em um único mês. No período seguinte, em setembro, o volume registrou alta de 253,6%, para R$ 29,7 bilhões, impulsionado pela migração de contratos anteriores para a nova modalidade, de acordo com o Ministério.

Em 2025, a taxa média de juros, que não tem teto definido pelo governo federal, ficou em 3,2% ao mês. Até o momento, foram contemplados 8,5 milhões de profissionais, que tomaram, em média, empréstimos de R$ 12 mil.

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) informou ao VIVA que analisa fixar um teto para as taxas cobradas pelas instituições bancárias que participam do programa. Enquanto a medida não é adotada, a pasta monitora as operações para evitar abusos financeiros.

As entidades que aplicarem juros excessivos são notificadas pelo MTE e, se não regularizarem a oferta dentro do prazo fixado, podem ser excluídas definitivamente do programa. Neste mês, o Ministério notificou mais de 95 mil empresas que não efetuaram os descontos das parcelas em setembro de 2025.

Leia também: MTE notifica empresas e empregadores domésticos por falhas no consignado

Facilidade pode aumentar endividamento

Para Flávio Ataliba, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, (FGV/Ibre), a facilidade na obtenção de crédito consignado, favorecida pelo programa governamental, pode elevar o endividamento das famílias.

A facilidade para obter crédito estimula o aumento da inadimplência e do endividamento. Se os tomadores não tiverem a disciplina para não gastar impulsivamente, o dinheiro fácil de agora se tornará dívida no futuro", defende. 

O pesquisador explica que, apesar de representar um facilitador, a digitalização das operações de consignado deve ser acompanhada de maior cautela por parte dos trabalhadores. "O crédito, por si só, não é prejudicial. A questão é como você utiliza esse dinheiro", afirma.

Segundo Ataliba, o consignado é uma opção viável para reestruturar dívidas ou iniciar e expandir um negócio que pode gerar fluxo de renda no futuro.

"Agora, se você vai usar um crédito consignado apenas para ampliar o seu consumo, é preciso ter certeza de que valerá a pena, pois você não está gerando renda para o futuro, mas terá que pagar aquele empréstimo depois", explica.

Psicologia do consumo

O economista sustenta que existe um fator psicológico, conhecido como 'viés do presente', que influencia a maneira como as pessoas lidam com o crédito.

Nós, seres humanos, damos mais valor ao presente do que ao futuro, preferindo resolver problemas imediatos em detrimento das questões de médio e longo prazo. Quando pagamos com o cartão de crédito, é como se o cérebro dissesse: 'esse jantar não teve custo algum, porque vou pagar em três vezes'."

O conselho para as famílias, segundo Ataliba, é sempre que possível poupar para ter disponível uma reserva de emergência, a fim de lidar com eventualidades, como um carro quebrado ou um pneu furado. "Se não tivermos uma reserva financeira, no caso de uma emergência, teremos que recorrer ao cartão ou a um empréstimo com juros elevados. A partir disso, inicia-se um ciclo recorrente de endividamento."

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