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São Paulo, 29/08/2025 - A oitava edição do levantamento Jaé Fresh, realizado pela agência de publicidade 3mais, teve como tema o etarismo das interfaces — o preconceito no design de aplicativos e plataformas. O material revela que 78% dos aplicativos de saúde usam termos técnicos incompreensíveis e que o desempenho médio dos usuários 60+ é 80% inferior ao das demais faixas etárias. Este desempenho poderia ter sido revertido, pois testes mostraram que, quando o sistema é pensado e desenvolvido para esse público, o desempenho se iguala ao de outras faixas etárias.
Quando aplicada a serviços públicos essenciais, as plataformas também faltam com a inclusão, pois quase metade da população brasileira (42%) com mais de 60 anos nunca utilizou o aplicativo Meu INSS e depende de familiares para ter acesso ao serviço. Certas fragilidades das tecnologias incluídas nos processos destes serviços podem explicar a fragilidade, já que sistemas de reconhecimento facial tem taxa de erro 34% maior entre usuários idosos
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“O etarismo das interfaces é um desafio social e uma questão de negócios. Ignorar essa população significa perder alcance e mercado. Quando aplicativos e serviços digitais são pensados para incluir o público 60+, vemos aumento no engajamento, na retenção e na conversão”, afirma Murilo Brum, especialista em Consumer Insights da 3mais e responsável pelo estudo.
O relatório também trouxe preocupação com preferências de idade em gênero nos agentes de IA. Relembrando um caso de 2024, no qual sistemas de IA de recrutamento priorizando candidatos jovens, mesmo quando experiência era critério; a agência apontou que apenas 2,5% das imagens em bancos de dados de treino representam pessoas acima de 60 anos. Além disso, menos de 10% dos sistemas de Inteligência Artificial para saúde envolveram os 60+ no processo de implementação.
Por fim, o relatório também evidencia boas práticas quanto a longevidade. A Uber, por exemplo, lançou o Senior Lift Silver, com interface simplificada e suporte familiar. Já a concorrente internacional Lift Silver criou atendimento humano por telefone e carros acessíveis. A Instacart adaptou seu app com ícones maiores, navegação por imagens e suporte dedicado. Outro caso é a Taobao, na China, que alcançou 5,6% de aumento nas conversões após implementar comandos de voz e recursos amigáveis para idosos.
“Olhando os dados analisados, há um recado claro de que inclusão não é somente responsabilidade social, é estratégia de negócios. As marcas que entenderem isso primeiro terão um mercado inteiro à frente, pronto para ser conquistado”, conclui Brum.
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