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Discord aponta articulação no TikTok e Telegram antes de suicídio em live

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Discord também admitiu falhas em seu sistema automatizado para alertas de risco - Adobe Stock
Discord também admitiu falhas em seu sistema automatizado para alertas de risco
Por Estadão Conteúdo

14/08/2026 | 16h54

São Paulo - O Discord afirmou que há evidências de que os grupos que incitaram uma adolescente de 13 anos que se matou a praticar violência contra si mesma teriam se articulado previamente no TikTok e no Telegram. A afirmação foi feita pela plataforma em resposta enviada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

No mesmo documento, conforme revelou o Estadão, o Discord também admite falhas em seu sistema automatizado para alertas de risco. O TikTok e o Telegram foram procurados, mas ainda não haviam respondido.

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou na quarta-feira, 12, a suspensão das lives do Discord, no prazo de três dias úteis, após o caso da adolescente, cujo suicídio foi transmitido ao vivo pelas redes sociais. O entendimento do órgão federal é de que a plataforma não tem mecanismos necessários para a proteção de crianças e adolescentes nessa ferramenta.

Coordenação no Telegram e TikTok

No documento de 20 páginas enviado às autoridades brasileiras, o Discord afirma que "as evidências disponíveis também indicam possível coordenação prévia ou paralela em outros serviços digitais, incluindo Telegram e TikTok, antes do ingresso no servidor investigado."

Na carta, a plataforma afirma que é relevante reconstruir a cronologia do fato e diz: "A Discord não apresenta essa informação para deslocar responsabilidades, mas para delimitar tecnicamente os dados que seus sistemas poderiam processar antes do ingresso dos usuários no servidor."

O argumento da plataforma é de que medidas de incitação à violência podem ter começado antes de o grupo criminoso iniciar a transmissão nos canais do Discord. A empresa afirma que "a capacidade da Discord de identificar ou intervir proativamente depende dos sinais disponíveis na plataforma e das salvaguardas técnicas e de privacidade aplicáveis".

O Discord sustenta ainda que a atividade criminosa envolvida no episódio foi coordenada e continuada em outras plataformas após a empresa banir o servidor em que a garota era incentivada a se machucar. 

A plataforma afirma que não chegou a transmitir o suicídio, pois conseguiu derrubar o servidor antes da morte, ao ser alertada pela polícia, e diz que a transmissão da morte ocorreu em outras plataformas.

Conforme o Estadão mostrou, no mesmo documento enviado às autoridades, o Discord admitiu que seu sistema automático de alertas falhou em identificar potencial risco na transmissão ao vivo envolvendo a incitação de violência à adolescente.

O sistema classificou a live com uma pontuação de risco que era apenas 1/8 da nota necessária para ativar as travas da rede. Procurado para comentar o documento, o Discord não se pronunciou.

Lives ainda estão liberadas

A ANPD informou que o prazo para suspender as lives no Discord passou a contar na quinta-feira, 13, e se encerra na segunda-feira, 17. Portanto, neste fim de semana e na própria segunda as transmissões ainda estarão permitidas. A partir da terça-feira, 18, o Discord deverá mostrar que suspendeu as transmissões até rever seus protocolos de segurança, sob risco de punições, como multas.

A medida é preventiva. Segundo a agência, em reuniões com a ANPD, representantes do Discord não provaram ter mecanismos suficientes de proteção e monitoramento, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital. 

Na semana passada, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, chegou a pedir o bloqueio total da plataforma, mas a ANPD destaca que estão suspensas apenas as transmissões ao vivo, como a ferramenta Go Live.

Denúncias aumentam

Segundo a Safernet, ONG de defesa dos direitos humanos na internet, de janeiro a julho o número de denúncias envolvendo o Discord aumentou 54% ante o mesmo período de 2025. Nos primeiros sete meses deste ano, foram 406, na comparação com 264 nesse intervalo no ano passado. É a maior média mensal de toda a série histórica do levantamento, iniciado em 2017.

Segundo a Safernet, o Discord está banido na Rússia, Turquia, Egito, Irã, Jordânia, Emirados Árabes Unidos e Camboja. No caso da Rússia e da Turquia, o bloqueio ocorreu em 2024 sob a acusação de descumprimento de ordens judiciais para a remoção de conteúdos ilegais.

Busque ajuda

Se você está passando por sofrimento psíquico ou conhece alguém nessa situação, veja abaixo onde encontrar apoio:

Centro de Valorização da Vida (CVV)

Se estiver precisando de ajuda imediata, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), serviço gratuito de apoio emocional que disponibiliza atendimento 24 horas por dia. O contato pode ser feito por e-mail, pelo chat no site ou pelo telefone 188.

Canal Pode Falar

Iniciativa criada pelo Unicef para oferecer escuta para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. O contato pode ser feito pelo WhatsApp, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.

SUS

Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas ao atendimento de pacientes com transtornos mentais. Na cidade de São Paulo, é possível buscar os endereços das unidades nesta página.

Mapa da Saúde Mental

O site traz mapas com unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico presencial e online. Disponibiliza ainda materiais de orientação sobre transtornos mentais.

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