Golpes por mensagem e ligação afetam 28 milhões de usuários brasileiros
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São Paulo - A rápida digitalização do cotidiano dos brasileiros trouxe inegáveis facilidades, mas também ergueu uma das maiores barreiras de segurança pública da atualidade: a exploração criminosa de dados privados que levou 20% dos internautas acima dos 16 anos a serem vítimas efetivas dessas fraudes digitais em 2025 - essa porcentagem equivale a mais de 28 milhões de pessoas.
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A pesquisa Privacidade e Proteção de Dados Pessoais 2025, divulgada pelo Cetic.br/NIC.br, que ouviu 2.500 pessoas em dezembro de 2025, joga luz sobre um cenário alarmante, revelando também que 32% dos usuários de Internet no Brasil com 16 anos ou mais a enfrentarem tentativas de golpes utilizando seus dados pessoais ao longo do ano de 2025.
Os números refletem uma realidade que ultrapassa as estatísticas tradicionais de segurança. De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública citados no relatório, o Brasil registrou 2,2 milhões de casos de estelionato em 2025 — um salto de mais de quatro vezes em comparação com 2018 —, com uma estimativa de que 26,3 milhões de brasileiros tenham sido vítimas de golpes na rede.
Onde estão as armadilhas?
Os criminosos têm refinado suas táticas de engenharia social, agindo por múltiplos canais para cercar as potenciais vítimas. A pesquisa revela que os canais de comunicação mais utilizados para a abordagem das vítimas (tanto em tentativas quanto em golpes consumados) são:
- Aplicativos de mensagens (como WhatsApp e Telegram): 84%;
- Ligações telefônicas convencionais: 79%;
- Sites ou aplicativos falsos: 71%;
- SMS: 71%;
- E-mail: 69%;
- Redes sociais: 67%.
A alta incidência de abordagens via telefone e SMS demonstra que os golpes com dados pessoais extrapolam as fronteiras da navegação ativa e possuem potencial para alcançar inclusive pessoas que sequer utilizam a Internet no dia a dia.
Uso do celular como fator de risco
Uma das revelações mais importantes do estudo diz respeito à desigualdade no comportamento de proteção digital a depender do dispositivo de acesso à rede. No Brasil, 65% dos usuários acessam a Internet exclusivamente pelo telefone celular, enquanto 34% utilizam tanto o celular quanto o computador.
Essa divisão cria um abismo de segurança:
- O "cadeado" esquecido: enquanto 70% dos usuários que utilizam múltiplos dispositivos têm o hábito de verificar a segurança de páginas e aplicativos (como checar se há o cadeado de segurança no navegador), essa prática preventiva despenca para apenas 48% entre os usuários exclusivos de celular;
- Facilidade para páginas falsas: essa falta de verificação reflete-se diretamente na exposição. A menção a abordagens por sites ou aplicativos falsos foi significativamente mais comum entre quem usa apenas o celular. De acordo com os analistas, as telas reduzidas e condições de conectividade mais restritas dificultam que o usuário adote uma postura defensiva consistente.
Aceitar sem ler
Embora a preocupação com a segurança e com perdas financeiras seja elevada nas transações digitais cotidianas, as atitudes práticas dos usuários no gerenciamento de seus dados mostram-se inconsistentes.
O hábito de assinar "cheques em branco" digitais é a regra no Brasil. Isso porque 23% dos usuários sempre concordam com as políticas de privacidade de sites e aplicativos sem ler o que está escrito, 29% o fazem "quase sempre" e 25% realizam a prática "algumas vezes". Apenas 10% dos internautas afirmam que nunca concordam com os termos sem antes fazer a leitura.
Esse descompasso entre a percepção do perigo e o comportamento real cria o ambiente perfeito para a coleta abusiva de informações que posteriormente alimentam bancos de dados clandestinos usados por criminosos.
Impacto além do bolso
As consequências de cair em um golpe cibernético não se limitam ao prejuízo financeiro. O estresse psicológico e a vulnerabilidade social andam lado a lado com as perdas patrimoniais.
Entre os internautas expostos a golpes ou tentativas de fraudes com seus dados pessoais, 39% relataram ter sofrido com mal-estar ou estresse emocional. O estudo aponta que essa sobrecarga emocional, assim como as perdas financeiras diretas e invasões de contas, afeta de maneira desigual a população brasileira.
Todas as repercussões negativas decorrentes de golpes foram reportadas com maior frequência por pessoas de menor nível de escolaridade - até o ensino fundamental -, evidenciando que os grupos socialmente mais vulneráveis são também os que mais sofrem as duras consequências da criminalidade digital.
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