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Cargos perdem espaço para competências: soft skills devem crescer em 2026

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Segundo a ABRH, competências como  gestão de projetos em ambientes híbridos e uso fluído de tecnologias colaborativas tendem a ser mais buscadas - Adobe Stock
Segundo a ABRH, competências como gestão de projetos em ambientes híbridos e uso fluído de tecnologias colaborativas tendem a ser mais buscadas
Por Claudio Marques

02/01/2026 | 09h08

São Paulo, 02/01/2026 - O mercado de trabalho deverá continuar, em 2026, migrando para uma lógica “orientada a habilidades”, em que o peso das soft skills cresce ainda mais, enquanto as hard skills mais valorizadas se concentram em dados, IA, tecnologia e sustentabilidade. Esse é o quadro que a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) pinta para o próximo ano, cm base na experiência de associados e nos contatos com o mercado.

"Na prática, as empresas vão olhar menos apenas para o cargo e mais para a combinação entre competências técnicas e comportamentais que sustentem adaptação, colaboração e uso estratégico das novas tecnologias", afirma a presidente da entidade, Leyla Nascimento.

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De acordo com a ABRH, as habilidades exigidas hoje devem mudar nos próximos anos, pressionando empresas e profissionais a atualizar competências de forma contínua.

"A automação e a IA tendem a absorver tarefas operacionais, o que aumenta o valor de atividades analíticas, criativas e relacionais, típicas das competências humanas", diz.

No cenário atual do mercado de trabalho, a definição de competências técnicas (as chamadas hard skills) está passando por uma reestruturação profunda. O domínio de ferramentas de inteligência artificial aplicada, a análise crítica de dados, a automação de processos e a segurança da informação deixaram de ser exclusividades do setor de tecnologia para se tornarem pilares de eficiência em quase todas as funções.

A presidente da ABRH, Leyla Nascimento, posa vestindo blusa branca e óculos de aros escuros
A presidente da ABRH, Leyla Nascimento, reforça o papel do RH em transformação cultural - Divulgação / ABRH

Hoje, mesmo em áreas tradicionalmente não técnicas, a capacidade de interpretar dashboards e tomar decisões orientadas a dados não é mais vista como um diferencial competitivo, mas como um requisito básico de contratação.

Paralelamente, a ascensão da transformação digital e das metas de sustentabilidade (ESG) impôs novas exigências aos profissionais. Ganham destaque competências como a gestão de projetos em ambientes híbridos e o uso fluído de tecnologias colaborativas. Além disso, o conhecimento prático em iniciativas sustentáveis passou a ser um ativo estratégico para o negócio.

Em diversos setores da economia, essas capacidades técnicas tornaram-se o passaporte decisivo para quem deseja liderar processos de inovação e participar ativamente da transição para uma economia verde e mais eficiente.

"Olhando para 2026, vemos um ano desafiador e cheio de oportunidades. O RH será cada vez mais chamado a liderar transformações culturais, integrar tecnologia com empatia e colocar o ser humano no centro das decisões", diz a presidente da ABRH. Segundo ela, a entidade seguirá investindo em conhecimento, formação e no fortalecimento do ecossistema de RH.

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"Ao longo do ano, estivemos no centro dos principais debates do RH, como o uso ético da inteligência artificial, os novos modelos de trabalho, a saúde mental, o bem-estar e a diversidade, equidade e inclusão", declara, fazendo um balanço de 2025.

Para ela, o ano passado consolidou o RH como peça-chave na estratégia das empresas. Diante de transformações aceleradas, Nascimento argumenta, tornou-se evidente que a gestão de pessoas, o preparo de líderes e o foco no bem-estar são pilares indispensáveis para garantir a solidez e o desempenho financeiro no longo prazo.

O que é soft skill e hard skill?

De acordo com o World Economic Forum, as empresas têm buscado profissionais capazes de unir conhecimento técnico a competências humanas, combinação que se tornou decisiva diante das transformações digitais.

As hard skills são as habilidades técnicas, ou seja, conhecimentos específicos que podem ser aprendidos de forma estruturada e medidos objetivamente. Exemplos incluem análise de dados, programação, gestão de projetos, marketing digital e domínio de ferramentas tecnológicas, áreas apontadas como essenciais pelo LinkedIn Economic Graph, que monitora as tendências reais de contratação no mundo.

Essas competências estão diretamente ligadas à execução de tarefas e ao desempenho em funções especializadas.

Já as soft skills se referem às habilidades comportamentais, relacionadas à forma como o profissional se comunica, se organiza e se relaciona com outras pessoas. São competências como criatividade, pensamento crítico, inteligência emocional, resiliência, comunicação e capacidade de aprendizagem contínua. Relatórios do LinkedIn reforçam que comunicação, colaboração e resolução de problemas são hoje pilares para ambientes de trabalho mais eficientes.

A diferenciação entre esses dois tipos de habilidade também é explicada pela plataforma Solides, de comportamento organizacional e gestão de talentos. A empresa destaca que as hard skills dizem respeito ao “saber fazer”, enquanto as soft skills representam o “como fazer”.

No contexto educacional, desenvolver simultaneamente competências técnicas e comportamentais se tornou fundamental para preparar estudantes para mercados em constante transformação e para incentivar que ideias inovadoras, como as apresentadas no evento, se tornem soluções reais com impacto social.

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