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Denúncias graves crescem em empresas e chefes são alvo de 54%, diz pesquisa

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Quase 20% das denúncias são feitas por telefone, de acordo com a pesquisa - Envato
Quase 20% das denúncias são feitas por telefone, de acordo com a pesquisa
Por Claudio Marques

07/04/2026 | 08h41

São Paulo - Os canais de denúncias das empresas que atuam no Brasil registraram 245.518 queixas no ano passado, que resultaram em 9,8 relatos mensais por mil colaboradores, uma alta de 5,4% em relação a 2024.

Foi o quinto ano seguido de aumento, representando uma alta de 81,5% sobre as 5,4 notificações por mil trabalhadores registradas em 2021.

Leia também: 17% dos trabalhadores já sofreram ou viram assédio no trabalho, diz Vittude

Os dados fazem parte da 11ª Edição da Pesquisa Nacional de Canais de Denúncias realizada pela Be.Aliant, empresa de soluções integradas de compliance, ética, riscos, privacidade e regulatório.

Temas graves

O estudo também revela que os casos de "impacto alto e crítico" subiram para 11,9% do total ante 9,7% em 2024. O avanço foi puxado por temas graves, como assédio moral e sexual, agressão física, discriminação e fraudes financeiras, violação às leis trabalhistas e ambientais.

Segundo o estudo, 49,2% das denúncias envolveram relacionamento interpessoal; 15,9%, má intenção e ilícitos; 

"Os canais estão sendo usados para relatar problemas reais. Isso exige investigações mais qualificadas e respostas consistentes das organizações", afirma Cyro Diehl, cofundador da Be.Aliant. O aspecto positivo é que o aumento reflete o amadurecimento dos programas de integridade, segundo ele.

Embora os brasileiros estejam denunciando mais, a precisão das informações caiu. Apenas 67% dos relatos em 2025 continham dados suficientes para uma apuração completa, uma tendência de queda iniciada há quatro anos.

Opção pelo anonimato 

Por outro lado, o anonimato — opção de 64,7% dos denunciantes — tem se mostrado uma ferramenta eficaz de governança. Curiosamente, as denúncias anônimas apresentaram um nível de qualificação superior (69%) em comparação às identificadas (63%).

"O anonimato funciona como porta de entrada. O desafio é transformar essa interação em confiança, provando que o sistema protege o denunciante e gera consequências concretas", destaca Mauricio Fiss, também cofundador da consultoria.

Dentro os canais de denúncia oferecidos pelas corporações, o site é o principal meio utilizado para fazer as queixas: responde por 71,4%. Em seguida vem o telefone, com 19,7% e depois e-mail, com 5,5%, e outros, com 3,4%.

Medidas educativas

Do total das denúncias feitas, 26,9% foram consideradas procedentes, 22,3% não procedentes, 17,9% não conclusivas, 21,5% fora do escopo e 11,4% apresentaram dados insuficientes para uma investigação. 

De acordo com o estudo, 62,4% resultaram em medidas educativas ou preventivas, 18,9% em medidas disciplinares graves, 13,3% em medidas disciplinares leves e 5,4% em medidas de acompanhamento ou mitigação

Pelo terceiro ano consecutivo, as mulheres são as principais usuárias dos canais de ética, respondendo por 53,6% dos registros.

A pesquisa também aponta a participação de  denúncias feitas por públicos externos: 13,5% por clientes e 5,6% por fornecedores. 

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