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Inovação nas empresas: 96% dizem priorizar, mas só metade sabe como fazer

Estudo mostra que, apesar da inovação estar no discurso de quase todas as empresas brasileiras, apenas metade consegue tirar essas ideias do papel

Por Beatriz Duranzi

11/06/2025 | 13h44

Foto: Envato Elements

Apesar das empresas afirmarem que a inovação faz parte de seu planejamento estratégico, poucas colocam esse discurso em prática - Foto: Envato Elements
Apesar das empresas afirmarem que a inovação faz parte de seu planejamento estratégico, poucas colocam esse discurso em prática
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Apesar de quase todas as empresas brasileiras afirmarem que a inovação faz parte de seu planejamento estratégico, poucas conseguem transformar esse discurso em prática estruturada.

Essa é a principal conclusão de um estudo inédito da consultoria PALAS, especializada em gestão da inovação e pioneira na implementação da norma ISO 56001 no Brasil.

O levantamento ouviu 198 empresas de diferentes portes e setores, como alimentos, energia, farmacêutico e construção civil. De acordo com os dados, 96% das companhias dizem priorizar a inovação no plano estratégico, mas apenas 56% têm processos claros e bem definidos para inovar. O dado revela um grande descompasso entre o que as empresas almejam e o que realmente conseguem executar.

Falta estrutura, sobra intenção

A maioria das empresas reconhece a importância da inovação, mas falha na hora de colocar isso em prática de forma consistente:

  • 74% possuem objetivos de inovação bem definidos
  • 71% interagem com ecossistemas externos, como startups e universidades
  • Apenas 52% têm uma política formal de inovação
  • E só 55% contam com orçamento específico para a área

Embora 79% apontem uma liderança engajada, apenas 52% oferecem treinamentos contínuos. Além disso, 72% contam com equipes dedicadas à inovação, mas só 54% dessas equipes têm papéis e responsabilidades formalmente definidos.

“Isso mostra que há vontade, mas ainda falta preparo”, afirma Alexandre Pierro, fundador da PALAS. Segundo ele, muitas empresas desmobilizaram suas áreas de inovação após o boom da pandemia, justamente por não conseguirem gerar resultados concretos. “Sem método e estrutura, a inovação vira só discurso”, completa.

Indicadores fracos, poucos resultados

Outros dados preocupantes:

  • Apenas 57% têm planos estruturados para buscar novas oportunidades
  • 55% não utilizam incentivos fiscais, como a Lei do Bem
  • Só 55% acompanham indicadores que mostrem se a inovação está gerando impacto

Segundo Pierro, muitas empresas confundem inovação com invenção. “Inovação é aquilo que gera resultado: mais receita, menos custo. Sem processos, é impossível transformar ideias em valor.”

A PALAS é responsável por implementar a ISO 56001, uma norma internacional de gestão da inovação, em empresas como Grupo Boticário, Atento, CPFL, Copel, Eneva e State Grid Brazil. A metodologia foi desenvolvida ao longo de 11 anos, com a participação de 164 países membros da ISO (International Organization for Standardization), e tem como objetivo criar uma cultura de inovação mensurável, repetível e sustentável.

Antes de aplicar a norma, a consultoria realiza um diagnóstico. Depois da implementação, os resultados são comparados. Em média, o entendimento sobre temas como metas, processos e ferramentas triplica em todos os níveis da empresa. No nível estratégico, por exemplo, a compreensão desses conceitos salta de 35% para 87%.

Pierro cita o caso de uma empresa que, ao implementar a ISO de inovação, viu a participação da inovação em seu faturamento crescer de 2,5% para 9% no primeiro ano. Cinco anos depois, esse percentual chegou a 17%, o equivalente a R$ 500 milhões anuais. “É uma prova concreta de que inovação não é só ideia nova. É resultado”, afirma o consultor.

O estudo da PALAS escancara uma realidade comum: as empresas querem inovar, mas ainda operam no improviso. Com processos bem definidos, metas claras e acompanhamento de resultados, é possível transformar boas ideias em desempenho real. Sem isso, inovação permanece no papel, e o potencial de crescimento, também.

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