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Enferrujar no trabalho: desestímulo pode afetar saúde, diz Pluxee

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Segundo a pesquisa, 44% dizem que poderiam ser melhor aproveitados e 25% podem mudar de emprego - Envato
Segundo a pesquisa, 44% dizem que poderiam ser melhor aproveitados e 25% podem mudar de emprego
Por Claudio Marques

30/03/2026 | 10h17

SÃO PAULO – Embora o debate sobre saúde mental nas empresas costuma se concentrar no burnout, associado a sobrecarga e ao esgotamento, um fenômeno considerado silencioso, a falta de estímulo, também pode representar um risco relevante para o engajamento e o bem-estar.

Um novo levantamento da Pluxee, realizado com 615 profissionais, mostra que, embora 80% se declarem satisfeitos com o trabalho atual, 44% afirmam que poderiam assumir atividades mais desafiadoras e ter melhor aproveitamento de suas habilidades.  Esse é um sinal claro, segundo a empresa, de subestimulação e potencial risco de "enferrujamento profissional", em inglês "rust-out"

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Diferentemente do burnout (esgotamento por sobrecarga), o “enferrujamento” ocorre quando o colaborador está desestimulado e sem perspectivas de crescimento. O fenômeno é considerado silencioso porque o funcionário continua realizando suas tarefas, mas perde o propósito e a conexão emocional com a organização.

Satisfação e reconhecimento


O levantamento mediu o nível de concordância com diferentes afirmações sobre a experiência profissional, em uma escala de 1 a 5.

Os índices são mais altos quando o tema é propósito e sentido: a média chega a 3,92 para a afirmação “vejo sentido no que faço” e a 3,82 para “tenho energia e disposição no dia a dia”. 

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No entanto,  os indicadores relacionados a crescimento e reconhecimento revelam índices menores:  a média é de 3,49 quando se trata da contribuição do trabalho para o bem-estar emocional, 3,33 para oportunidades de desenvolvimento e 3,26 para reconhecimento justo. 

"A ausência de crescimento enfraquece gradualmente o vínculo das pessoas com a organização", afirma Fabiana Galetol, diretora executiva de Pessoas da Pluxee no Brasil. "O profissional deixa de evoluir. Muitas empresas mantêm ambientes estáveis, mas não estimulantes", diz.

O papel da liderança é fundamental para reverter o quadro.

É necessário criar desafios saudáveis e reconhecimento genuíno. Satisfação traz estabilidade, mas o que mantém o talento é a reciprocidade e o desenvolvimento contínuo".

Retenção em risco

A estagnação já se reflete nas intenções de carreira. Segundo o estudo, 25% dos profissionais consideram buscar novas oportunidades nos próximos meses. Além disso, 21% relatam sentir tédio ou desmotivação com frequência.

Fabiana Galetol com o microfone na mão fala durante palestra no Vittude Summit 2026
Fabiana Galetol diz enferrujamento causa risco ao engajamento - Divulgação / Vittude

Segundo Galetol, os resultados reforçam que satisfação e engajamento são dimensões diferentes da experiência do colaborador. Ou seja, gostar da empresa não garante permanência.

Dados de uma pesquisa anterior da Pluxee com a Ipsos mostram que embora 88% dos brasileiros gostem de onde trabalham, apenas 29% possuem um vínculo de lealdade de longo prazo.

Salário emocional

A questão está em sintonia com o chamado “salário emocional” " – que engloba reconhecimento, autonomia e conexões humanas.

No  Vittude Summit 2026, evento promovido pela empresa de programas de saúde mental corporativos, Galetol disse ao VIVA que o sucesso de uma estratégia de gestão moderna não está mais restrito ao valor depositado mensalmente na conta bancária do colaborador. 

Leia também: NR-1: como a discriminação etária passa a ser risco psicossocial na empresa

Nesse sentido, o "salário emocional" consolidou-se como uma ferramenta de negócio vital para conter o avanço dos transtornos mentais nas corporações brasileiras.

O salário emocional é tudo aquilo que não está no holerite. Se bem gerido, ele é uma grande força contra os riscos psicossociais. "Ao mesmo tempo que o trabalho pode adoecer, ele tem o poder de proteger e engajar, desde que haja um ajuste na forma como se trabalha."

A executiva alerta que a saúde mental deve ser encarada como uma métrica de gestão e desempenho. Globalmente, segundo ela, uma em cada seis pessoas sofre com a solidão, um fator que contribui para estatísticas severas de mortalidade.

Nesse contexto, a aplicação da NR 1 (Norma Regulamentadora que trata do gerenciamento de riscos) ganha força para ajudar empresas a medirem e mitigarem esses impactos.

Leia também: NR1: mudança na norma trabalhista busca melhorar saúde mental nas empresas

A pesquisa recente mencionada por Galetol corrobora essa visão: mais de 40% do que os colaboradores hoje valorizam no ambiente profissional está diretamente ligado à autonomia, ao acolhimento e à flexibilidade.

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