Escuta ativa destrava potencial da geração prateada, diz executiva da Volks
Manuela França/Viva
São Paulo - A presença do público 50+ no mercado de trabalho, que passa por um movimento de constante transformação tecnológica, tende se consolidar. No universo corporativo o reflexo dessa nova realidade pode ser confirmado pela criação de departamentos e comitês que avaliam constantemente as vantagens de se incentivar a diversidade multigeracional e como usufruir dos benefícios dessa integração.
A questão foi tema do painel "Empresas Age Friendly - O que muda quando a diversidade etária vira estratégia", realizado nesta tarde durante o MaturiFest, em São Paulo.
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Presente ao painel, a argentina Maria Angela Stelzer, vice-presidente de Recursos Humanos da Volkswagen do Brasil e da região da América do Sul, diz que ter obtido o selo Age Friendly no final de 2025 foi extremamente importante para a montadora. A certificação, afirmou ela, implica em uma responsabilidade tanto internamente como para o seu público consumidor.
"O selo representa apenas o início dessa jornada. E também foi importante para nós, porque fomos a primeira montadora no Brasil a obtê-lo. Servimos de exemplo", disse Stelzer.
Impacto da diversidade multigeracional
Reflexo da acelerada transformação demográfica que o mundo tem atravessado, hoje no Brasil 27% da população está acima dos 50 anos e a cada 20,2 segundos uma nova pessoa faz 50 anos no País. A contagem é baseada em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Diante desse cenário, formar um grupo de colaboradores mais diverso e multigeracional é visto definitivamente como estratégico por Stelzer. A chave para se obter resultados cada vez melhores, acrescenta ela, está na escuta das sugestões e necessidades de cada um deles. Isso é fundamental, acrescenta ela, para se aproveitar todo o potencial da 'geração prateada', que está centralizando no seu conhecimento, experiência e poder de consumo.
Com todas essas informações desenhamos ações e estratégias com muita escuta ativa para o desenvolvimento de lideranças, contou a executiva.
Para Stelzer, a partir dessa escuta foi possível pensar em como todo esse conhecimento contribuía em cada área de negócio.
Do discurso à prática
Para Cyndi Schwartz, gerente sênior de Recursos Humanos e líder de Responsabilidade Social Corporativa (CSR) e Future of Work da Capgemini no Brasil, a inovação só vai acontecer quando tivermos a intenção de ouvir as diferentes gerações. Segundo ela, muitas vezes achamos que essas oportunidades de discutir o assunto 'diversidade' precisam ser mirabolantes, mas se trata apenas de encarar o dia a dia, com normalidade.
Estamos falando de colocar em postos de lideranças pessoas que fazem parte da diversidade. Realizamos mensalmente eventos com a empresa inteira para quebrar tabus, discutindo questões reais como menopausa, saúde, vacinas, etarismo. Precisamos trazer essas questões a tona. Esse movimento faz parte do letramento dos funcionários. É sobre o que é importante para cada um dos grupos da diversidade, não apenas para os 50+.
Ao comentar sobre o selo Age Friendly, a executiva da Capgemini reforça que esses selos são apenas uma tradução do que a empresa vivencia no cotidiano. "Ouvir é o começo de tudo", afirma Schwartz.
"A área da diversidade só funciona porque todo mundo participa. Deixamos de ter receio sobre falar sobre determinados assuntos e torna a conversa natural. Isso traz segurança para que os funcionários se sintam seguros naquele ambiente", Schwartz.
Teoria da mudança
Segundo Ana Matta, gerente de Sustentabilidade e DEI do Grupo HDI, quando se trabalha com projetos específicos para a diversidade, identificar os resultados requer um longo acompanhamento.
"Não é um projeto que você tem os resultados pra apresentar amanhã", diz Malta. É preciso acompanhar esse profissional por alguns anos para entender se o esforço que foi feito ali reverberou para o futuro do trabalho dessa pessoa, explica. Segundo ela, fazer a rastreabilidade desses resultados é um desafio.
As executivas participaram nesta tarde da 9ª edição do MaturiFest. O evento, realizado pela Maturi, empresa especializada em empregabilidade, desenvolvimento e capacitação de profissionais com 50 anos ou mais, tem o apoio de mídia do VIVA.
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