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Mais da metade das famílias raramente lê com suas crianças, aponta estudo

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Apenas 14% dos responsáveis fazem a leitura compartilhada entre três e sete vezes por semana; a média global é de 54% - Pexels
Apenas 14% dos responsáveis fazem a leitura compartilhada entre três e sete vezes por semana; a média global é de 54%
Por Felipe Cavalheiro

06/05/2026 | 18h31 ● Atualizado | 18h49

São Paulo - Um estudo realizado em três estados do Brasil – Ceará, Pará e São Paulo – indicou que 53% das famílias brasileiras nunca ou raramente leem livros para suas crianças.

A pesquisa foi liderada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, com parceria técnica do Laboratório de Pesquisa em Oportunidades Educacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LaPOpE/UFRJ). Foram ouvidas 2.598 crianças de 5 anos matriculadas em 210 escolas, sendo que 80% públicas e o restante privadas.

Além da análise nacional, o relatório faz parte de um estudo internacional desenvolvido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Quando comparado o Brasil aos demais países, os resultados ficam ainda mais pronunciados: enquanto 14% dos responsáveis fazem a leitura compartilhada entre três e sete vezes por semana, a média internacional é de 54%.
As atividades feitas em conjunto com as crianças compõem o chamado "Ambiente de Aprendizado em Casa" (AAC). Veja quantos brasileiros possuem a mesma frequência que você nestas atividades. 
O coordenador do levantamento e professor da UFRJ Tiago Bartholo explica que um resultado abaixo da média não é uma surpresa, pois os demais países participantes ( Azerbaijão, Bélgica, China, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Holanda e Malta e Inglaterra) apresentam maior nível de educação dos responsáveis e uma população menos afetada pelas desigualdades socioeconômicas.
O que realmente surpreendeu o pesquisador foram os resultados do País se mantendo inferiores, mesmo quando se isolam fatores como classe social e escolaridade. Ele conta que em famílias de nível socioeconômico alto, a leitura frequente não atinge 25%, enquanto a média internacional desta classe alcança os 70%.
A responsabilidade não é só dos pais

Bartholo aponta um detalhe importante: mesmo que o Ambiente de Aprendizado em Casa tenha um papel vital no aprendizado, as crianças brasileiras alcançaram uma média de 502 pontos em literacia -- que mede o nível de compreensão da língua. Isto coloca o Brasil dois pontos acima da média internacional, de 500 pontos. 

Foto da Marina Fragata em escritório
Marina Fragata, diretora de Políticas Públicas da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal - Divulgação

Para o especialista, o resultado provavelmente se deve a políticas públicas de educação bem aplicadas

A diretora de Políticas Públicas da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Marina Fragata, reforça a importância destas iniciativas. 

Fragata lembra que o Brasil vive um cenário de vulnerabilidade, com muitas famílias lideradas por mães solo. 

Para ela, o cenário da baixa leitura pode ser alterado com pequenas mudanças na rotina, mas estas mudanças devem ser acompanhadas por programas de Apoio à Parentalidade, e adequadas a cada contexto. 

"Não se pode responsabilizar só um pai ou uma mãe. O Brasil precisa de orçamento para políticas que compartilhem a educação das crianças com toda a sociedade." 

Os perigos das telas

O levantamento também mostra que 50% das crianças utilizam dispositivos digitais todos os dias. Fragata adiciona que, se o tempo de consumo é preocupante, a qualidade do que é consumido é ainda mais.

Leia também: Primeiro acesso à internet por crianças de até 6 anos triplicou em 13 anos

Enquanto o levantamento mostra que apenas 19% das famílias utilizam os dispositivos para atividades educativas com frequência, a especialista foca na importância do Acesso Mediado – quando o uso da internet é feito em conjunto com os responsáveis. 

"É muito importante não entregar o celular, mantendo o acesso ao mundo digital em algo feito em conjunto com a família; sempre mirando redução do tempo de tela." 

Estagiário sob supervisão de Claudio Marques

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