Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

Obesidade ou sobrepeso impactam 20,7% da população mundial com até 19 anos

AdobeStock

Obesidade na infância tende a continuar na vida adulta - AdobeStock
Obesidade na infância tende a continuar na vida adulta
Por Bianca Bibiano

04/03/2026 | 11h43

São Paulo, 04/03/2026 - A Federação Mundial de Obesidade (World Obesity Federation, ou WOF, em inglês) divulgou na noite de ontem o Atlas Mundial da Obesidade 2026, mostrando que aproximadamente uma em cada cinco pessoas de 5 a 19 anos no mundo vive com obesidade ou sobrepeso. Isso equivale a 20,7% das crianças e adolescentes a nível global, indíce que era de 14,6% em 2010.

A WOF prevê que, até 2040, mais de 507 milhões de crianças e adolescentes viverão com sobrepeso ou obesidade. O relatório, divulgado em alusão ao Dia Mundial da Obesidade, mostra que o mundo talvez não atinja a meta global de frear o aumento da obesidade infantil. E, apesar de o prazo ter sido estendido para 2030, a maioria dos países segue fora do rumo

Leia também: Obesidade afeta 1 em cada 4 no Brasil e amplia risco de doenças graves

Riscos à infância

A obesidade e o sobrepeso na infância levam a problemas semelhantes aos vistos em adultos, incluindo hipertensão e doença cardiovascular. Estima-se que, até 2040, 57,6 milhões de crianças apresentarão sinais precoces de doença cardiovascular e 43,2 milhões apresentarão sinais de hipertensão. 

O Atlas mostra como as ações para enfrentar a obesidade infantil permanecem inadequadas em todo o mundo, com muitos países aquém do conjunto de políticas necessárias para prevenção, monitoramento, rastreamento e manejo orientado pela organização.

A WOF afirma ainda que são necessárias medidas firmes para reverter as tendências atuais, incluindo impostos sobre bebidas adoçadas com açúcar, restrições ao marketing direcionado a crianças (também em plataformas digitais), implementação das recomendações globais de atividade física para crianças, proteção do aleitamento materno, padrões mais saudáveis de alimentação escolar e integração da prevenção e do cuidado aos sistemas de atenção primária."

Leia também: Sobrepeso atinge 30% das crianças brasileiras em vulnerabilidade

A diretora-executiva da federação, Johanna Ralston, disse em nota que "o aumento da obesidade infantil em todo o mundo mostra que falhamos em levar a sério uma doença que afeta uma em cada cinco crianças" e acrescenta:

Os governos precisam, com urgência, intensificar os esforços de prevenção e manejo para crianças e adolescentes que vivem com sobrepeso e obesidade, e garantir que recebam o cuidado de que precisam.”

De acordo com o Atlas, as ações para reduzir a exposição das crianças a fatores de risco para obesidade continuam inadequadas. E, embora a doença tenha sido anteriormente associada a países de maior renda, os aumentos de prevalência de obesidade e sobrepeso agora estão ocorrendo mais rapidamente em países de baixa e média renda.

Ralston afirma ainda que é preciso "implementar políticas para criar ambientes saudáveis, esteja a criança em casa, na escola ou nos seus deslocamentos".

Não é correto condenar uma geração à obesidade e às doenças crônicas não transmissíveis – potencialmente fatais – que muitas vezes a acompanham.” 

Obesidade no Brasil

O panorama brasileiro da obesidade por fases da vida sugere que a janela de risco se abre antes mesmo do nascimento. O Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), por exemplo, registra 58,8% das gestantes acompanhadas com excesso de peso.

Na avaliação de Cynthia Valério, diretora da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), o dado da primeira infância deve ser lido como alerta.

Leia também: Obesidade cresce em pessoas 50+; Brasil acompanha tendência global

Uma criança exposta por anos a um ambiente que favorece o consumo de ultraprocessados e o sedentarismo tende a carregar esse comportamento.”

Na vida adulta, os números reforçam a escala do cenário. Os dados de 2026 mostram 73,6% dos adultos acompanhados pelo Sisvan acima do peso e 39,1% já classificados com obesidade, sendo 15,5% destes em graus de obesidade associados a um maior risco de complicações e necessidade de cuidado continuado. O sistema ainda registra 53,4% dos idosos acompanhados com sobrepeso.

"Isso sugere a manutenção de um padrão de excesso de peso ao longo da vida, que chega à velhice com impacto direto na qualidade de vida, com maior comprometimento da mobilidade e da funcionalidade, além do aumento do risco de comorbidades associadas”, acrescenta Cynthia Valério. 

Para a Abeso, a mensagem é de que não há solução única e que tratar a obesidade como uma falha individual apenas atrasa o enfrentamento.

“A resposta precisa combinar prevenção desde cedo, ambientes alimentares mais saudáveis, incentivo à atividade física, redução do estigma e acesso real ao diagnóstico e ao tratamento quando necessário”, reforça o presidente da Abeso, Fábio Trujilho.

Cristo Redentor em roxo

Na semana que marca a data, a Abeso, ao lado da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e do Consórcio Cristo Sustentável, promove uma cerimônia no Santuário Cristo Redentor, no Rio de Janeiro (RJ), na quinta-feira, 5 de março, às 20h30, para ampliar a mobilização em torno do tema. O monumento será iluminado em roxo como marco de conscientização.

Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, iluminado na cor roxa em alusão ao Dia Mundial da Obesidade, 4 de março
Cristo Redentor ficará na cor roxa amanhã, 5, às 20h30, em alusão ao Dia Mundial da Obesidade - Divulgação/Abeso

A iniciativa faz parte da campanha do Dia Mundial da Obesidade, organizada pela WOF que, neste ano, tem como tema 8 bilhões de razões para agir contra a obesidade. A proposta da entidade é reunir toda a população em torno do assunto, focando particularmente nas comunidades mais vulneráveis, sobretudo as crianças, diz a organização.

Segundo Trujilho, que também preside a Federação Latino-Americana de Obesidade (FLASO), apoiadora da iniciativa, iluminar um dos principais cartões postais do País é uma forma de "transformar um tema muitas vezes restrito a consultórios e estatísticas em um sinal visível, capaz de colocar a pauta no centro da conversa pública".

A obesidade costuma ser naturalizada, diluída em rotinas urbanas, alimentação ultraprocessada, sedentarismo e falta de tempo. Nosso objetivo é mostrar que não se trata de um tema periférico, mas de uma doença que dá sinais na infância, atravessa a adolescência e ganha escala na vida adulta, com reflexos também na gestação e na velhice”.

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Gostou? Compartilhe

Últimas Notícias