Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

Obesidade cresce em pessoas 50+; Brasil acompanha tendência global

Envato

Hábitos e ambiente obesogênico elevam risco de obesidade no Brasil - Envato
Hábitos e ambiente obesogênico elevam risco de obesidade no Brasil
Por Bárbara Ferreira

18/02/2026 | 17h29

São Paulo, 18/02/2026 - No Brasil, a obesidade cresceu em pessoas com mais de 50 anos, segundo o Ministério da Saúde. De acordo com o diretor da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica), Alexandre Hohl, a população do País está envelhecendo e “a obesidade deixou de ser um fenômeno predominantemente só do adulto jovem”

Leia também: Ultraprocessados viciam como cigarro, aponta estudo de universidades dos EUA

Os fatores de risco acompanham a obesidade, mas, na população acima dos 55 anos, coexistem com fragilidades da idade. Segundo o médico, a obesidade cresce ao longo da vida e atinge um pico, comumente, no adulto de meia-idade, no entanto, essa incidência elevada tem continuado no idoso. Hohl também é diretor do Departamento de Endocrinologia Feminina, Andrologia e Transgeneridade (Defat) da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

A obesidade em pessoas de 55 a 64 anos passou de 18% da população nesta faixa de idade em 2006 para 26,7% em 2024. Em pessoas com 65 anos ou mais, subiu de 16,1% para 22,8%. Os dados são do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2024. Segundo Hohl, estamos entrando na era da obesidade do envelhecimento.

Para Flávia Coimbra, endocrinologista e diretora da SBEM, a obesidade nessa fase pode ser reflexo de longo prazo. “Essas pessoas carregam anos de vida de hábitos alimentares inadequados, de sedentarismo”, afirma. Além disso, o metabolismo de pessoas idosas é mais lento e há dificuldade de exercício e mobilidade, em muitos casos, o que favorece o acúmulo de gordura.

Segundo a World Obesity Federation, serão cerca de 1 bilhão de adultos com obesidade no planeta até 2030, o que mostra como o Brasil acompanha uma tendência mundial. 

Leia também: Câncer em pessoas idosas exige tratamento personalizado, alerta oncogeriatra

Obesidade como termômetro social

"A obesidade funciona como um termômetro social", explica Coimbra. Segundo ela, o Brasil é um ambiente obesogênico no momento, indicando que há um consumo calórico superior ao gasto energético, resultado de fatores que vão além da escolha individual.

Ela defende que a obesidade não é apenas um problema médico, mas um problema econômico e urbano. O próprio ambiente favorece o ganho de peso com a disponibilidade e acessibilidade de ultraprocessados, jornadas de trabalho exaustivas e muito tempo de tela. “É um problema individual, mas também precisamos que os órgãos governamentais nos apoiem”, afirma.

Leia também: Alongamento pode aumentar longevidade e garantir autonomia para 50+

A médica defende que políticas públicas precisam ir além da orientação individual. Cita a taxação de bebidas açucaradas, redução da publicidade de ultraprocessados para crianças, melhoria na rotulagem de alimentos e incentivo a ambientes que favoreçam a prática de atividade física, como ruas seguras, iluminação pública adequada e ciclovias.

Uma população obesa costuma indicar pouco tempo livre, alimentação industrializada, transporte motorizado, além de um grau de estresse crônico e desigualdade social."

Paradoxo da longevidade

Embora o número de pessoas obesas no País tenha quase dobrado nos últimos 18 anos, recentemente observa-se uma certa estabilidade na porcentagem de obesidade entre adultos de 55 a 64 anos, que desde 2020 se mantém em 26%. Essa faixa etária é a única que apresenta estabilidade em todo o Brasil.

De acordo com Hohl, esse dado não pode passar uma falsa impressão de melhoria no cenário, que ainda é preocupante, pois os problemas se somam: obesidade, diabetes, hipertensão, o que aumenta muito o risco cardiovascular. 

Leia também: Longevidade: veja 5 aplicativos que ajudam idosos a cuidar da saúde

É possível tratar a obesidade depois dos 55

Apesar do avanço dos índices, os especialistas reforçam que mudanças de estilo de vida ainda trazem benefícios. “Nós não desistimos de cuidar de pessoas com obesidade, independente de ter 30, 50 ou 70 anos”, afirma Hohl. Ele destaca que é possível melhorar padrões alimentares, incorporar atividade física e, quando necessário, utilizar medicamentos aprovados para tratamento do sobrepeso e da obesidade, sempre com indicação médica.

Flávia Coimbra também ressalta que a perda de peso corporal já reduz significativamente o risco de doenças associadas, como diabetes, hipertensão e infarto. Segundo ela, o treinamento de força pode recuperar massa muscular em qualquer idade. “O organismo mantém a capacidade de melhora metabólica mesmo quando fica mais velho”, afirma.

“É preciso uma força-tarefa”, complementa Hohl. Segundo ele, além de mudanças no estilo de vida, o tratamento deve envolver equipe multidisciplinar, com médicos, nutricionistas, educadores físicos e psicólogos.

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Gostou? Compartilhe

Últimas Notícias