Terras raras, Lei Rouanet, Guerra no Irã: veja o que caiu no 1º dia do Enem
Também apareceram temas clássicos, como escravidão, indígenas, ditadura militar e mudanças climáticas, afirmam professores que fizeram a prova
Por Estadão Conteúdo
08/11/2026 | 17h11TABA BENEDICTO/ESTADÃO CONTEÚDO
No primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizado em 8 de outubro, os candidatos enfrentaram questões sobre temas atuais como a Guerra no Irã e a exploração de terras raras, além de tópicos clássicos como escravidão e mudanças climáticas, refletindo a relevância social e política desses assuntos.
Com mais de 5 milhões de inscritos, o Enem é crucial para o acesso a universidades no Brasil, e a prova deste ano incluiu discussões sobre a tensão geopolítica e a gestão de recursos minerais, evidenciando a importância estratégica de nações emergentes como o Brasil.
O tema da redação foi a 'Valorização do SUS como direito universal', e a prova abordou também questões sobre feminismo, povos indígenas e legislação contemporânea, com a expectativa de que o próximo domingo traga questões de Matemática e Ciências da Natureza.
São Paulo - Professores de escolas e cursinhos pré-vestibular que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste domingo, 8, relatam que as questões do primeiro dia de prova trataram de temas atuais e bastante presentes no noticiário, como a Guerra no Irã, as disputas por terras raras, o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) digital e a Lei Rouanet. Também apareceram temas clássicos, como escravidão, indígenas, ditadura militar e mudanças climáticas.
Os conteúdos do teste ainda não foram divulgados pelo Ministério da Educação (MEC). O Inep, órgão responsável pela prova, confirmou apenas que o tema da redação foi a “Valorização do SUS como direito universal”.
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Neste primeiro dia, os candidatos responderam a perguntas de Linguagens e Ciências Humanas. No próximo domingo, 15, será a vez de Matemática e Ciências da Natureza. O Enem é a principal porta de entrada para universidades públicas e privadas do País. Neste ano, foram mais de 5 milhões de inscritos.
Atualidades abordadas na prova
“As atualidades também marcaram presença, principalmente na abordagem da tensão geopolítica entre Estados Unidos e Irã e da importância estratégica do Estreito de Ormuz”, explicou Stephanie Oliveira, professora de Geografia do Elite Rede de Ensino.
“Outro destaque foi a discussão sobre a exploração e a gestão das terras raras, colocando a China, o Brasil e outros países emergentes no centro dos debates sobre os recursos minerais estratégicos e as disputas econômicas e geopolíticas contemporâneas”, continua.
Essa questão, considerada uma das mais difíceis da prova, tratava do fortalecimento do poder de negociação de nações emergentes, incluindo o Brasil, diante da descoberta e exploração desses recursos minerais.
“Vários temas que apareceram no debate eleitoral”, comenta Raphael Kapa, orientador pedagógico do Ensino Médio do Colégio Andrews, do Rio de Janeiro. Organizadores do Enem afirmam, porém que a prova é elaborada com meses de antecedência. Por isso, apesar do esforço de trazer temas atuais, não é possível incluir fatores nas semanas que antecedem o vestibular.
A temática ambiental foi explorada em múltiplos itens. “Uma das abordagens chamou atenção para o fato de que a própria economia verde, a exemplo da expansão da energia solar, também pode produzir novos impactos ambientais, demonstrando que as alternativas energéticas consideradas sustentáveis não estão isentas de contradições”, descreve Stephanie Oliveira, professora do Elite.
Outra questão abordou o exemplo de Atafona, no litoral do Rio de Janeiro, um dos símbolos do avanço da erosão costeira e da crise climática no Brasil.
“O papel das mulheres ao longo da história e o feminismo, além da presença dos povos indígenas, com discussões sobre território e preservação cultural. Também tivemos questões sobre o cristianismo e sua relação com a sociedade e duas sobre a ditadura militar, abordando a queda do regime e a crise econômica do período”, afirma Pedro Zonta, professor de História da Escola SEB Lafaiete AZ.
“O exame passeou com fluidez por eixos fundamentais: a legislação contemporânea, como o trecho do ECA Digital, os impactos tecnológicos, com a charge sobre inteligência artificial, as dinâmicas socioeconômicas, como a relação entre dinheiro e o futebol, a temática da desigualdade sofrida por mulheres nas ciências, o uso de expressões capacitistas e o infográfico explicativo sobre a Lei Rouanet”, afirmou Eloise Genaio, professora de Linguagens e Redação do Elite Rede de Ensino.
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