CONFIRA

Buchecha resgata nostalgia do funk anos 90 e fala de Claudinho: 'Meu irmão'

Aos 51 anos, o cantor e compositor se une a MC Koringa para um show com hits que celebra o funk; a estreia é neste sábado, 31, no Qualistage, no Rio

Adriana Del Ré

Por Adriana Del Ré

31/10/2026 | 08h00

Divulgação

No palco, Buchecha vai relembrar os sucessos de sua parceria com Claudinho - Divulgação
No palco, Buchecha vai relembrar os sucessos de sua parceria com Claudinho
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Buchecha, da famosa dupla com Claudinho, apresenta o novo show 'O Baile é Nosso', ao lado de MC Koringa, que estreia no Rio de Janeiro, marcando uma nova fase em sua trajetória musical.

O projeto visa resgatar a nostalgia do funk carioca, apresentando um repertório que inclui clássicos da dupla e novos sucessos, com a participação de diversos artistas convidados.

Buchecha planeja levar o show por todo o Brasil, buscando conectar-se com o público que sente saudade dos tempos passados e da música ao vivo.

Resumo gerado por IA

São Paulo - O sorriso largo de Buchecha ainda nos transporta para os anos 1990, quando ele começou a fazer sucesso nos palcos, nas rádios e nos programas de TV ao lado de seu grande amigo Claudinho. Esse sorriso, essa alegria se tornaram uma das marcas da dupla. Como Claudinho e Buchecha, emplacaram hits memoráveis como "Nosso Sonho" e "Conquista", com uma química única e uma fórmula musical cativante, entre o funk melody e o pop romântico. 

Buchecha e MC Koringa estão lado a lado, usam camisa preta, óculos e boné
Buchecha e MC Koringa se unem no palco do show "O Baile é Nosso"- Divulgação

Quando Buchecha ficou sem Claudinho, com a morte do amigo em um acidente de carro, em 2002, o cantor e compositor se recolheu. Depois, decidiu retomar a carreira, mas sozinho dali por diante. Após 24 anos de um recalculo de rota dolorosamente obrigatório, Buchecha criou o show “O Baile é Nosso” em dupla com MC Koringa, que estreia neste sábado, 31, no Qualistage, no Rio de Janeiro.

O projeto deve rodar o Brasil e talvez seja a primeira vez nesses anos todos que o cantor voltará a fazer uma dupla mais duradoura em cima do palco. Mas nada será como antes. 

"Claudinho é insubstituível. Era um irmão, para além de ser um grande companheiro e um grande artista. Ele gostava de deixar claro que me amava, em um momento que eu ainda não conseguia verbalizar isso. Ele falava o tempo todo: 'Eu te amo'"
Buchecha, cantor e compositor

Em “O Baile é Nosso”, ao lado do amigo Koringa, outro nome importante do funk carioca, ele vai receber uma série de convidados, como MC Sinistro, Mano Teko, Danda MC, MC Serginho, Ceejay (seu filho), entre outros. Os dois vão resgatar um repertório nostálgico, que inclui "Nosso Sonho" (que está atualmente na trilha da novela "Por Você" ) e "Quero Te Encontrar", de Buchecha, e "Dança Sensual" e "Pra Me Provocar", de MC Koringa. 

O cantor já tinha iniciado essa nova era com o disco de inéditas "Liberta, Dj - Vol 1", lançado em setembro, também com várias participações. 

VIVA Entrevista

Aos 51 anos, Claucirlei Jovêncio de Souza, o Buchecha, nascido em São Gonçalo, no Rio, conversa com o VIVA sobre nostalgia, novos projetos e seu amor eterno pelo amigo Claudinho.  

Como nasceu o projeto “O Baile é Nosso” com o MC Koringa para celebrar o funk?

Está acontecendo uma movimentação retrô não só no funk. Começou no samba, se não me engano, depois se estendeu ao sertanejo, com as novas duplas regravando os grandes clássicos. Aí me senti meio que na obrigação de lançar um álbum com participações e, junto a isso, fazer um baile com esse apelo retrô, de atrair as pessoas para esse tipo de evento, para dançar.

Eu e o Koringa tivemos uma reunião, e os pensamentos e as intenções eram iguais. A gente fez “O Baile é Nosso”, que, no dia 31, vai acontecer nos moldes que a gente imaginou lá atrás. A gente está levando uma gama de convidados também que vai ajudar a contar essa história. São artistas que ajudaram a fazer a fundação do funk nacional.

A ideia é seguir com esse projeto?

Exatamente, é seguir com esse projeto pelo Brasil afora, porque acho que tem muita gente também com saudade. Por isso, todo esse movimento retrô, porque tem muita gente saudosista como nós. Sabe o que que acontece muito comigo? Às vezes, eu posto umas coisas de Claudinho e Buchecha, e aparece a galera da minha idade falando: "como a gente era feliz e não sabia”. O pessoal também sempre comenta: "quando vai ter um baile?”. Então, isso também dá um norte de como a gente vai elaborar um projeto como “O Baile é Nosso”. 

O que acha que fortalece essa onda de nostalgia?  

Não sei precisar, mas acho que é um conjunto de coisas. Primeiro porque somos afetivos, somos seres que precisamos do toque, do afeto, do carinho, das manifestações orgânicas e reais. E estamos em épocas de IA, onde tudo é muito digitalizado, muito formatado. Hoje a música já é feita com IA, com robô. A maioria das coisas hoje que a gente vive está tudo automatizado. Acredito que a tendência é de todos nós buscarmos o que foi, os tempos idos, porque, de alguma forma, isso faz nos mantermos vivos. Vamos buscar na memória, naquilo que está registrado. Isso acontece através de fotos, de pesquisas e da música também. E a música fala com muito mais perspicácia no sentido da emoção, porque fala com a mente, mas também com o coração.

Depois que o Claudinho partiu, você decidiu pela carreira solo, por considerá-lo insubstituível. Com o Koringa agora, vai ser a primeira vez que você vai voltar a ter um parceiro de palco de uma forma mais constante?

Claudinho e Buchecha estão com as mãos pra frente, como se convidassem a quem está vendo a foto ir até eles
Capa do disco "Destino", de Claudinho e Buchecha - Reprodução

Acho que ele, neste momento, preenche esse lugar de ter alguém no palco comigo, dividindo as vozes. Por mais que cada um vá defender o seu repertório no palco, em alguns momentos vamos estar juntos dividindo a música, dividindo o repertório, dividindo o palco. Então, por um breve momento acredito que sim. Mas você falou uma frase que, de fato, sempre deixei explícito: o Claudinho é insubstituível. Era um irmão, para além de ser um grande companheiro e um grande artista.

Tive que seguir sozinho quando ele nos deixou. De lá para cá tive grandiosíssimos parceiros. E da minha família, o meu filho que está sempre comigo no palco, fazendo shows, fazendo os coros. Ele compõe, minha filha também. Tanto o Ceejay quanto a Giulie são atores, dubladores, cantores e compositores. Mas o Claudinho tem um lugar especial. Ele foi um grande irmão, além de ser o grande responsável para a formação da dupla.

Em que momentos o Claudinho vem na sua mente? Algumas ocasiões em especial? 

A pergunta é quando ele não vem na memória. Porque é o tempo todo. Acho que toda vez que eu canto alguma música, principalmente as que a gente defendia, ou quando acontece alguma coisa que me faz lembrar dele. A maneira como ele me defendia, a maneira como ele gostava de deixar claro que me amava, em um momento que eu ainda não conseguia verbalizar isso. Ele falava o tempo todo: "Eu te amo, te amo". Eu não conseguia verbalizar isso, nem com a minha mãe, com o meu pai. Fui criado dessa forma. Isso tudo era muito estranho, muito difícil.

Quando ouço alguém falar "Eu te amo", lembro desse rapazinho falando isso para mim em um momento que era tão incomum. Hoje pode ser que seja mais fácil se eu ouvir isso, mas, lá nos anos 80, 90, não era tão comum os jovens falarem essa frase, pelo menos de homem para homem, e dentro da comunidade, da favela. E o homem também pode se abrir, porque às vezes a gente guarda muito. Vale a pena verbalizar seus sentimentos, porque isso também é coisa de homem, sim.

Você lançou o disco "Liberta, Dj - Vol 1.", em setembro, mais de uma década depois do álbum "Adesivo", de 2014. O que levou a esse hiato entre discos de inéditas?

A principal dificuldade que tive para lançar um álbum logo após o "Adesivo" foram as mudanças das mídias, da forma como se trabalha a música hoje em dia. Como se expõe, como se comunica com o público, como se divulga. Tudo isso foi uma incógnita muito grande para mim. A gente é de uma época do vinil, do CD, e até do MD (MiniDisc), mas eram todos dispositivos físicos. Esse formato foi totalmente alterado com a chegada da internet, das redes sociais.

Então, confesso que demorei um pouco a aderir aos novos métodos. E até hoje tenho um pouco ainda de dificuldade. A gente não muda assim, a gente vai aprendendo com tempo. Não sei tudo ainda, mas já sei melhor do que eu sabia há 10 anos. Também não dá para um artista que já tem um legado, modéstia à parte, sair gravando um álbum só gravar. Tem que ter aquilo que sempre me motivou que é esse entusiasmo.

São 51 anos de idade e mais de 30 de carreira. O que a chegada à maturidade trouxe de clareza nas suas escolhas pessoais e profissionais?

Buchecha usa boné amarelo e jaqueta preta e óculos
Buchecha também lançou disco de inéditas - Divulgação

Sempre fui um cara mais feliz para dentro, nunca fui muito exibicionista das minhas conquistas nem das minhas tristezas, nem das minhas alegrias. Acredito que ainda mantenho isso, porém hoje tenho uma visão mais clara do mundo. Quando a gente é jovem, é tudo mais pelo impulso, é sempre coração. Acho que hoje coloco isso no seu devido lugar e respeito muito mais o jeito de ser de cada um, a forma como cada um lida com a dor, com a alegria, com sua forma de ser.

Sempre fui um cara respeitador, mas acredito que, quando a gente é jovem, a gente 'incompreende' mais do que qualquer coisa. Então, às vezes na minha família, com meu saudoso pai, com minha mãezinha, eu tinha muito mais questionamentos que hoje eu mesmo já respondo porque também sou pai. Isso me dá um parecer muito mais compreensivo com o meu próximo, com toda sociedade. 

Serviço:

  • Buchecha e MC Koringa em "O Baile É Nosso”
    Data: Sábado, 31 de outubro, às 21h30
    Local: Qualistage 
    Endereço: Av. Ayrton Senna, 3.000, Via Parque Shopping, Barra da Tijuca, RJ
    Ingressos: A partir de R$ 75
    Vendas online: Site do Qualistage 
    Vendas na bilheteria: Hoje e amanhã, das 11h às 20h

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