Assédio sexual atinge 18,5% dos estudantes de 13 a 17 anos, aponta IBGE
Fernando Frazão/Agência Brasil
São Paulo - Em 2024, 18,5% dos estudantes de 13 a 17 anos relataram já ter sofrido assédio sexual alguma vez na vida, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada nesta quarta-feira, 25, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento reúne dados de adolescentes que afirmaram ter sido tocados, manipulados, beijados ou expostos contra a própria vontade. Os dados mostram maior incidência entre meninas: do total, 26% das estudantes relataram esse tipo de violência, mais que o dobro do registrado entre meninos, com 10,9%.
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A pesquisa, realizada em parceria com o Ministério da Saúde e com apoio do Ministério da Educação, foi realizada em 2024 com estudantes de 13 a 17 anos, do 7º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, em escolas públicas e privadas.
A maioria dos entrevistados está na rede pública, que concentra 84,3% da amostra. No comparativo com a PeNSE 2019, houve aumento de 3,8 pontos percentuais no total de adolescentes que relataram assédio sexual.
Entre as meninas, o crescimento foi de 5,9 pontos percentuais. Entre estudantes da rede pública, a alta foi de 4,2 pontos percentuais.
O percentual também é maior entre adolescentes mais velhos: 20,9% dos jovens de 16 a 17 anos relataram já ter sofrido assédio. Na faixa de 13 a 15 anos, o índice foi de 17,1%.
A pesquisa também aponta que cerca de 1,1 milhão de adolescentes relataram já ter sofrido relação sexual forçada. Na maioria dos casos, a violência ocorreu até os 13 anos de idade.
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Início da vida sexual
O levantamento indica que os adolescentes estão iniciando a vida sexual mais tarde. Em 2024, 30,4% dos estudantes afirmaram já ter tido relação sexual, contra 35,4% em 2019.
Entre os que já tiveram relação, 61,7% disseram ter usado preservativo na primeira vez. O dado indica que uma parcela significativa não utilizou proteção.
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A pesquisa também mostra que uma em cada três adolescentes sexualmente ativos já usou a pílula do dia seguinte. Entre as meninas, 121 mil relataram já ter engravidado, o equivalente a 7,3% das que iniciaram a vida sexual.
A maioria desses casos ocorreu entre estudantes da rede pública, totalizando 98,7%.
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