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Até 2085, um em cada três latino-americanos terá mais de 65 anos, diz BID

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Até 2085, América Latina e Caribe serão a primeira região do mundo onde 1 em cada 3 habitantes terá 65 anos ou mais - AdobeStock
Até 2085, América Latina e Caribe serão a primeira região do mundo onde 1 em cada 3 habitantes terá 65 anos ou mais
Por Bianca Bibiano

11/09/2026 | 14h39

São Paulo - Até 2085, a América Latina e o Caribe se tornarão a primeira região do mundo onde um em cada três habitantes terá 65 anos ou mais. A transição demográfica ocorre em ritmo acelerado e impõe às economias latino-americanas uma janela de tempo substancialmente menor para adaptar suas estruturas de proteção social do que a disponível no passado para as nações desenvolvidas.

O alerta foi feito por Marcia Cristina Rocha, especialista em saúde do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em palestra hoje no encerramento da Conacare Internacional 2026, evento integrado à programação da Geronto Fair Online. Segundo a especialista, o desafio central da região ultrapassa a simples extensão da expectativa de vida: a prioridade estratégica precisa ser a garantia de anos adicionais vividos com saúde, autonomia e estabilidade financeira.

Os três pilares do envelhecimento, segundo BID

captura de tela do evento Geronto Fair Online
Reprodução/Youtube/@emotionTV

Rocha disse, com base nas conclusões do relatório "Envelhecer na América Latina e Caribe", publicado pelo BID, que a qualidade de vida na população idosa depende da integração sistêmica entre três vertentes essenciais:

  • Proteção de renda: Garantida por redes previdenciárias contributivas e não contributivas para erradicação da pobreza extrema.
  • Atenção à saúde: Mecanismos de cobertura universal que preservem a capacidade funcional e previnam despesas médicas catastróficas.
  • Cuidados de longa duração: Serviços estruturados para idosos com dependência funcional, aliviando o impacto financeiro e emocional sobre famílias e cuidadores.
Países que articulam com eficácia esses três eixos proporcionam até seis anos adicionais de vida saudável à sua população idosa na comparação com aqueles de baixa proteção".

Desafios previdenciários na América Latina

Ainda segundo Rocha, nas últimas duas décadas, a parcela de idosos com acesso a aposentadorias subiu de 46% para 67%. No entanto, a sustentabilidade financeira dos sistemas previdenciários permanece sob pressão: apenas 42% da força de trabalho e menos de 30% da população economicamente ativa realizam contribuições regulares à previdência social.

Diante do elevado índice de informalidade, os governos locais têm recorrido à expansão de benefícios não contributivos para cobrir a população desassistida. Contudo, os valores pagos variam de forma acentuada entre as nações do bloco, exemplifica:

  • Benefícios mais elevados: Em países como Brasil, Colômbia, El Salvador, Paraguai e Uruguai, os proventos médios de aposentadoria ultrapassam 50% dos salários médios nacionais.
  • Benefícios defasados: Em economias como Bolívia, Chile e Peru, a renda paga aos aposentados fica abaixo da marca de 30% da média salarial do país.

A informalidade cria um ciclo vicioso direto no mercado de cuidados: trabalhadores não formalizados assumem funções de cuidadores de familiares idosos sem remuneração ou proteção trabalhista, o que compromete sua própria capacidade contributiva e perpetua a ausência de benefícios previdenciários no futuro.

Sobrecarga na saúde e dependência funcional

O perfil epidemiológico regional mostra ainda um avanço das doenças crônicas não transmissíveis, relatou Marcia Rocha. Ela ressaltou que, "na ausência de intervenções focadas em fatores de risco, como tabagismo, consumo excessivo de álcool, sedentarismo e alimentação inadequada, a incidência de limitações físicas e cognitivas tende a se elevar rapidamente."

Atualmente, um morador da América Latina passa, em média, 10,3 anos de sua vida convivendo com doenças ou incapacidades funcionais."

Entre a população com mais de 65 anos, cerca de 14,4% já vive em condição de dependência de terceiros para realizar atividades diárias básicas. Essa taxa atinge 20% ao se analisar a faixa etária acima dos 80 anos.

Argentina, Chile, Costa Rica e Uruguai figuram hoje no topo do índice regional de proteção social formulado pelo BID. No entanto, mesmo as nações mais bem posicionadas enfrentam lacunas estruturais na regulamentação e oferta pública de cuidados continuados de longa duração, modalidade ainda predominantemente informal em todo o continente, finalizou a especialista.

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