Quase metade da população das Américas vive com alguma doença neurológica
OMS/Rajiv Kumar
São Paulo - Um estudo da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), publicado no periódico científico The Lancet, aponta que duas em cada cinco pessoas das Américas vivem com pelo menos uma doença neurológica não transmissível ou relacionada a lesões.
O levantamento estima que cerca de 470 milhões de pessoas sejam afetadas por condições que vão desde enxaqueca até acidente vascular cerebral (AVC), passando por epilepsia, alguns transtornos e doença de Alzheimer.
Segundo a pesquisa, que considerou dados entre 1990 e 2023 de 38 países e territórios das Américas, incluindo o Brasil, as demências estão entre os distúrbios neurológicos que mais afetam a população idosa, com destaque para o Alzheimer. Já entre adolescentes e jovens adultos, a enxaqueca aparece como uma das principais causas de incapacidade.
Entre as 19 doenças neurológicas não transmissíveis analisadas pela Opas, a pesquisa inclui:
- Distúrbios congênitos e do neurodesenvolvimento
- Doenças cerebrovasculares e neurodegenerativas
- Infecções neurológicas
- Distúrbios neuroimunológicos
- Distúrbios neuromusculares ou do sistema nervoso periférico
- Lesões cerebrais traumáticas
- Cânceres do sistema nervoso
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Impacto das doenças neurológicas na população
De acordo com o estudo, os distúrbios neurológicos ou condições do sistema nervoso podem afetar indivíduos ao longo da vida ao alterar o desenvolvimento cerebral, lesionar o cérebro, a medula espinhal ou os nervos periféricos, e comprometer funções cognitivas, sensoriais, socioemocionais, motoras e comportamentais.
Em nota publicada pela Organização das Nações Unidas (ONU), o principal autor do estudo, Ramón Martínez, disse que “cada vez mais pessoas sobrevivem a distúrbios neurológicos, mas também vivem mais tempo com suas consequências”. Nesse sentido, ele destacou que os sistemas de saúde precisam se preparar para atender às necessidades crescentes de reabilitação, cuidados de longa duração e serviços de apoio destinados a pessoas com deficiência.
Controlar a pressão arterial ajuda a prevenir doenças neurológicas
Segundo os pesquisadores, parte dos distúrbios neurológicos são reconhecidos entre as doenças não transmissíveis e evitáveis. Dentre os tipos analisados, muitos compartilham fatores de risco comuns e modificáveis, como o uso de tabaco, o consumo prejudicial de álcool, a alimentação inadequada e a inatividade física, além de riscos metabólicos como a hipertensão, a obesidade e a hiperglicemia. "Esses fatores de risco impulsionam, de forma semelhante, diversos distúrbios neurológicos", aponta o texto.
Os pesquisadores também identificaram a exposição a fatores ambientais, especialmente ao chumbo e à poluição do ar, como elementos relevantes para a ocorrência de diferentes doenças neurológicas.
Segundo o neurocirurgião do Hospital Quali Ipanema, Orlando Maia, a relação entre hipertensão e AVC está diretamente ligada aos efeitos que a pressão elevada pode provocar nos vasos sanguíneos ao longo do tempo.
“Quando a pressão permanece elevada por muito tempo, as paredes das artérias sofrem um desgaste progressivo. Esse processo favorece o endurecimento e o estreitamento dos vasos, além de aumentar o risco de formação de coágulos ou até mesmo de rompimento de uma artéria cerebral. O resultado pode ser um AVC isquêmico, causado pela interrupção do fluxo sanguíneo, ou um AVC hemorrágico, provocado pelo sangramento dentro do cérebro”, alerta.
O médico ressalta que controlar a pressão arterial a pressão arterial não significa apenas evitar números altos no aparelho de medir pressão. "Significa reduzir o risco de lesões que podem comprometer a memória, a fala, os movimentos e a independência da pessoa", afirma.
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