Dino bloqueia R$ 119 milhões de Valdemar por esquema de emendas paralelas
Valter Campanato/Agência Brasil
São Paulo - O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, determinou o bloqueio de até R$ 119,2 milhões em bens de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL. A medida se deu após um pedido da Polícia Federal que investiga um suposto esquema ilegal de controle de emendas orçamentárias.
Leia também
A decisão judicial também suspendeu a execução de 21 emendas ligadas ao dirigente, que por não possuir mandato no Congresso Nacional não poderia ordenar a destinação de verbas públicas.
A investigação da PF teve como base mensagens e planilhas extraídas do celular de Mariângela Fialek, ex-assessora de Arthur Lira durante sua gestão na presidência da Câmara. Os dados revelaram a existência de uma estrutura informal e paralela para gerenciar recursos públicos, na qual parlamentares do PL eram registrados de forma fictícia como autores dos pedidos para dar aparência de legalidade às ordens de Valdemar.
Em nota, a defesa de Valdemar Costa Neto manifestou surpresa e criticou a medida, afirmando que a investigação se baseia em conjecturas frágeis e promove uma criminalização indevida da atividade partidária. Já a defesa de Mariângela Fialek declarou que a atuação da ex-assessora era estritamente técnica, limitando-se a organizar as demandas institucionais da Presidência da Casa e das lideranças partidárias.
Apoio de servidores
O montante investigado compreende verbas empenhadas ou repassadas entre 2024 e 2025, direcionadas principalmente para áreas de saúde e turismo em prefeituras paulistas. O esquema contava com o apoio operacional de servidores da Câmara, que ignoravam barreiras técnicas para garantir o cumprimento dos interesses políticos do dirigente.
Diante dos indícios de associação criminosa e desvio de dinheiro público, o ministro Flávio Dino determinou que o atual presidente da Câmara, Hugo Motta, envie ao STF toda a documentação das emendas citadas no prazo de dez dias.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.