Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

Imagens criminosas: por que ainda circulam nas redes sociais ?

Adobe Stock

Apesar da legislação severa, videos proibidos ainda circulam livremente nas redes sociais - Adobe Stock
Apesar da legislação severa, videos proibidos ainda circulam livremente nas redes sociais
Por Marcel Naves

04/05/2026 | 18h30

São Paulo - A  veiculação de vídeos com atos ou de apologia ao crime em redes sociais levanta um questionamento inevitável: em uma era dominada por algoritmos e inteligência artificial, como conteúdos tão explicitamente ilegais ainda conseguem ser exibidos nas redes sociais? 

Para a especialista em tecnologia e professora de marketing da ESPM Priscila Milk, a resposta está principalmente na ausência de uma regulamentação que obrigue as big techs a agirem.

Leia também: Quarto adolescente envolvido em estupro coletivo de crianças é apreendido

Algumas ferramentas já conseguem entender o contexto de um conteúdo com precisão. Prova disso é que profissionais de social media são frequentemente barrados por algoritmos, ao tentarem subir conteúdos comerciais inofensivos que infringem regras leves. Não faz sentido as plataformas terem filtros tão sensíveis para o marketing e permitirem que estes crimes passem." 

O exemplo europeu e a "farra" brasileira

Ao comparar a experiência do Brasil com outros países europeus, como o Reino Unido, a especialista aponta uma grave diferença de postura governamental.  Segundo ela, na  Europa, a regra é do Estado, e as empresas precisam se adaptar a ela. No Brasil, contudo, Milk destaca que o controle ainda está excessivamente nas mãos das empresas privadas.

"Se as plataformas já se adaptam às regras rígidas da Europa, por que quando chegam ao Brasil é essa farra? O País é nosso, as regras deveriam partir de uma liderança interna, e não de sugestões às plataformas", afirma.

Uma deep web popular

Se de um lado há a publicação de conteúdos proibidos, de outro existe o acesso facilitado e permitido para qualquer um. Milk descreve essa situação como uma "deep web dentro da web aberta”, onde o conteúdo circula em grupos de Telegram, por exemplo, atingindo milhares de pessoas.

Isso, no entanto, também ocorre em plataformas que, sob o pretexto da liberdade de expressão, segundo ela, afrouxam seus critérios de moderação.

Leia também: PF faz ação em todo o País contra abuso sexual de crianças e adolescentes

Episódio recente

No fim de semana, o caso que vitimou dois irmãos de 7 e 11 anos, ganhou grande repercussão. O crime ocordido na zona leste de São Paulo, teve início quando os meninos, após serem atraídos por um grupo de agressores sob o falso pretexto de empinar pipas, acabaram submetidos a um estupro coletivo.

A reviravolta na investigação ocorreu, porque os próprios criminosos registraram os abusos em vídeo. Essas imagens começaram a circular de forma viral em grupos de mensagens e redes sociais, chegando ao conhecimento da irmã de uma das vítimas.

Ao reconhecer o irmão nas filmagens, a família acionou imediatamente a Polícia Civil.Com o material em mãos, a polícia utilizou as imagens para identificar os rostos dos envolvidos e o cenário onde tudo ocorreu.

O crime perante a lei

A advogada criminalista Nicolle Scaramuzza ressalta que no ordenamento jurídico brasileiro, especialmente à luz do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), tanto quem grava quanto quem armazena ou compartilha conteúdos de violência sexual envolvendo crianças ou adolescentes responde criminalmente com penas severas.

Aquele que grava, filma, fotografa ou, por qualquer meio, registra cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente responde pelo crime previsto no artigo 240 do ECA, cuja pena é de reclusão de quatro a oito anos, além de multa."

Scaramuzza esclarece que é fundamental compreender que qualquer forma de envolvimento com esse tipo de material — seja na produção, armazenamento ou na divulgação —, representa uma grave violação dos direitos fundamentais passivo de duras penas previstas em lei.

O poder público

As autoridades brasileiras, fundamentadas em decisões recentes do STF e na vigência do ECA Digital (Lei nº 15.211/2025), adotam uma postura de responsabilização direta e rigorosa quanto à exibição de vídeos criminosos nas redes sociais.

Para o governo, a viralização deste tipo de imagem é tratada como uma extensão do crime original. Por isso, as empresas que falham na moderação estão sujeitas a sanções que incluem multas de até 10% do faturamento no Brasil ou o limite de R$ 50 milhões por infração.

Se proteja denunciando

Quando alguém se depara com vídeos de crimes nas redes sociais, a orientação dada por autoridades brasileiras é que não compartilhe e siga os seguites pontos:

  • Não repasse: Interrompa o ciclo de compartilhamento imediatamente.
  • Preserve a prova: Se possível, anote a URL (link) da postagem, o perfil de quem publicou e tire um print da tela. Isso ajuda a polícia a rastrear a origem.
  • Denuncie na plataforma: Utilize as ferramentas de denúncia da própria rede social.
  • Acione os canais oficiais: Encaminhe as informações para o Disque 100 (Direitos Humanos) ou para o portal da SaferNet, que trabalha em parceria com o Ministério Público para combater crimes cibernéticos.

Leia também: ECA digital exige aval judicial para pais lucrarem com influencers mirins

Ao agir dessa forma, você ajuda a polícia a chegar aos culpados através do "rastro digital" sem expor ainda mais as vítimas.

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Gostou? Compartilhe

Últimas Notícias