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Senado aprova PEC da Segurança Pública por 75 votos a 0

Texto reorganiza o sistema, amplia atribuições da PRF e cria mecanismos como polícias municipais e ouvidorias; matéria segue agora para promulgação

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Por Broadcast

03/11/2026 | 19h51 ● Atualizado | 20h04

Reprodução/TV Senado

Plenário do Senado votou a proposta em primeiro e segundo turno nesta terça-feira, 3 - Reprodução/TV Senado
Plenário do Senado votou a proposta em primeiro e segundo turno nesta terça-feira, 3
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O Senado aprovou em segundo turno a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, com 75 votos a favor e nenhum contra, que agora aguarda promulgação, representando uma vitória significativa para o governo Lula em suas metas para 2026.

A proposta reorganiza o sistema de segurança pública, ampliando as atribuições da Polícia Rodoviária Federal e permitindo a criação de polícias municipais, além de destinar mais recursos para a segurança, incluindo 10% do superávit do Fundo Soberano do Pré-Sal.

O presidente Lula anunciou a criação do Ministério da Segurança Pública, caso a PEC fosse aprovada, para coordenar ações contra facções criminosas.

Resumo gerado por IA

Brasília e São Paulo - O Senado aprovou nesta terça-feira, 3, em segundo turno, a Proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, uma das principais apostas do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para 2026. Foram 75 votos a favor e nenhum contra. O texto vai para promulgação, em data que ainda será definida.

O resultado representa uma vitória para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que encampou o texto e conseguiu barrar a tentativa da oposição de incluir uma redução da maioridade penal. Por 38 a 36, senadores aprovaram um requerimento para retirar da PEC a discussão da maioridade e deixar o tema para ser avaliado à parte, num momento posterior. O líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), queria estabelecer a redução da maioridade penal para 16 anos de forma geral e para 14 anos no caso de crimes hediondos.

O presidente Lula prometeu que, com a aprovação da PEC, criaria o Ministério da Segurança Pública. A ideia é que a pasta centralize a interlocução com os Estados na área e coordene medidas para um combate ainda mais efetivo em relação ao avanço de facções como o PCC e o Comando Vermelho.

Entre os nomes cotados para assumir a pasta, está o do promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).

O que diz a PEC

Apresentada pelo Executivo, a PEC 18/2025 reorganiza o sistema de segurança pública - com ampliação de atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF), por exemplo - e visa a fortalecer a integração entre as forças de segurança, sobretudo no combate ao crime organizado.

O texto permite a criação de polícias municipais, de ouvidorias autônomas e do Sistema de Políticas Penais, para melhorar a administração do sistema prisional brasileiro. Além da destinação de mais recursos para a área da segurança, com a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição.

As mudanças seriam um complemento ao projeto de lei Antifacção, sancionado em março deste ano pelo governo Lula. Após passar por uma série de revisões no Congresso, a legislação teve como enfoque o endurecimento de penas e a facilitação para o perdimento de bens em investigações relacionadas ao crime organizado.

O Senado manteve a destinação de 10% do superávit do Fundo Soberano do Pré-Sal para o setor.

A PEC da Segurança cria também um regime penal mais rigoroso e proporcional à posição hierárquica de líderes e integrantes de facções, organizações paramilitares e milícias, com previsão de prisão obrigatória em presídios de segurança máxima.

Outro ponto é que dá poder aos municípios para criarem suas próprias polícias comunitárias, uma vez que tenham “capacidade financeira” para custear a corporação, mas veda “a coexistência de órgão municipal de segurança pública com atribuições sobrepostas”.

Como vem mostrando o Estadão, tem havido uma tendência de municipalização da segurança pública no País. No ano passado, o número de guardas municipais superou o de polícias civis pela 1ª vez desde que as forças de segurança passaram a ter desenho parecido ao de hoje, no fim dos anos 1970. Com aumento de 12,9% no efetivo em dois anos, já são 107,5 mil agentes espalhados pelo País.

Com a PEC da Segurança Pública, a tendência é que a União também passe a ter mais protagonismo na área. Uma das propostas da PEC da Segurança Pública, por exemplo, está ligada à ampliação das atribuições da Polícia Federal e à autorização da Polícia Rodoviária Federal para atuar também em ferrovias e hidrovias federais.

Uso do fundo nacional para operações de GLO

Durante a votação, senadores aprovaram uma emenda do senador Carlos Portinho (PL-RJ) para autorizar o uso de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) para financiar operações das Forças Armadas em situações específicas, como em Operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

Segundo o autor, o objetivo é dar segurança jurídica ao financiamento de operações integradas entre as Forças Armadas e os demais órgãos de segurança pública, ampliando a capacidade de resposta do Estado ao crime organizado e a situações de calamidade.

A emenda ressalta que os recursos não seriam destinados à manutenção ordinária das Forças Armadas nem à ampliação permanente de suas atribuições.

Maioridade penal

O Senado deve votar nesta quarta-feira, 4, um requerimento para estabelecer um calendário especial para a proposta do governo sobre redução da maioridade penal - 16 anos para crimes graves e, no restante, manutenção de 18 anos.

Na prática, esse requerimento aceleraria o projeto do senador Camilo Santana (PT-CE) e permitiria que o conteúdo fosse votado no mesmo dia, sem passar por comissões.

(Por Naomi Matsui e Ítalo Lo Re)

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