Bobbie Goods e livro de ficção foram os mais lidos em 2025, segundo pesquisa
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São Paulo – Os livros de colorir e os de ficção foram os mais comprados em 2025, segundo a pesquisa Panorama do Consumo de Livros, iniciativa da Câmara Brasileira do Livro, com realização da Nielsen BookData. O levantamento mostrou também que 18% da população com 18 anos ou mais adquiriu ao menos um livro nos últimos 12 meses, um crescimento de dois pontos percentuais em relação a 2024, o que representa cerca de três milhões de novos consumidores no período.
Para a presidente da Câmara Brasileira do Livro, Sevani Matos, esse crescimento de novos consumidores em um único ano mostra que o livro mantém sua relevância e que há espaço consistente para a expansão do mercado editorial brasileiro.
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Esse avanço é resultado de um ecossistema que envolve editoras, livrarias, autores, influenciadores, políticas públicas e iniciativas de incentivo à leitura.”
Categorias mais lidas
De acordo com a coordenadora de pesquisas econômicas e setoriais da Nielsen BookData Mariana Bueno, os livros de colorir são, sem dúvida, um fator relevante para esse crescimento.
Mas os dados do varejo indicam que os títulos de ficção, especialmente os Young Adult, tiveram papel decisivo nessa alta. São obras voltadas a um público mais jovem e conectado, o que dialoga diretamente com os resultados observados na pesquisa Panorama.
Em 2025, 7,1% da população adulta, cerca de 11 milhões de pessoas, comprou ao menos um exemplar do livro de colorir, o equivalente a 40% dos consumidores de livros, consolidando o segmento como um dos fenômenos recentes do mercado.
O livro “Bobbie Goods – Do Dia para a Noite”, foi o não-ficção mais lido. Já entre os de ficção os destaques são: O Segredo Final, de Dan Brown e A Hora da Estrela, de Clarice Lispector.
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Jovens estão comprando mais
A pesquisa também aponta que o maior crescimento ocorreu entre os jovens. As faixas de 18 a 34 anos avançaram, juntas, 3,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Já entre as pessoas com mais de 45 anos foi verificada queda no consumo de livros.

Para Sevani, as comunidades virtuais têm papel central nesse movimento.
As redes sociais se tornaram uma porta de entrada importante para novos leitores. Criadores de conteúdo, recomendações online e comunidades virtuais têm ampliado o alcance da literatura, especialmente entre os mais jovens”.
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Vendas por redes sociais
O estudo mostra também que a maioria dos consumidores de livros (56%) prefere fazer compras nas redes sociais. As mulheres entre 25 e 54 anos representam 76% das consumidoras e 26% do total de consumidores de livros que compram por essas plataformas.
Além disso, 70% dos consumidores de livros afirmam gostar de acompanhar lançamentos, principalmente por meio de sites de compras (34%), indicação de pessoas próximas (30%), livrarias (24%), e criadores de conteúdo (22%).
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A livraria, no entanto, mantém papel estratégico na experiência de compra. Para 53% dos consumidores, é um espaço para relaxar e explorar sem pressa, enquanto 46% a associam à conexão com cultura e conhecimento. Na última compra de livro impresso, 53% adquiriram online e 47% presencialmente, evidenciando um mercado cada vez mais multicanal.
Aquisições nos últimos 12 meses
Quando perguntado quantos livros você comprou nos últimos 12 meses, 42,3% responderam que adquiram de 3 a 5, 29,9%, entre 1 e 2, 17,3% de 6 a 10 livros. A maioria, 56%, adquiriu só livro físico, 28% impresso e digital e, 16% apenas digital.
Sobre clube de assinatura, 78% afirmaram que não são assinantes e 22%, que são. Entre esses consumidores, 55% acessam apenas livros contemplados pela assinatura.
“O livro não é apenas um produto, mas uma experiência cultural. Fortalecer livrarias, bibliotecas e políticas de acesso é fundamental para sustentar esse crescimento”, conclui a presidente da CBL.
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