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Guia do crédito consignado: como contratar e escapar dos juros altos

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Crédito consignado pode ser vantajoso para reorganizar as finanças - Adobe Stock
Crédito consignado pode ser vantajoso para reorganizar as finanças
Por Pedro Marques

13/05/2026 | 08h00

São Paulo - O crédito consignado pode ser uma alternativa para quem precisa reorganizar as finanças ou trocar uma dívida com juros altos e considerada cara, como cartão de crédito e cheque especial, por uma mais barata.

Esse tipo de empréstimo com desconto em folha está disponível para aposentados e beneficiários do INSS, servidores públicos, trabalhadores com carteira assinada e motoristas de aplicativo.

Esse tipo de empréstimo, no entanto, tem suas limitações: os valores disponíveis são atrelados ao seu rendimento mensal e, por isso, são menores do que outros empréstimos. Outra questão a ser considerada é que o parcelamento pode se estender por anos, comprometendo parte importante do salário.

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Leia também: TCU revoga decisão e libera novas concessões de empréstimo consignado

A seguir, conheça os prós e contras desse tipo de empréstimo e as novas regras do mercado antes de contratar o crédito consignado.

Guia do crédito consignado

O que é e por que é mais barato?

O crédito consignado (ou empréstimo com desconto em folha) é uma modalidade onde as parcelas são descontadas automaticamente todo mês diretamente do salário, pensão ou benefício do contratante, antes mesmo de o valor líquido ser depositado em sua conta.

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Por garantir ao banco que o valor será pago com o salário, ou seja, por apresentar baixo risco de inadimplência, essa modalidade oferece taxas de juros significativamente menores quando comparadas com o cartão de crédito tradicional, empréstimos pessoais ou cheque especial.

Basicamente, os bancos ofereciam duas opções: o empréstimo consignado convencional (onde você recebe o dinheiro e paga parcelas fixas) e o cartão de crédito consignado (usado para compras no comércio). Esse cartão de crédito, no entanto, deixará de ser oferecido nos próximos meses.

Quem pode contratar?

  • Trabalhadores com carteira assinada (CLT) no setor privado ou público.
  • Aposentados do INSS.
  • Servidores públicos.
  • Desde julho de 2025, a modalidade foi expandida para motoristas e entregadores de aplicativo, desde que haja um convênio entre a plataforma parceira e uma instituição financeira.

Aposentados do INSS

Aposentados do INSS podem contratar o crédito consignado diretamente com bancos autorizados, com parcelas fixas descontadas no benefício, taxa de juros de 1,86% ao mês e prazo de até 108 meses (9 anos) para pagar.

A contratação exige desbloqueio do benefício no app Meu INSS.

Leia também: Superendividamento: veja o que muda com nova regra de empréstimo consignado

O valor do empréstimo é determinado pela margem consignável, isto é, o limite percentual do salário ou benefício que pode ser comprometido mensalmente com o pagamento da dívida. Atualmente, o aposentado ou beneficiário pode comprometer até 40% do rendimento mensal com o pagamento do empréstimo.

Trabalhadores CLT

Quem trabalha no setor privado e tem carteira assinada não depende mais de que a empresa tenha acordo com algum banco e pode contratar o crédito consignado pelo celular, em diferentes instituições financeiras.

O pedido deve ser feito por meio do app Carteira de Trabalho Digital, disponível para Android e iOS.

Leia também: O que considerar antes de contratar o crédito consignado CLT?

Assim como acontece com aposentados e beneficiários do INSS, o valor máximo do empréstimo depende da margem consignável.

Quem tem carteira assinada pode comprometer até 35% da renda com as parcelas do consignado. Os juros são de cerca de 3% ao mês e os prazos costumam ser mais curtos, variando de 12 a 48 meses.

Como usar o FGTS

Quem tem carteira assinada pode ainda reduzir os juros se usar até 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória como garantia do crédito. O governo e os bancos atualmente debatem a liberação de até 100% do saldo do FGTS como garantia no futuro.

Justamente por isso é preciso ter cuidado com esse crédito: se você não ofereceu o FGTS como garantia, a lei proíbe que o banco desconte o valor total da sua dívida das verbas rescisórias e apenas a parcela do mês do desligamento pode ser descontada. O restante da dívida passa a ser cobrado diretamente de você por outros meios, como o envio de boletos.

Servidores federais

O crédito consignado para servidor público federal oferece taxas de juros reduzidas, de 1,80% ao mês, e prazos ainda mais alongados que os disponíveis para pensionistas do INSS, de até 120 meses (10 anos), também com parcelas descontadas diretamente no contracheque.

Atualmente, a margem consignável total é de até 40% (sendo 35% para empréstimo e 5% para cartão), conforme novas regras de 2026. A contratação é exclusiva para ativos, aposentados e pensionistas.

Leia também: Governo publica medidas para reduzir juros do crédito consignado

A margem consignável pode ser consultada no Portal do Servidor. Em seguida, é recomendável pesquisar instituições financeiras conveniadas ao órgão no qual o servidor trabalha e comparar as taxas oferecidas.

Depois, realiza-se uma simulação para definir o valor das parcelas e o prazo de pagamento mais adequado. A solicitação pode ser feita em agências físicas ou por meio de plataformas digitais, como sites e aplicativos, o que torna o processo mais prático.

Os bancos são obrigados a informar o Custo Efetivo Total (CET) do empréstimo, que inclui juros, taxas e encargos. Isso permite saber o valor final pago antes de contratar.

Após a análise de crédito e da margem disponível, o contrato é formalizado, muitas vezes de forma digital, e o valor é liberado na conta.

Trabalhadores por aplicativo

Motoristas de aplicativo podem contratar empréstimo consignado com desconto direto no repasse dos ganhos (receitas das corridas), oferecendo juros mais baixos (média de 3,5% ao mês) e parcelas descontadas automaticamente, limitadas a 30% da renda.

Leia também: ABBC: Restrição ao saque-aniversário devem derrubar crédito do FGTS em 96%

A concessão dependerá da existência de convênio entre a plataforma a qual o trabalhador está ligado e instituições de crédito.

Como contratar pelo celular

Se você é aposentado

  1. Acesse o app ou site Meu INSS e solicite o desbloqueio para empréstimo, caso seu benefício seja novo.
  2. Verifique a margem consignável: consulte no extrato do Meu INSS o valor disponível.
  3. Procure uma instituição financeira (física ou digital) de sua preferência para simular taxas e parcelas.
  4. Documentação: geralmente, são necessários RG, CPF e comprovante de residência atualizado.
  5. A contratação é concluída com assinatura eletrônica ou física, com o valor creditado diretamente na conta em que recebe o benefício.

Se você tem carteira assinada

  1. Baixe o app Carteira de Trabalho Digital.
  2. Faça login com sua conta Gov.br.
  3. Vá no ícone de empréstimos ou selecione "Crédito do Trabalhador".
  4. Informe o valor desejado, o número de parcelas e autorize o compartilhamento de dados.
  5. Em até 24 horas, você receberá propostas de diversos bancos para comparar.

Novas regras e proteções

Para evitar que o trabalhador seja pego de surpresa por "taxas invisíveis", o governo endureceu as regras contra práticas abusivas.

Leia também: Governo atualiza regras de consignado do servidor federal

Custo Efetivo Total (CET) Limitado: o custo total do empréstimo não pode ser mais do que 1% superior à taxa de juros. Por exemplo, se o banco te ofereceu juros de 1,5% ao mês, o seu custo real (CET) não pode passar de 2,5% ao mês.

Fim das taxas de abertura de crédito: os bancos só estão autorizados a cobrar quatro coisas na operação: juros, encargos de multa/mora, impostos e o seguro prestamista (este último apenas se você expressamente concordar).

Como bloquear ofertas

Se você não tem interesse em contratar crédito e quer evitar propostas indesejadas (ou tentativas de fraudes), pode bloquear o acesso aos seus dados. 

Aposentados e beneficiários do INSS: acesse o app Meu INSS (com Gov.br), pesquise por "Bloquear/Desbloquear Benefício para Empréstimo", selecione o benefício e faça o reconhecimento facial.

Trabalhadores com carteira assinada: no app Carteira de Trabalho Digital, vá em "Empréstimos", clique no ícone de engrenagem e alterne a chave para "Bloqueado". O bloqueio é imediato.

Quais cuidados tomar

Com a oferta crescente de crédito no mercado, aposentados e pensionistas devem estar atentos a uma série de recomendações antes de contratar qualquer tipo de empréstimo.

Entre os principais alertas, está a orientação para não realizar qualquer pagamento adiantado com a promessa de liberação do crédito — prática que pode indicar tentativa de golpe.

Leia também: Como o trabalhador CLT faz para pedir crédito consignado? Veja passo a passo

Outro ponto fundamental é pesquisar e comparar as taxas de juros e as condições oferecidas por diferentes instituições financeiras. Mais do que observar apenas a taxa anunciada, é importante verificar o Custo Efetivo Total (CET), indicador que reúne todos os encargos da operação e apresenta, em percentual, o custo real do empréstimo.

Também é essencial confirmar se o banco está autorizado a funcionar pelo Banco Central e se possui convênio com a fonte pagadora do benefício. No caso de empréstimos consignados para aposentados e pensionistas do INSS, por exemplo, a instituição precisa estar devidamente conveniada ao INSS para oferecer essa modalidade.

Segundo o Banco Central, nunca se deve assinar contratos ou propostas em branco, nem aceitar a intermediação de terceiros que prometem acelerar a liberação do crédito.

Além disso, é fundamental não compartilhar cartão de débito ou crédito e senha bancária com outras pessoas, evitando riscos de fraude.

Outro aspecto que merece atenção é o impacto financeiro do empréstimo, já que as parcelas são descontadas diretamente do salário ou benefício, comprometendo parte da renda mensal e podendo afetar o orçamento pessoal e familiar no futuro.

Por fim, quem deseja transferir o contrato para outro banco em busca de condições mais vantajosas deve buscar informações detalhadas sobre a portabilidade de crédito e ler atentamente as regras antes de concluir a operação.

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