CONFIRA

BTS: fãs mostram que o coração de uma 'Army' bate pelo grupo em qualquer idade

Grupo sul-coreano faz shows em SP com ingressos esgotados a partir desta quarta, 28, atraindo público de diversas idades e desafiando estereótipos

Adriana Del Ré

Por Adriana Del Ré

28/10/2026 | 15h17 ● Atualizado | 15h18

Acervo pessoal

Júlia Fernandes Soares Augusto é fã do grupo BTS e vai ao show em São Paulo acompanhada da neta - Acervo pessoal
Júlia Fernandes Soares Augusto é fã do grupo BTS e vai ao show em São Paulo acompanhada da neta
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O grupo sul-coreano BTS se apresenta em São Paulo após uma pausa de quatro anos, gerando grande expectativa entre fãs de todas as idades, incluindo Júlia, uma mulher de 86 anos que se emocionou ao receber um ingresso para o show de sua neta.

O BTS, que conquistou uma base de fãs diversificada, incluindo pessoas acima de 50 anos, desafia a ideia de que apenas jovens consomem esse tipo de música, mostrando que a apreciação por suas letras e performances transcende gerações.

Com o retorno do grupo ao Brasil, muitos fãs mais velhos relatam como a música do BTS impactou positivamente suas vidas, proporcionando alegria e um senso de comunidade, enquanto se preparam para os shows que prometem ser memoráveis.

Resumo gerado por IA

São Paulo – Em abril, depois que os ingressos para os shows do grupo sul-coreano BTS – que acontecem nesta quarta (28), sexta (30) e sábado (31), no MorumBIS, em São Paulo – se esgotaram em poucas horas, começou a circular nas redes sociais uma série de vídeos de pessoas comemorando a conquista do bilhete garantido.

BTS é um grupo masculino de K-pop formado por sete integrantes: RM, Jin, Suga, J-Hope, Jimin, V e Jungkook
BTS, o grupo masculino de K-pop, é formado por (em ordem, sentido horário): RM, Jin, Suga, J-Hope, Jimin, V e Jungkook - Reprodução / Spotify

Entre os que viralizaram, um deles, em especial, chamou a atenção. Nele, Júlia Fernandes Soares Augusto, de 86 anos, uma superfã do BTS, é surpreendida por sua neta, Beatriz, com um ingresso para a apresentação escondido dentro de uma caixa cheia de presentes com temas do grupo.

Ao se dar conta de que iria realizar o sonho de assistir ao show ao vivo, Júlia Augusto – conhecida como "Vovó BTS" em seu Instagram – abriu um sorrisão. Seu carinho e sua devoção ao BTS fazem dela uma legítima Army, nome dado às fãs do grupo espalhadas pelo mundo.

A emoção é grande demais. Já nem durmo direito só pensando no dia do show, como que vai ser. É uma preocupação, mas é uma coisa que te deixa feliz.
Júlia Fernandes Soares Augusto, a 'Vovó BTS'

Fenômeno do k-pop, misturando pop, rap, hip hop e R&B, o BTS fez sua estreia em 2013 com sete integrantes – Jin, Suga, J-Hope, RM, Jimin, V e Jungkook –, que permanecem juntos até hoje. Com o passar dos anos, eles furaram a bolha do gênero musical que os consagrou e passaram a ser considerados um dos maiores nomes mundiais do pop da atualidade.

A última vez que eles fizeram show no Brasil foi em 2019. Vieram, depois, a pandemia e a  pausa para que cada integrante cumprisse o serviço militar obrigatório na Coreia do Sul. E só agora, sete anos depois, retornam ao País, com a turnê '"ARIRANG". 

O desejo feminino

Vivan está de preto e mostrando um pôster do BTS
Vivian Rezende acompanha os passos do grupo mais ativamente há dois anos - Acervo pessoal

A exemplo do que acontecia com antigas boybands, como Menudo, New Kids On The Block, NSYNC e Backstreet Boys, existe uma falsa ideia de que só público mais jovem consome esse tipo de artista e de música. E não é assim.

O BTS tem uma base de fãs forte e numerosa formada também por pessoas com mais de 50 anos de idade, que se intitulam, com orgulho, como "Army". Isso mostra que não existe idade para gostar de BTS – nem qualquer outro tipo de artista, grupo ou gênero musical. 

Para a visagista e psicanalista Analice Ruiz, que estuda a beleza e o inconsciente feminino e faz vídeos analíticos relacionados a BTS em suas redes, há um "pré-conceito" envolvendo esse tema.

E questiona: por que uma mulher de 60 anos, por exemplo, não pode gostar de um grupo mais jovem? 

A mulher continua desejando e continua ativa por muito tempo. É do feminino isso. E a boyband desperta exatamente isso nela: o desejo de volta. E ele se torna, vamos dizer assim, um pouco mais lícito, porque está projetado de forma segura dentro da boyband.
Analice Ruiz, visagista e psicanalista
Maria Tânia usa uma camiseta preta estampada com a foto do grupo e segura uma almofada também estampada com o grupo
Maria Tânia Aranha com camiseta e almofada estampadas com os integrantes do grupo - Acervo pessoal

Outro ponto que a especialista destaca é a questão do reconhecimento da própria identidade, que vai para além de ser a pessoa que cuida dos outros.

"Estamos falando da mulher 60+, que não tinha esse acesso à informação e ao conhecimento como se tem hoje. Então, durante muito tempo, ela não conseguia desenvolver essa identidade. Ela era a tia, a avó, a mãe, a parceira, mas essa identidade do que eu gosto, do que quero, ela consegue encontrar dentro dessa boyband. No fim, eles falam sobre nós." 

No caso de Júlia Fernandes Soares Augusto, a Vovó BTS, o eleito como seu preferido é J-Hope, conhecido por ser extrovertido, alegre, carinhoso, divertido e amoroso com os fãs. Ela conheceu os garotos sul-coreanos depois que pediu para o neto indicação de algum grupo bom para seguir.

"Me apaixonei no mesmo dia por eles", diz a Vovó BTS, que vai ao show. Ficará em uma cadeira superior acompanhada da neta. 

A terapeuta holística Vivian Nascimento Rezende, de 50 anos, que mora no Rio de Janeiro, já está em São Paulo para ir também ao show. Army há dois anos, ela conta que já conhecia o grupo há algum tempo, quando ainda era casada, mas só se envolveu ativamente a partir do ano passado, quando passou a trabalhar voluntariamente em um fã-clube. 

Enquanto muitas fãs relatam que o BTS entrou na vida delas no momento em que mais precisavam – por enfrentarem questões de saúde mental, como depressão e ansiedade –, para Vivian, eles chegaram quando ela se sentia carente de ouvir boa música produzida nos dias de hoje. 

Eu pensava: 'cadê o conteúdo, uma música interessante que você ouve e quer continuar ouvindo, quer se animar, se divertir? Foi nessa parte que eles me pegaram. Nem foi a beleza - apesar de eles serem lindos.
Vivian Nascimento Rezende, terapeuta holística

Ela acredita que, no começo da trajetória, o grupo, de fato, atraía fãs mais jovens, mas que naturalmente a faixa etária de seu público foi ampliando. "Os pais foram descobrindo através dos filhos. Depois disso, se criou o maior número de pessoas mais velhas que admiram as letras deles, o que eles pensam em relação ao amor próprio."

Impacto na vida

No Dia das Mães, Maria Tânia Aranha, de 69 anos, como genuína Army que é, não segurou o grito ao ganhar de presente da mulher de seu neto, Jenifer, uma camiseta do BTS. "Olha meus netinhos aqui", disse carinhosamente, enquanto olhava os integrantes estampados na peça de roupa. Assim como aconteceu com Júlia Augusto, o vídeo de Maria Tânia Aranha, postado por Jenifer, repercutiu nas redes sociais. 

Quando a gente é idosa e está meio assim, é só botar música deles. As letras das canções deles tiram a depressão. Eu amo eles.
Maria Tânia Aranha, 'Army'

Ela nunca teve um ídolo na juventude. O gostinho de ser fã veio mais tarde, com o BTS, quando o grupo começou a vir ao Brasil, a partir de 2014. "Acho lindo essa paixão que ela tem por eles. Vou à casa dela e é fato: ela sempre está assistindo a alguma coisa do BTS, se não for na televisão, vai ser no celular", conta Jenifer Leopoldino. 

Maria tem cabelos brancos, usa óculos e está na frente de um cartaz do BTS
Maria Cantalice Araujo, dos doramas a Army do BTS - Acervo pessoal

O grupo também trouxe novas cores à vida de Maria Cantalice Araujo, de 75 anos. Army há cerca de dois anos, ela fez o caminho dos doramas até o BTS. Por ela gostar de assistir a esse tipo de série de origem asiática, seu filho sugeriu que ela ouvisse também k-pop, por fazer parte desse universo cultural.

Maria achava que era coisa para a garotada; ele insistiu que a mãe iria gostar. Maria acabou sendo fisgada pelas canções do BTS. Hoje, ela estuda coreano e participa de eventos e encontros no Rio de Janeiro, onde mora, com outras Armys. O grupo sul-coreano entrou em sua vida quando ela andava entediada.

"Como para muitas pessoas o BTS fez a vida delas mudar da água para o vinho, Deus fez a minha vida mudar da água para o vinho, e o BTS veio para envelhecer o vinho e ficar mais saboroso. Parece que deu mais sentido. Foi uma motivação. Comecei a sentir uma alegria de estar com as Armys. 
Maria Cantalice Araujo, estudante de coreano

Para quem acha que gostar de BTS tem idade, Araujo tem um recado: "São pessoas que desconhecem a qualidade do trabalho deles, não entendem que isso alcança qualquer idade. Na realidade, a música é para qualquer idade. E com o BTS, não é diferente".

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