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Eleições 2026

Mãe de Flávio Bolsonaro lamenta fuga aos EUA; advogado alega surpresa

A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos causou surpresa ao advogado e deixou sua mãe, Rogéria, com "coração apertado"

Broadcast

Por Broadcast

28/10/2026 | 16h03

Estadão Conteúdo

Flávio Bolsonaro na cabine de votação para o segundo turno, no último dia 25 de outubro - Estadão Conteúdo
Flávio Bolsonaro na cabine de votação para o segundo turno, no último dia 25 de outubro
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Flávio Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos após perder a eleição presidencial e desobedecer uma ordem do STF para entregar seus passaportes, gerando uma manifestação de sua mãe, Rogéria, que lamentou a distância da família e alegou perseguições políticas.

O advogado de Flávio, Tracy Reinaldet, expressou surpresa com a saída do senador, afirmando que havia um acordo para que ele entregasse os passaportes à Polícia Federal, e destacou que a defesa do senador seria simples em relação às investigações em curso.

A Polícia Federal informou que a decisão do STF não caracteriza Flávio como foragido, mas que ele descumpriu a ordem de entrega dos passaportes, que foram cancelados, e que investiga as circunstâncias de sua saída do Brasil.

Resumo gerado por IA

São Paulo e Brasília, 28/10/2026 - A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos, após a derrota na eleição presidencial e uma ordem judicial para entregar seus passaportes, provocou uma manifestação de sua mãe, Rogéria Bolsonaro (PL), nesta quarta-feira, 28.

Em publicação nas redes sociais, ela afirmou que seu coração "sangra" ao ver mais um filho deixar o Brasil, atribuiu a saída a supostas perseguições políticas e lamentou a distância de quatro netos.

"Estou muito triste. Meu coração sangra, graças a Deus que é um coração forte, porque mais um filho se viu obrigado a deixar sua Pátria amada por causa de perseguições injustas, descabidas e arbitrárias", disse.

A declaração ocorre após Flávio desembarcar em Miami, nos Estados Unidos, país onde seu irmão Eduardo Bolsonaro já reside. O senador deixou o Brasil na terça-feira, 27, apesar da determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que entregasse seus passaportes e permanecesse no País. 

Na publicação, Rogéria destacou as consequências da distância para o convívio familiar. "Agora são quatro netos que estarei privada de acompanhar de perto seu crescimento, comemorarmos juntos suas vitórias e conquistas e confortar nas horas difíceis", afirmou. Ela também lamentou não poder estar presente nos momentos em que as crianças precisarem de cuidados.

Ela afirmou que teria mais a dizer sobre os acontecimentos envolvendo a família, mas não desenvolveu as críticas. "Teria muito mais a falar sobre tudo que está acontecendo com minha família, mas não caberia aqui nesse espaço", escreveu.

Ao final, Rogéria dirigiu uma despedida ao senador. "A distância nos separa, porém o amor nos une. E agora separada de mais um, só me resta dizer um até breve Flávio, meu filho querido", disse.

Rogéria Bolsonaro disputou uma vaga de deputada federal pelo Rio de Janeiro nas eleições deste ano e ficou como suplente, com 65.496 votos.

Advogado diz ter sido pego de surpresa

O advogado Tracy Reinaldet, que atua na defesa de Flávio, afirmou nesta quarta-feira, 28, que foi pego de surpresa com a fuga dele para os Estados Unidos. Segundo o advogado, em uma reunião entre Flávio, a equipe jurídica e aliados na última segunda, 26, havia ficado combinado que Flávio entregaria seus passaportes à Polícia Federal (PF). 

“Em momento algum dessa reunião foi sequer cogitada a possibilidade de o senador Flávio deixar o País. A reunião terminou combinando de, na terça-feira, ontem, pegar o passaporte dele e entregá-lo à Polícia Federal. Todos da reunião foram surpreendidos com a notícia de que ele teria deixado o País”, declarou, em entrevista à CNN.

Reinaldet disse que, durante o encontro, o jurídico teria recomendado a Flávio que reconhecesse a derrota no pleito presidencial e de que havia pontuado que a defesa do senador seria “simples” - Flávio é investigado em um inquérito sobre suas relações com o empresário Willer Tomaz. 

O advogado falou ter tentado contato com Flávio Bolsonaro desde ontem, 29, mas que ainda não foi atendido: “Preciso conversar com ele, tentar entender o que o fez sair do País. Confesso que estou tão perdido nesta história como a imprensa. Ontem, tentei contato com o senador Flávio e não consegui conversar com ele”.

Reinaldet chamou o inquérito envolvendo Flávio e Willer como “heterodoxo” e defendeu que o processo esteja sob a relatoria do ministro André Mendonça, não de Alexandre de Moraes. Ele argumenta que parte das informações foi obtida por uma quebra de sigilo no âmbito da investigação das fraudes do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), que está com Mendonça. Ele disse ainda haver comprovação de que não teria havido transferências das empresas de Willer para Flávio. 

O que a PF diz

Por sua vez, a Polícia Federal (PF) informou em nota que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro (PL) “por si só, não caracteriza a condição de foragido”. A nota também disse que a decisão não autorizou a prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares contra o senador do último domingo.

Flávio deixou o Brasil dois dias depois de ser derrotado no segundo turno da eleição presidencial. Após o resultado da eleição, a PF pediu a apreensão dos seus passaportes após identificar risco de saída do País. O pleito foi atendido pelo ministro Alexandre de Moraes, que deu 24 horas para o senador entregar os documentos -- decisão que foi descumprida. A PF também solicitou a restrição de contato com outros investigados.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro é investigado em duas ações que tramitam no STF e apuram possíveis esquemas de lavagem de dinheiro com a participação do senador.

“Após a decisão judicial, os passaportes comum e diplomático emitidos pelo Brasil foram cancelados, foi inserido alerta migratório no sistema Sonar e o senador foi intimado na manhã de segunda-feira, 26, a entregar eventuais passaportes de outras nacionalidades no prazo de 24 horas, o que não ocorreu”, disse a PF.

Segundo a PF, ainda não há registro oficial de saída do parlamentar pelos postos de controle migratório brasileiros. O órgão disse que investiga as circunstâncias do descumprimento da decisão do Supremo por Flávio e atua “nos limites da legislação e no cumprimento das determinações judiciais”.

(Por Gabriel Gonçalves, Naomi Mitsui e Lavínia Kaucz)

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