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Carnaval do RJ encerra com polêmica sobre Lula e homenagens a figuras históricas

Estadão Conteúdo

Integrante da comissão de frente da escola sobrevoou a avenida a bordo de um drone gigante - Estadão Conteúdo
Integrante da comissão de frente da escola sobrevoou a avenida a bordo de um drone gigante
Por Bárbara Ferreira

18/02/2026 | 08h00 ● Atualizado | 08h24

São Paulo, 18/02/2026 - O Carnaval carioca de 2026 consolidou o protagonismo de figuras históricas e emblemáticas como Ney Matogrosso, Rita Lee, Carolina Maria de Jesus e Luiz Inácio Lula da Silva. Se São Paulo mergulhou no sagrado, no Rio de Janeiro o desfile do Grupo Especial transformou a Marquês de Sapucaí em uma galeria de biografias icônicas e resistências históricas. 

Entre lendas da música brasileira, líderes políticos, escritores e referências da cultura afro-brasileira, as escolas apostaram em trajetórias marcantes para emocionar o público. Foi uma reafirmação do espaço de memória e identidade do Carnaval.

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A primeira noite trouxe enredos que dialogam com política, música e ancestralidade. A Acadêmicos de Niterói abriu os desfiles com “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”, retratando a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva, do sertão nordestino à Presidência da República.

Na Sapucaí, a escola ainda provocou a oposição, com um carro mostrando o palhaço Bozo preso e com uma tornozeleira danificada, em alusão ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

O tema polêmico não impediu o desfile de acontecer, mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sinalizou que Lula ainda pode ser punido pelo enredo. 

A Imperatriz Leopoldinense apresentou Camaleônico, uma celebração à vida e à transgressão de Ney Matogrosso, destacando sua estética mutável e importância na música brasileira. 

Já a Portela levou à avenida O Mistério do Príncipe do Bará, que narra a história de Custódio Joaquim de Almeida, príncipe africano radicado no Rio Grande do Sul e figura central do batuque gaúcho, tratando sobre a resistência negra sulista.

Fechando a noite, a Estação Primeira de Mangueira apresentou Mestre Sacacá do Encanto Tucuju, homenagem ao curandeiro amapaense Mestre Sacaca, exaltando a sabedoria das ervas e a chamada Amazônia Negra.

A segunda noite reforçou o protagonismo de artistas e líderes culturais.

A Mocidade Independente de Padre Miguel trouxe Rita Lee, a Padroeira da Liberdade, tributo psicodélico à rainha do rock brasileiro, Rita Lee, exaltando sua rebeldia e legado musical.

Atual campeã, a Beija-Flor de Nilópolis apresentou Bembé do Mercado, retratando a cerimônia centenária de Santo Amaro (BA), considerada o maior candomblé de rua do mundo e marco da abolição.

A Unidos do Viradouro homenagiou em vida o lendário Mestre Ciça, um renomado mestre de bateria, com Pra Cima, Ciça, celebrando seus 70 anos e sua batida marcante.

Já a Unidos da Tijuca apresentou Carolina Maria de Jesus, revisitando a trajetória da escritora de Quarto de Despejo, destacando sua força literária além da favela e da pobreza.

A terceira noite aprofundou conexões espirituais, culturais e ecológicas. O Paraíso do Tuiuti mergulhou na Santería Cubana em Lonã Ifá Lukumi, explorando a conexão espiritual entre Cuba e Brasil por meio do oráculo de Ifá.

A Unidos de Vila Isabel apresentou Macumbembê, Samborembá, inspirada no multiartista Heitor dos Prazeres, imaginando uma África presente no cotidiano carioca.

A Acadêmicos do Grande Rio uniu ecologia e música em A Nação do Mangue, conectando os manguezais ao movimento manguebeat e homenageando Chico Science e a cultura pernambucana.

Encerrando os desfiles, o Acadêmicos do Salgueiro apresentou A Delirante Jornada da Professora, homenagem lúdica e afetuosa à carnavalesca Rosa Magalhães, resgatando sua estética barroca e histórica.

Relembre o enredo de cada escola

Domingo, 15 de Fevereiro

  • Acadêmicos de Niterói: Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil

A trajetória de vida de Luiz Inácio Lula da Silva, do sertão nordestino à presidência, focando na luta operária

  • Imperatriz: Camaleônico

Uma celebração à vida e à transgressão de Ney Matogrosso, explorando sua estética mutável e importância na música

  • Portela: O Mistério do Príncipe do Bará

A história de Custódio Joaquim de Almeida, príncipe africano que se radicou no RS e é figura central do batuque gaúcho

  • Mangueira: Mestre Sacacá do Encanto Tucuju

Homenagem ao curandeiro amapaense Mestre Sacaca, celebrando a sabedoria das ervas e a "Amazônia Negra"

Segunda-feira, 16 de Fevereiro

  • Mocidade: Rita Lee, a Padroeira da Liberdade

Um tributo psicodélico à Rainha do Rock brasileiro, exaltando sua rebeldia, suas músicas e seu espírito livre

  • Beija-Flor: Bembé do Mercado

A atual campeã retrata a cerimônia centenária de Santo Amaro (BA), o maior candomblé de rua do mundo, marco da abolição

  • Viradouro: Pra Cima, Ciça

Uma homenagem inédita em vida ao lendário Mestre Ciça, celebrando seus 70 anos e sua batida inconfundível

  • Unidos da Tijuca: Carolina Maria de Jesus

A vida da escritora de "Quarto de Despejo", mostrando sua força literária para além da favela e da pobreza

Terça-feira, 17 de Fevereiro 

  • Paraíso do Tuiuti: Lonã Ifá Lukumi

Um mergulho na Santería Cubana e na conexão espiritual entre Cuba e Brasil através do oráculo de Ifá

  • Vila Isabel: Macumbembê, Samborembá

Inspirada no multiartista Heitor dos Prazeres, a escola sonha com uma África presente no cotidiano carioca

  • Grande Rio: A Nação do Mangue

Une a ecologia dos manguezais ao movimento Manguebeat, homenageando Chico Science e a cultura pernambucana

  • Salgueiro: A Delirante Jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau nem do pirata da perna de pau

Uma homenagem lúdica e afetuosa à carnavalesca Rosa Magalhães, revivendo sua estética barroca e histórica.

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