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Alcoolismo mata cerca de 3 milhões de pessoas por ano no mundo

Foto: Adobe Stock

No Dia de Combate ao Alcoolismo, especialista alerta para os riscos e sinais que indicam o surgimento da doença - Foto: Adobe Stock
No Dia de Combate ao Alcoolismo, especialista alerta para os riscos e sinais que indicam o surgimento da doença
Por Marcel Naves

18/02/2026 | 19h40 ● Atualizado | 19h41

São Paulo,18/02/2026 - O alcoolismo mata atualmente cerca de 3 milhões de pessoas por ano no mundo, o que representa 5,3% do total de mortes. Os dados são da Organização Mundial de Saúde (OMS). Desde 1967, a ONU considera o alcoolismo uma doença crônica e, apenas no Brasil, estima-se que seja responsável por 12 mortes a cada hora, de acordo com pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Em virtude da gravidade do problema foi criado o Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo, observado nesta quarta. A data que tem como objetivo conscientizar a população sobre os riscos do consumo excessivo de álcool.

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Quando ficar alerta

De acordo com a psiquiatra Clarice Madruga é necessário ficar atento quando o  consumo de bebidas alcoólicas está afetando a vida de uma pessoa. Para isso, segundo a especialista, é necessário olhar todas as esferas, desde a questão biológica até a social.

Foto mostra a psiquiatra esboçando um sorriso
 Arquivo pessoal/ Dra. Clarice Madruga

O alerta geralmente é dado quando a pessoa está perdendo relações, oportunidades ou não consegue mais cumprir suas funções básicas como trabalhar ou estudar em decorrência da bebida. A especialista justifica:

Se ela está perdendo emprego, relações e já não consegue cumprir com compromissos que gostava e não é capaz mais de se dedicar para as coisas que antes gostava de fazer, isto já é uma indicação muito grande de transtorno".

Ainda segundo a especialista, é fundamental que  o tratamento do alcoolista possa ressignificar relações, atividades e lazer sem o consumo da bebida. Isto quer dizer que a ajuda a ser dada tem de ser integrada ao fator psiocológico, ao ambiente e, sobretudo, à família de quem está recomeçando a vida.

Alcoolista

No âmbito do combate ao alcoolismo,  iniciativas de ajuda mútua e solidariedade são extremamente importantes. A exemplo disto temos o Alcoólicos Anônimos (A.A.) - irmandade de pessoas que estimula a sobriedade e recuperação por meio do suporte gratuito e a realização de reuniões onde os dependentes compartilham suas experiências e esperanças.

Um dos membros da entidade na cidade de São Paulo é o vigilante B.S.Z, de 54 anos, que está em processo de recuperação alcoólico. Após anos tentando abandonar o vício, ingressou recentemente no programa de recuperação do A.A.

" Foi onde eu encontrei companheiros que me dão força para superar a dependência do álcool, sem julgamento, e voltar a ter uma vida feliz.” 

O vigilante recorda que começou a beber ainda criança, tomando seus primeiros goles quando tinha apenas 9 anos. Hoje, reconhece que o processo de recuperação lhe trouxe mais responsabilidade e a plena readaptação ao mercado de trabalho.

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O prejuízo da doença

Dados do SUS (Sistema Único de Saúde), mostram que o gasto com a doença representa pouco mais de R$ 1 bilhão. Já um um estudo do DataSUS (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde) feito pelo Ministério da Saúde indica  que, para a economia do País, este custo é de quase R$ 18 bilhões.

Valores relacionados à perda de produtividade, mortalidade prematura, além de licenças e aposentadorias precoces decorrentes de doenças associadas ao consumo de álcool.

Quando a publicidade ajuda

Uma das medidas que servem de exemplo é o slogan "Se beber, não dirija", encontrado em comerciais, campanhas educativas e outdoors voltados à prevenção e conscientização sobre os riscos da embriaguez no volante.

Aprovada pela Assembleia Legislativa, a Lei 15.428/2014 tornou obrigatória a divulgação da expressão em propagandas e cardápios de restaurantes, bares e boates em todo território paulista.

A frase foi criada em 1996 pela Abrabe (Associação Brasileira de Bebidas) para uma campanha desenvolvida em parceria com a Prefeitura de São Paulo. A iniciativa reforça uma das principais políticas públicas do País: a "Lei Seca" (Lei Federal 11.705/2008).

A norma agravou as penalidades para os motoristas alcoolizados, implementou o teste do bafômetro e reforçou a fiscalização por meio das blitze na cidade, como forma de promover o consumo responsável.

O que diz a legislação

Lei 10.939/2001 - Instituiu um programa de assistência e recuperação aos dependentes na rede pública de saúde do estado.

Lei 15.550/2014 - Autoriza o Poder Executivo a estabelecer convênios com clínicas particulares, associações comunitárias, igrejas, organizações não governamentais e entidades que prestam atendimento e tratamento de dependentes químicos.

Lei 10.817/2001 -- Determina a obrigatoriedade da implantação do "Programa Estadual de Atendimento a Crianças e Adolescentes Dependentes de Álcool e outras Drogas" conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei Federal Lei 8.069/1990).

Lei 10.990/2001 - Tem como objetivo inserir no conteúdo programático das escolas públicas do Estado o tópico de "Perigos e Prevenção do Alcoolismo" para diminuir a incidência deste problema na sociedade.

Lei 14.592/2011 - Proíbe vender, ofertar, fornecer, entregar e permitir o consumo de bebidas alcóolicas a menores de 18 anos. As multas previstas para aos estabelecimentos que violarem a norma variam de 100 a 5 mil Ufesps (Unidades Fiscais do Estado de São Paulo), ou de R$ 3.842,00 a R$ 192 mil. A legislação também obriga a instalação nos pontos de venda da característica sinalização que contém a palma de uma mão vermelha com "+18" ao centro, indicando a proibição da venda de álcool para menores. 

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